FIQUE POR DENTRO
ESTRABISMO
Nova técnica simplifica cura
Chico Siqueira
Especial para a AE
30/09/2006 17:22
O oftalmologista Edmilson Gigante de Presidente Prudente (SP), desenvolveu
uma técnica para corrigir estrabismo acentuado com uma só
cirurgia. Hoje a correção é feita por duas cirurgias,
uma em cada olho.
Estimativas indicam que entre 5% e 10% dos brasileiros são vítimas
de estrabismo. Destes, entre 30% e 40% sofrem a manifestação
acentuada - quando o desvio angular ultrapassa os 50 graus. É
nesses casos em que a cirurgia de Gigante é importante. Quando
o desvio é inferior a 50 graus, uma única cirurgia pode
colocar o olho no lugar.
O estrabismo se manifesta de duas maneiras: convergente (olho voltado
para dentro) ou divergente (para fora). Os desvios ocorrem porque os
músculos que sustentam os olhos são fortes ou fracos.
No caso do estrabismo convergente, o músculo reto interno é
mais forte, enquanto o músculo lateral é mais fraco. Para
fazer a correção, Gigante enfraquece o músculo
forte e fortalece o mais fraco, causando um equilíbrio que corrige
o olho. No estrabismo divergente, o procedimento é inverso.
Para fazer a correção do estrabismo convergente, Gigante
leva para trás o músculo forte e fortalece o fraco com
uma ressecção (retirada de parte do músculo), encurtando-o.
"Com isso, enfraqueço o músculo forte e fortaleço
o fraco", diz. "No caso do divergente, o procedimento é
inverso", acrescenta.
Durante sete anos, Gigante vem ultrapassando aos poucos os 5 milímetros,
aumentando o tamanho de acordo com o grau de desvio do paciente. A técnica
já recuperou 44 pacientes vítimas de estrabismo convergente
e outros 40 de estrabismo divergente, todos pelo Serviço Único
de Saúde (SUS), no Hospital Universitário de Presidente
Prudente entre 2000 e 2005.