JORNAL

CONVIVA

Ano I - nº 3 - Janeiro - Fevereiro de 1999

Por que CONVIVA?

Atende - Serviço de Transporte Especial

Relato sobre o Ponto de Encontro

Instante literário

Pioneirismo

Livro

Ciclo de Palestras

CIT da CESP inicia treinamento de deficiente


POR QUE CONVIVA?

Nós da ADEVA, acreditamos que a grande preocupação, aspiração de todos, nos dias atuais, seja a melhoria da qualidade de vida. Qualidade de vida, para nós, é, principalmente, criar oportunidades de partilharmos os mesmos ideais, de estarmos juntos nas diversas atividades de nossas vidas. É crescermos e amadurecermos no companheirismo, podendo assim, saciar nossa sede de ternura. E a ternura é o sal de nossas vidas. Se cada um de nós buscar o melhor para o companheiro, estará construindo uma sociedade melhor; e uma sociedade melhor, é aquela que não exclui, discrimina nenhum de seus membros.

CONVIVA vem chamar todos a este convívio, a este encontro. Você não pode faltar.


Atende - Serviço de Transporte Especial

O direito de ir e vir

O programa Atende é um serviço instituído pelo decreto municipal número 36.071, de 09.05.96. Criado para o transporte das pessoas com mobilidade reduzida - os tetraplégicos, os paraplégicos, as com paralisia cerebral e as com esclerose múltiplas.

É administrado pela SPTrans, atualmente possui 55 vans modelo MB 180D adaptadas com elevadores e espaço para duas cadeiras de rodas não-dobráveis ou dois lugares para quem faz uso muletas ou cadeiras dobráveis, mais lugares para dois acompanhantes. As vans são equipadas também com um sistema de rádio-comunicação ligado a uma Central de Atendimento que através do telefone 0800 155234, de segunda à sexta das 8 às 18 horas, poderão ser acionadas pelos usuários previamente credenciados, cuja prioridade será dada às viagens para programas de reabilitação, tratamento de saúde, educação especial ou comum e por trabalho.

O credenciamento do Atende é feito pela SPTrans, junto com o Conselho Municipal da Pessoa Deficiente, o PRODEF - Programa de Atendimento aos Portadores de Deficiência e as Supervisões Regionais do Bem Estar Social. O deficiente deverá levar duas fotos 2x2 e RG, a um dos 18 postos da SURBES - Supervisão Regional de Bem-Estar Social.

Conselho Municipal da Pessoa Deficiente - CMPD
R. da Figueira - 77 - Centro - São Paulo
Fone: 225 9077 - ramal 2284

Supervisão Regional de Bem-Estar Social - SURBES
Butantã - fone: 842 5099 / 842 7211 - ramal:176
Pinheiros - fone: 282 0954
Campo Limpo - fone:5611 2340 / 5511 1356
Moóca / Aricanduva - fone: 292 8023 / 291 1226
Penha / Ermelino Matarazzo - fone: 957 9275


Relato sobre o Ponto de Encontro

Um fim-de-semana inesquecível em São Sebastião

Todos os dias foram de sol. Acordar com o cantar do galo, com cheiro de mato, uma brisa suave durante as manhãs de sábado e domingo. Uma maravilha. No sábado acordamos muito cedo, fizemos um passeio a pé até uma cachoeira distante 3 km do Hotel Fazenda Três Poderes em que ficamos. Lá as crianças e os adultos puderam se divertir no escorregador natural e mergulhar na piscina de água cristalina. À tarde, alguns foram à praia de Berequeçaba, nos limites entre São Sebastião e Caraguatatuba, outros ficaram na piscina de água aquecida, no tobo-água do hotel ou apreciando os gansos, os pavões, as ovelhas, ou então passearam à cavalo pelas redondezas e teve gente que ficou simplesmente pescando na lagoazinha que ficava dentro da fazenda. Após o jantar a cantoria foi na varanda do chalé em que dormimos. No domingo o passeio foi de São Sebastião até a praia do Sino em Ilhabela, ao balanço do mar na escuna El Gringo, de quatorze metros de comprimento, em campanhia das gaivotas. Na piscina da praia do Sino pudemos nos divertir até uma e meia da tarde. Infelizmente tivemos que voltar para almoçar no hotel. A viagem de volta para São Paulo começou às quatro da tarde.

Ai, que saudade ! Quando será que faremos outra excursão?


Instante literário

Soneto a uma mulher apaixonada


Sentada num tronco caído;
O olhar perdido no horizonte;
Ela espera que lá desponte,
Alguém desde há muito sumido
O amplo vestido de cores cambiantes
Por cima do tronco espalhado
E os róseos braços cruzados
Sobre os adoráveis seios arfantes.
Debaixo de um céu azul por nuvens retalhado
E de um sol morno, quase desmaiado,
Ela olha esperançada
Pois a esperança é só o que resta ainda,
E não há coisa mais linda
Que uma mulher assim apaixonada.
Antônio Resende - outubro de 1995


PIONEIRISMO

Sem visão desde os 13 anos, a estudante de jornalismo Nuria del Saz lê o noticiário num equipamento em braile. A estudante de jornalismo espanhola Nuria del Saz, se tornou a primeira apresentadora de televisão cega da Europa. Desde setembro de 1998 ela apresenta e redige um programa noticioso de 15 minutos na Canal 2 Andalucia, em Sevilha, sul da Espanha. Vítima de uma grave doença na retina (parte interna do globo ocular), cuja causa não foi identificada, Nuria usa um equipamento em braile para ler as notícias que vão ao ar diariamente no noticiário das 13h. Cursando o quarto ano de jornalismo na Universidade de Sevilha, a estudante já trabalhou em várias emissoras de rádio - seu primeiro emprego foi aos 14 anos na rádio de seu avô. Em abril passado Nuria foi convidada para participar dos testes de seleção para apresentadora pelo diretor da emissora, que já tinha visto a estudante contando sua experiência como radialista em um programa de televisão. "Ele queria um perfil de apresentadora diferente, queria dar uma cara nova ao jornal", disse a estudante. Com essa experiência pioneira na Europa, Nuria pretende mostrar que pode trabalhar como qualquer outra pessoa que enxergue normalmente. "Tenho a mesma equipe e recebo o mesmo tratamento dos outros apresentadores", afirmou.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista que a estudante concedeu ao jornal Folha de São Paulo.

- Folha - Como você se tornou apresentadora de televisão?
- Nuria del Saz - Em abril do ano passado o programa de espetáculos "Gente Corrente", do Canal 2 Andalucia, me convidou para contar minha experiência como radialista. Após o meu relato no programa, o diretor da emissora me telefonou e me chamou para participar dos testes para apresentadora de um telejornal que estaria começando em setembro. Fiz o teste junto com outros colegas que enxergavam normalmente. Em setembro, eles voltaram a me ligar, dizendo que eu tinha sido aprovada e perguntando se eu teria coragem de apresentar o programa.

- Folha - Qual foi essa sua experiência como radialista?
- Nuria - Quando eu tinha 14 anos, meu avô era dono de uma rádio e eu apresentava programas musicais. Trabalhei lá durante um ano e meio até que fui impedida pela Justiça de continuar, pois não tinha a licença necessária. Aliás, foi essa experiência que despertou em mim o desejo de cursar jornalismo. Depois que entrei na faculdade trabalhei em algumas rádios de Sevilha. Em televisão, eu nunca tinha trabalhado antes mas mesmo assim resolvi aceitar o emprego. Em virtude de minha experiência no rádio, sempre fui bastante desembaraçada.

- Folha - Devido a sua deficiência visual, você nao enfrentou problemas na sua contratação ou mesmo no início do trabalho?
- Nuria - Para dizer a verdade, primeiro eles me contrataram e só depois é que foram discutir como iriam superar as dificuldades. Eu me sentia pressionada por ser a primeira apresentadora cega da Europa, dei várias entrevistas, o que, de alguma forma, me diferenciou dos meus colegas no início. No primeiro dia do telejornal eu estava muito nervosa, mas acredito que tenha conseguido me adaptar rapidamente. Em dois ou tres dias, eu já me sentia como se estivesse em minha casa.

- Folha - Quais recursos você usa ao apresentar o programa?
- Nuria - Tenho um computador normal como o dos outros jornalistas, em que escrevo as notícias. Tenho uma impressora em braile e um tipo de display que também funciona em braile para que eu possa ler as notícias no ar. O equipamento em braile foi fornecido e instalado pela ONCE (Organização Nacional de Cegos da Espanha), uma organização que oferece todo o suporte técnico para que os deficientes visuais possam trabalhar sem que a empresa tenha qualquer tipo de prejuízo.

- Folha - Você considera que a sua experiência pode abrir caminho para outros deficientes?
- Nuria - Não pretendo me tornar um símbolo de nada. Só quero ter a oportunidade de desenvolver bem o meu trabalho como as outras pessoas e merecer a confiança que a emissora depositou em mim. Mas eu tenho consciência de que a minha experiência vai abrir caminho para outros deficientes.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo,
1º Caderno - página 17, Domingo - 17 de janeiro de 1999.


LIVRO

Os Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência - de Olney Q. Assis, Lafaiete Pussoli e Vanderley A. de Lacerda - livro que reúne um trabalho de pesquisa amplo sobre os Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência, abordando especialmente os ramos do Direito Tributário e Trabalhista. - Lúmen Editora.


CICLO DE PALESTRAS

Associação Palas Athena -- Esta associação promove freqüentemente cursos, palestras e oficinas que são abertas ao público. Informações pelos telefones 288-7356 / 283-0867. Endereços: Rua Leôncio de Carvalho, 99 - Paraíso / SP, Rua Serra de Paracaina, 240 - Cambuci / SP e Av. Santa Rita, 551 - na cidade de Monteiro Lobato - SP.
Na Internet: www.palasathena.org.br


CIT da CESP inicia treinamento de deficiente

O Centro de Iniciação ao Trabalho (CIT), ligado à Diretoria Administrativa (A), passou a incluir no treinamento de suas novas turmas um atendimento especialmente voltado a jovens portadores de deficiência visual.

Considerado mais um desafio, segundo o diretor da A, Gerson Kozma, o projeto esta sendo desenvolvido em parceria com a Associaçãao de Deficientes Visuais e Amigos (Adeva), dirigida por Markiano Charan Filho e Sandra Maria de S B. Maciel, ambos do Departamento de Informática (AI).

A primeira jovem deficiente visual a freqüentar o CIT é Patrícia de Moraes. Com monitoramento de Markiano, ela aprende através do Bridge, um software desenvolvido especialmente para essa finalidade e bastante utilizado em outras empresas. Foram necessárias ainda pequenas adaptações nos demais recursos usados no treinamento.

"Acreditamos que através da prática do direito ao trabalho, que não é somente uma atividade produtiva mas, antes de tudo, o exercício da cidadania, estaremos promovendo a inserção desses jovens na sociedade", avalia o coordenador do programa, Joel Stuque.

Fonte: Linha Direta CESP n* 459, de 30 de setembro de 1998.