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JORNAL CONVIVA
Ano IV - Nº 16 - maio/junho de 2003 Dentro da meta que movimenta
a ADEVA, de promover a plena integração do deficiente
visual, está também o interesse em levar a ele
informação, esclarecimento, reflexão, cultura
e entretenimento. A Diretoria
Internet Proteu, Morris West,
ed. Globo, livro gravado na Fundação Dorina Nowill para
Cegos.
Bandeirantes vai
às compras, Rádio Bandeirantes AM 840, 2ª a 6ª
feira, 13h às 14h.
Energia, TV Cultura,
2ª, 4ª e 6ª feira, das 8h às 8h30.
Projeto
Desenvolvendo Talentos
A Associação de Deficientes Visuais e Amigos comemorou em outubro de 2001, precisamente no dia 4, mais uma conquista: a inauguração de um Centro de Treinamento, onde é gerido o Projeto Desenvolvendo Talentos, dedicado à capacitação e reciclagem profissional do portador de deficiência visual. Batizado com o nome do ex-governador Mário Covas, responsável pela assinatura do Decreto que disponibilizou o espaço para sua instalação, o centro de treinamento está sediado na E.E. Profª Marina Cintra, à rua da Consolação, 1289. São quatro salas no segundo andar, equipadas com impressoras Braille, computadores adaptados com software leitor de tela (Virtual Vision) e capacidade para atender 10 alunos por turma, em média. Na inauguração, estiveram presentes a viúva do ex-governador, dona Florinda Covas; o secretário do Governo e Gestão Estratégica, Prof. Antonio Angarita, representando o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin; o secretário adjunto das Relações do Trabalho, José Luis Rica, e representantes das empresas parceiras Cteep, Cesp, Escola do Futuro/USP, Embratel e Fundação Bradesco. A ADEVA mantém abertas as inscrições para os cursos de informática, telemarketing, relacionamento interpessoal, educação para o trabalho, lógica e técnicas de redação. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones: 11 3151-5761, 3151-4125 ou pelo E-mail: ADEVA@ADEVA.org.br Como
Nasce um Paradigma
Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancadas. Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada. Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato. Um terceiro foi trocado e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: “Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui...” E você, já se perguntou porque continua batendo? Infocentro
para Deficientes Visuais
Atuando na área de qualificação profissional de deficientes visuais há 25 anos, a ADEVA inaugurou o 1º Infocentro especializado do Estado de São Paulo, no dia 22 de março de 2002, em seu Centro de Treinamento Mário Covas. O Infocentro ADEVA é resultado de uma parceria com o Governo do Estado de São Paulo, por meio do programa Acessa São Paulo, e contou com a presença do governador Geraldo Alckmin na sua abertura. Em uma sala equipada com dez computadores e um servidor, o software Tecla Fácil ensina digitação e o Virtual Vision lê a tela do computador para as pessoas cegas ou portadoras de visão subnormal. Monitores treinados familiarizam os interessados com o equipamento para que possam acessar gratuitamente a Internet, aprender Informática, pagar contas, montar seu currículo, procurar emprego, buscar qualificação profissional, entre outros serviços. O Infocentro ADEVA, pioneiro no atendimento a deficientes visuais, tem potencial para receber 4 mil pessoas por ano. O Programa Acessa São Paulo, iniciado em 2000, se propõe diminuir, por meio da garantia de acesso gratuito às Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), a exclusão digital, determinada basicamente pelo nível de renda, grau de escolaridade e posição geográfica da população. Já estão em funcionamento 69 Infocentros e devem chegar a 300. Na inauguração do Infocentro, foram entregues os certificados aos 150 alunos da ADEVA que concluíram os cursos de Informática, Telemarketing e Educação para o Trabalho, dentro do Programa Estadual de Qualificação Profissional (PEQ) da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho Sert/SP, em 2001. Aprendendo
Aprendi... Que a melhor escola do mundo está no conhecimento dos mais velhos; Que quando se está apaixonado não dá para esconder; Que se apenas uma pessoa me disser: “Você me fez ganhar o dia!”, o meu dia está ganho; Que ter uma criança adormecendo em meus braços é uma das maiores sensações de paz do mundo; Que ser generoso é mais importante do que estar certo; Que nunca se deve dizer “não” ao presente de uma criança; Que eu sempre posso rezar por uma pessoa quando não tenho condições de ajudá-la de outra forma; Que não importa quão séria a vida me obrigue ser, todo mundo precisa de um amigo para brincar; Que às vezes tudo que uma pessoa precisa é uma mão para segurar e um coração para entendê-la; Que quando se quer ficar “quites” com alguém, apenas estamos deixando que aquela pessoa nos fira de novo; Que o amor, e não o tempo, cura todas as feridas; Que o jeito mais fácil de crescer como pessoa é me cercar de pessoas melhores que eu; Que não há nada mais doce do que dormir com os filhos e sentir a respiração deles no rosto; Que ninguém é perfeito até que eu me apaixone; Que a vida é dura, mas que eu sou mais duro; Que as oportunidades não se perdem; alguém vai pegar as que eu perdi; Que quando se cultivam tristezas, a felicidade vai bater noutro lugar; Que eu gostaria de ter dito mais uma vez a meus pais que eu os amo antes deles morrerem; Que se deve usar palavras suaves e macias porque, talvez amanhã, tenhamos que engoli-las; Que um sorriso é a forma mais barata para se melhorar o visual; Que não posso escolher como me sinto, mas que posso escolher como reagir a isso; Que quando seu bebê segura forte seu dedo mindinho, você foi fisgado para a vida toda; Que todo mundo quer viver no topo da montanha, mas que toda a felicidade e o crescimento estão na escalada; Que é melhor dar conselho somente em duas circunstâncias; quando for pedido e quando for uma questão de vida ou morte. Legislação
para Portadores de Deficiência
Comentários à Legislação Federal Aplicável às Pessoas Portadoras de Deficiência é o nome do livro (pode ser adquirido pelo site www.forense.com.br) que reúne toda a legislação federal sobre o assunto, dividida pelas várias áreas do Direito e comentada por juristas renomados. A coordenação e apresentação são da procuradora federal do INSS, Maria Paula Teperino (paulateper@zipmail.com.br), que atuou durante muitos anos no movimento de luta dos portadores de deficiência. A obra é inédita no Brasil e pretende fomentar nos portadores de deficiência e em seus familiares elementos que permitam buscar no Poder Judiciário uma forma de garantia de seus direitos. Por outro lado, procura mostrar de forma mais clara as reais necessidades do grupo na garantia de seus direitos. No Brasil, ainda é de total desconhecimento para a maior parte da população os direitos garantidos por lei aos portadores de deficiência, que continuam sendo desrespeitados. Basta andar pelas ruas das principais cidades para ver que muito pouco se tem feito no sentido de integrar as pessoas com limitações físicas, mentais ou sensórias. Empresas com mais
de 100 empregados devem reservar um percentual de vagas para portadores
de deficiência, mas são poucas as empresas que cumprem rigorosamente
essa Lei (8.213/91) e o Ministério Público do Trabalho faz
pouco para exigir seu cumprimento.
Mulher
de 117 anos recupera Visão
Uma filha de escravos de 117 anos foi submetida a uma cirurgia de catarata que lhe restituiu a visão do olho direito. Realizada por uma equipe de profissionais, a cirurgia foi feita por meio do Projeto Visão, do Hospital Mãe de Deus, de Porto Alegre (RS). Antônia da Silva, nascida em 12 de agosto de 1885 e beneficiada pela Lei do Ventre Livre, conseguiu descrever o que via assim que o curativo foi retirado: o rosto daqueles que a cercavam e também a cor das roupas que usavam. Olhando pela janela, identificou alguns carros que passavam, árvores e ainda alguns edifícios, que chamou de “casas altas”. Antônia, ao receber a visita da irmã Celsa Zucco, gerente de Ação Social do Hospital Mãe de Deus, queria de presente apenas um passador de agulha para continuar suas costuras manuais. “Quando voltar para casa, vou fazer muita coisa: minha comidinha, costurar, lavar roupa e cuidar da minha filha”. O oftalmologista Eduardo Vasconcelos não escondeu a emoção diante das primeiras descrições feitas pela paciente que ‘adotou’. Ele ressaltou que a cirurgia de retirada da catarata é complexa, mas atualmente os resultados são excelentes, devido a técnicas e equipamentos sofisticados. Citando índices mundiais, o oftalmologista revelou que, de cada mil olhos operados, cinco têm complicações graves, apesar dos cuidados recebidos. No caso de Antônia, tudo correu bem, possibilitando que ela seja operada do outro olho, que tem 10% da capacidade de visão. O médico lamentou que a filha da paciente, Maria, de 79 anos, não possa reverter a cegueira, causada por uma série de complicações, como glaucoma. Ao longo dos cinco anos de implementação do Projeto Visão, estima-se que já foram realizadas, gratuitamente, cerca de 7,5 mil atendimentos e 1,5 mil cirurgias e fornecidos óculos a 3 mil pessoas, no mínimo, entre elas um dos netos de Antônia, Nélson dos Santos. As principais exigências para ser beneficiado pelo projeto são morar no interior do Rio Grande do Sul e ter carência financeira. No caso da paciente, a irmã Celsa relatou que ficou muito sensibilizada quando soube de sua história, por meio da sua secretária. A partir de então, não descansou até que conseguiu afinal localizá-la. Antônia não dispõe de água encanada no local onde mora, dependendo do que pode retirar de um poço próximo de sua residência. Informações sobre o projeto do Hospital Mãe de Deus podem ser obtidas pelo telefone (51) 3230-2020. Linha
de Crédito Especial para Deficientes
O Banco Nossa Caixa de São Paulo tem uma linha de crédito para pessoas portadoras de deficiência. O financiamento destina-se à aquisição de serviços e equipamentos para suprir limitações impostas por deficiências físicas. Podem ser financiados aparelhos ortopédicos, auditivos, cadeiras de rodas, próteses, órteses, terapias de reabilitação, etc., mediante prescrição médica. O tomador do empréstimo poderá ser a própria pessoa deficiente ou seu representante legal e, para a comprovação de renda, pode ser considerada a renda familiar. O valor máximo do empréstimo é de R$ 4 000 (sujeito a aprovação de crédito) em até 24 parcelas, com taxas especiais e diferenciadas. O financiamento é de 100% do valor da Nota Fiscal para quantias até R$ 1.500, e de 80% para quantias acima desse valor. Para os clientes com deficiência visual, a Nossa Caixa emite cartões gravados em alto relevo. Procure o gerente da agência mais perto de você para mais informações. Cegos
Aprendem a Fotografar
Não é preciso enxergar para fazer uma boa fotografia. Um projeto desenvolvido em Sorocaba (SP), a 92 quilômetros de São Paulo (SP), prova isso. Deficientes visuais conseguiram captar imagens com boa qualidade técnica em projeto fotográfico desenvolvido pelo Grupo Imagem, Núcleo de Fotografias de Sorocaba e a Uniso - Universidade de Sorocaba. O fotógrafo Werinton Kermes e a semioticista Miriam Cris Carlos, que coordenaram a experiência, buscam maior compreensão da forma como os cegos compõem a imagem em seu imaginário e a utilizam como meio de comunicação. O projeto, com a duração de 15 semanas, incluindo aulas teóricas e práticas no campus da universidade, teve 12 participantes. “Um cego fotografando pode parecer, no primeiro momento, algo inconcebível, mas o que nos fez acreditar nessa possibilidade é o fato de um portador de deficiência visual ter mais aprimorados outros sentidos como o olfato, o tato e o paladar”, explicou Kermes. Informações pelo telefone: (15) 247-2420 Prevenção
- Esclerose múltipla - uma doença de causa desconhecida
A esclerose múltipla é uma doença neurológica que não tem cura. “É uma inflamação crônica que vai destruindo o sistema nervoso central no prazo de 10 ou 20 anos”, explica o neurologista Dagoberto Callegaro, do Centro de Estudos de Doenças Desmielinizantes, do Hospital das Clínicas de São Paulo, entrevistado pelo jornal Conviva. A esclerose múltipla provoca a destruição da bainha de mielina, tecido que envolve os filamentos que interligam os neurônios (células nervosas). A doença é o resultado de um ataque dos linfócitos (glóbulos brancos) que, sem que ainda se saiba o porquê, começam a inflamar o sistema nervoso central. Os linfócitos, que andam por todo o organismo dentro do sangue, em um determinado momento, entram no sistema nervoso e começam a atacar a mielina. Esse ataque se constitui numa inflamação, que resulta na destruição, em pequeninos pontos, do sistema nervoso. Segundo o Dr. Dagoberto, “é como se os fios que fazem a conexão do nosso cérebro com os diferentes segmentos do corpo, membros superiores e inferiores e, até mesmo, os que fazem a conexão do cérebro com os nossos olhos, fossem cortados”. A esclerose múltipla não é fatal, mas precisa ser tratada, pois pode provocar dormência, fadiga, falta de equilíbrio, dificuldade de locomoção, depressão, aneurite óptica (causadora da visão dupla, turvação visual, dor ocular e até perda da visão uni e bilateral), perda da audição, zumbidos, vertigens, incontinência ou retenção urinária, contração dos membros superiores e inferiores e até levar à paraplegia. Freqüentemente, acomete o adulto jovem (entre 15 e 33 anos) e as mulheres são mais suscetíveis à doença. “Admite-se que o estrógeno, hormônio feminino, seja um dos participantes dessa maior freqüência da doença na mulher, pois ele modifica a ação dos linfócitos, que ficam mais agressivos e começam a atacar a mielina”, explica o Dr. Dagoberto. Causa A causa da esclerose múltipla é desconhecida. É provável que o indivíduo tenha uma tendência genética própria, não herdada, que o faz desenvolver a doença, o que impede a sua prevenção. Estima-se que os países tropicais tenham uma prevalência de zero a cinco casos de esclerose múltipla por 100 000 habitantes. Diagnóstico “É muito difícil obter um diagnóstico correto, pois, no início, a inflamação se confunde com muitas doenças como tumores, doenças das artérias, entre outras. Apenas com o passar dos anos, ela oferece uma definição mais clara que facilita o diagnóstico”, explica o Dr. Dagoberto. Estudos na área levaram os especialistas a descobrirem novos exames que facilitam o diagnóstico da doença, como a ressonância magnética, que permite que se veja os pontos de inflamação do cérebro. Tratamento A doença não é fatal e os pacientes podem conviver com ela durante duas ou três décadas. O Brasil está entre um dos países que mais tem recursos para tratar a doença. O portador de esclerose múltipla precisa receber remédios para bloquear a inflamação e poder conviver “bem” com a doença. O tratamento da esclerose múltipla é feito com drogas imunomoduladoras. Até 1993, segundo o Dr. Dagoberto, havia somente as drogas imunossupressoras, que bloqueavam a ação dos linfócitos. “As imunomoduladoras são medicações mais específicas, porque combatem a ação nociva dos linfócitos e bloqueiam a evolução da doença. Existe uma redução muito grande de todas as inflamações no cérebro e uma menor quantidade na bainha de mielina e nos axônios, que são os fios que ligam as células”, explica ele. Mulheres grávidas não podem tomar os remédios para o controle da doença, mas estão imunizadas naturalmente. “A placenta é uma estrutura no organismo da mulher que impede a ocorrência da inflamação”, explica o Dr. Dagoberto. O custo dos remédios é alto, varia de R$ 2.000,00 a R$ 3.000,00 por mês, mas algumas portarias do Ministério Público garantem ao paciente tratamento e medicamentos pagos pelo Ministério da Saúde. Associação
Brasileira de Esclerose Múltipla - ABEM
A ABEM é uma entidade filantrópica que oferece atendimento gratuito aos portadores de esclerose múltipla. Foi fundada há 17 anos por Ana Maria Levy, uma portadora da doença. Seu objetivo é oferecer orientação e informação aos portadores, seus familiares e demais interessados. Desenvolve também um trabalho de recolocação profissional, reinserção social e reabilitação sob a supervisão de terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos, psicólogos e neuropsicólogos. A ABEM atende todo o Brasil por meio do Disque ABEM: (11) 5587-6050, seu site: www.abem.org.br, visitas, palestras e simpósios. O endereço é Av. Indianápolis, 2.752, Indianápolis, CEP 04062-003, São Paulo - SP. Lúcia Nascimento. Musicalização
para Deficientes Visuais
O músico Márcio Horta desenvolve há dois anos, na Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), um projeto de musicalização para deficientes visuais que, utilizando uma metodologia inovadora, propõe sua transformação de um agente passivo em um agente ativo na sociedade. Segundo Márcio Horta, o objetivo principal é melhorar a qualidade de vida, fortalecer a auto-estima e facilitar a sociabilização do portador de deficiência visual, e não necessariamente formar um músico profissional. As aulas, duas por semana de uma hora cada, são individuais e cada aluno é atendido por um período de dois anos, durante os quais aprenderá técnicas de percepção, vocalização (impostação e respiração), além de dominar um instrumento (técnicas específicas de violão). “Por meio das atividades sugeridas, o aluno adquire confiança em si mesmo e uma sensação de bem-estar que facilitam sua auto-aceitação, e o convívio social, por vezes restrito e não-satisfatório, torna-se mais gratificante e estimulante”, explica Márcio, que é deficiente visual. Não há necessidade de levar o instrumento para as aulas. O curso é gratuito e sem limite de idade. Para informações sobre vagas e horários, a Unicid coloca à disposição o telefone 11 6190-1370. O endereço da Universidade Cidade de São Paulo é Rua Melo Peixoto, 1047, Tatuapé, estação Carrão do metrô. Bolo
de Nozes
Ingredientes: 4 maçãs picadas com casca, 2 xícaras de açúcar, 1 xícara de nozes picadas. Modo de fazer: Misturar tudo e deixar descansar por uma hora. Acrescentar 2 ovos inteiros, 1 colher (sobremesa) de baunilha, 1 xícara (chá) de óleo, 3 xícaras (chá) de farinha de trigo, canela em pó a gosto, 1 colher (sobremesa) de bicarbonato, 1 pitada de sal. Misturar tudo muito bem e despejar em uma assadeira de buraco no meio, untada com manteiga e polvilhada com farinha. Assar por uma hora em forno alto e mais ou menos 15 minutos em forno brando. Depois de pronto, polvilhar açúcar e canela por cima. Bom apetite! Mulheres
Coragem, determinação e força de vontade moveram grandes personalidades da história da humanidade. E é o que também impulsiona algumas mulheres, que, anônimas, no dia-a-dia, vencem as barreiras da deficiência visual e conquistam seu espaço na sociedade. Maria Eliane de Albuquerque Lima (54 anos) concilia com muita garra a dupla jornada de dona-de-casa e mãe de dois filhos, profissional massagista e voluntária no auxílio às pessoas deficientes. A falta de visão, segundo ela, não é empecilho para que desenvolva todos esses papéis de forma eficiente. “O que atrapalha é o modo como a sociedade nos enxerga”, declara ela. “Muitas pessoas limitam nosso poder de ação não confiando em nossa capacidade. O deficiente visual precisa aprender a pescar e não receber o peixe, precisa de oportunidades para aprender e se desenvolver. As empresas muitas vezes nos empregam, mas nos encostam, não nos dão o que fazer”, afirma. A professora de Braille, Yacopina Valdenine Resende (58 anos) concorda com Eliane. ”O preconceito contra o cego e a cegueira é milenar e só vai acabar com educação, com esclarecimento”, diz Yacopina. “Quando me casei e mudei para o bairro onde moro, as pessoas vinham correndo pegar meu carrinho de feira e me cercar de cuidados, pois elas me julgavam incapaz. Aos poucos, porém, foram me conhecendo e hoje conseguem discernir o que de fato eu posso ou não fazer”, continua ela. Para Yacopina, a deficiência visual traz sim algumas limitações, mas garante que basta um mínimo de criatividade e inteligência para lidar com isso. Quando o marido saía para trabalhar e ela ficava sozinha, descobriu alternativas para tarefas corriqueiras, como dar remédio aos filhos pequenos, por exemplo. ”Existe uma ampola que corresponde à medida de uma colher de chá e, para dar a medida certa de remédios em gotas, eu pingava o líquido em um copinho de plástico e ia contando pelo som que faziam ao cair”, conta Yacopina. A telefonista Lázara Benedita Shenque (48 anos) diz que o desconhecimento a respeito da cegueira é tão grande que as pessoas acabam falando bobagens. “Muita gente me pergunta como eu atendo ao telefone se sou cega. Resta-me responder ironicamente: igual a você, ou você atende com os olhos?”, brinca Lázara. Para Yacopina, Eliane e Lázara, o importante é a capacidade de enfrentar desafios, é mostrar que mulher, principalmente a deficiente visual, não é feita de porcelana, que se quebra fácil. “A deficiência visual não nos faz menos profissionais ou menos mulheres. Ao contrário, e que os homens nos desculpem, somos mais capazes de lidar com situações adversas do que eles. Os homens, que dizem ser o sexo forte, raramente usam cérebro e coração ao mesmo tempo e, no excesso de racionalismo, perdem ponto para a sensibilidade feminina”, finaliza Eliane. Borra
de café no combate à Dengue
Os especialistas em saúde pública, entre eles, os médicos sanitaristas, estão saudando a descoberta de uma cientista paulista, a bióloga Alessandra Laranja, do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp/São José do Rio Preto) durante a pesquisa da sua tese de mestrado. O mosquito Aedes Aegypti pode ser combatido com a borra de café, que tem custo zero e é produzida todos os dias em praticamente todas as casas. A novidade adquire maior importância quando se constata que 90% dos focos são identificados em áreas residenciais. Em seu estudo, a bióloga demonstrou que a cafeína da borra de café altera as enzimas esterases, responsáveis por processos fisiológicos fundamentais como o metabolismo hormonal e da reprodução do Aedes Aegypti, podendo ser essa a causa dos efeitos verificados sobre a larva e o inseto adulto. Conforme explica Alessandra, 500 microgramas de cafeína da borra de café por mililitro de água bloqueia o desenvolvimento da larva no segundo de seus quatro estágios e reduz o tempo de vida dos mosquitos adultos. A solução com cafeína pode ser substituída por duas colheres de sopa de borra de café para cada meio copo de água, o que facilita o uso pela população de baixa renda. “A borra não precisa ser diluída em água para ser usada. Pode ser colocada diretamente nos recipientes, já que a água que escorre depois de regar as plantas vai diluí-la. Pode ser aplicada em pratos que ficam sob vasos com plantas, dentro de bromélias e sobre a terra dos vasos, jardins e hortas”, esclarece a bióloga. O mosquito Aedes se desenvolve mesmo na película fina de água que às vezes se forma sobre a terra endurecida dos jardins e hortas. Desenvolve-se também na água dos ralos e de outros recipientes com água parada (pneus, garrafas, latas, caixas d’água, etc). Atualmente, o método mais usado no combate ao Aedes Aegypti é o da aspersão dos inseticidas organofosforados, altamente tóxicos para homens, animais e plantas. Esses inseticidas são os do fumacê e do líquido usados pelos técnicos em saúde pública. A bióloga discorda da utilização de inseticidas: “A borra de café é um inseticida natural, além de ter custo zero. Não é tóxica nem prejudica as plantas, podendo servir até como adubo ecologicamente correto”. O ciclo do Aedes Aegypti é composto por quatro fases: ovo, larva, pupa e adulto. As larvas se desenvolvem em água parada, limpa ou suja. Na fase do acasalamento, em que as fêmeas precisam de sangue para garantir o desenvolvimento dos ovos, ocorre a transmissão da doença. A fêmea pica a pessoa infectada, mantém o vírus na saliva e o retransmite. A dengue é a doença infecciosa, aguda e de gravidade variável. Apresenta-se sob as formas de dengue clássica (tipos 1e 2) e dengue hemorrágica (tipo 3), sendo esta última a forma mais grave da doença no Brasil. A dengue hemorrágica ocorre quando um indivíduo contrai novamente a dengue causada por um vírus de sorotipo incompatível com aquele que o infectou na primeira vez. A transmissão se dá através do ciclo Homem - Aedes Aegypti - Homem. Após a ingestão de sangue infectado pelo inseto fêmea, transcorre um período de incubação que pode variar de oito a 12 dias. Após esse período, o mosquito torna-se apto a transmitir o vírus e assim permanece durante toda a vida. Os sintomas da doença são febre intensa, dor de cabeça, dores fortes nos olhos, em toda a musculatura, nos ossos e nas juntas. A dengue hemorrágica apresenta sangramento pelas gengivas, pela pele e pelo intestino, podendo levar à morte. No Brasil, o Aedes Aegypti ainda transmite a febre amarela. Conforme as estatísticas da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), do Ministério da Saúde, as regiões Sudeste e Nordeste são as que apresentam os maiores índices de notificação nos últimos anos. ADEVA
em verso e prosa
A ADEVA completa 25 anos no próximo dia 9 de agosto. Para marcar a data, queremos contar com a sua criatividade. Se você, associado ou amigo, gosta de escrever poemas, faça um dedicado a ADEVA. Seus versos, que serão publicados no nosso site, devem ter como tema principal os seguintes princípios: integração dos deficientes visuais à sociedade por meio da capacitação profissional e igualdade de direitos e deveres dos cidadãos deficientes ou não-deficientes. Esta é a grande oportunidade para você mostrar o seu talento. Participe e comemore conosco o aniversário da ADEVA em verso e prosa. Os poemas deverão ser enviados para o E-mail: ADEVA@ADEVA.org.br até o dia 31 de maio. Anúncios
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