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CONVIVA Ano IV - Nº 19 - novembro/dezembro de 2003 O fim de 2003
se aproxima e os primeiros sinais estão por aí. Já
tem panetone nos supermercados, as agências de viagens oferecem
sedutores “pacotes” para o reveillon, os shoppings estão
sendo decorados para o Natal, quem tem carteira assinada já
pensa com o quê gastar o 13º.
E como é de uso e costume nesta época, condicionados ao tempo cronológico, paramos para pensar na vida, para fazer o balanço anual. O que fizemos? O que deixamos de fazer? Para nós, da Adeva, as respostas a essas perguntas são motivo de regozijo. Este foi um ano memorável e festivo. No primeiro semestre, em cerimônia solene que contou com a presença de várias autoridades públicas, entregamos certificados aos 552 alunos que concluíram os cursos de capacitação profissional, oferecidos pelo Projeto Desenvolvendo Talentos em 2002. Em 9 de agosto, completamos 25 anos de existência. Para comemorar o feito, houve missa em ação de graças e jantar regado a boa música, na companhia de amigos e parceiros. A data também foi marcada com a criação da nova logomarca e de todo o projeto de identidade visual da Adeva. Ganhamos um hino, que agora é peça obrigatória do repertório do Coral da Adeva, formado em fevereiro deste ano por associados, amigos e funcionários. Em nossos dois centros de treinamento, o da Praça da Bandeira e o da Consolação, o Projeto Desenvolvendo Talentos caminha cada vez com maior entusiasmo. Já oferecemos mais de 20 diferentes cursos, alguns introduzidos este ano - o de estenotipia, o telecurso 1º e 2º graus, técnicas de atendimento telefônico, qualidade no atendimento, marketing pessoal, vendas, liderança, relacionamento interpessoal, Virtual Vision 4.0, Jaws e SQL. O Infocentro Adeva, do Programa Acessa São Paulo, pioneiro no atendimento aos DVs, dobrou o número de usuários por dia desde sua inauguração em 2002. Conquistamos novos e importantes parceiros: o Instituto Recicle Milhões de Vidas, que promove e coordena ações para o desenvolvimento sustentável do nosso planeta; a Associação Beneficente Alzira Denise Hertzog da Silva (Abadhs), que possibilitou a etapa de expansão do Projeto Desenvolvendo Talentos; o Serviço Nacional da Indústria/SP (Senai), que capacitou nossos instrutores para oferecermos o Telecurso 1º e 2º graus a pessoas deficientes visuais; a Vitae, que mais uma vez participa com a Adeva da sua missão de habilitar os DVs para o mercado de trabalho; a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), que patrocina o curso de atendimento ao público; a Microsoft que doou 35 licenças do Windows XP e do Office XP, instalados nos computadores da sala de aula, do Infocentro e da administração do Centro de Treinamento Mário Covas (Consolação). Continuam conosco, comungando nossos ideais, o Hospital Santa Catarina; a Gráfica Garilli, que possibilitou a impressão em tinta do jornal Conviva, depois de dois anos desativado por falta de verba; a Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho (Sert) que sinaliza com um novo convênio; a Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo; Secretaria Estadual da Educação; Secretaria de Energia, Recursos Hídricos e Saneamento; a diretoria e os funcionários da Escola Marina Cintra; a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep); a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), a Companhia de Processamento de Dados do Estado (Prodesp) e do Muncípio (Prodam) e a Micropower. Triplicamos o número de associados, de profissionais e empresas conveniadas. E aos amigos constantes, de toda hora, inabaláveis no propósito de colaborar com a Adeva, agregamos muitos novos amigos, que nos têm ajudado com seus saberes, dedicação e, principalmente, amor. Por tudo isso, na apuração final ganha o que fizemos. Para o que não foi possível fazer, contamos com os trezentos e sessenta e seis dias futuros e muita determinação. Feliz Natal e um Ano Novo de paz a todos! www.bbc.co.uk/portuguese/index.shtml - noticias do mundo em tempo real, previsão do tempo, esportes e até a oportunidade de aprender inglês com o vocabulário do noticiário da BBC de Londres é o que este site oferece. A BBC Brasil iniciou suas transmissões no País em 14 de março de 1938. Atualmente, uma equipe de mais de 40 pessoas está envolvida com a produção de material jornalístico direcionado especialmente para o Brasil. http://placar.abril.com.br/index_pc.shtml - a mais conhecida revista brasileira sobre futebol on-line, tem enciclopédia sobre o assunto, notícias nacionais e internacionais, regras do futebol, ranking dos estádios, dos craques do século e clipping dos maiores clubes brasileiros. www.concursos.com.br - é um provedor de exercícios, provas e testes simulados para concursos públicos. Traz a relação dos concursos em andamento e links de apoio ao estudo (Nossa Língua Portuguesa, Manual de Redação do Estadão, Matemática para o Vestibular). http://periodicos.capes.gov.br/ - o portal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes, órgão do Ministério da Educação (MEC), fornece acesso gratuito a milhares de periódicos científicos de praticamente todas as áreas de estudo (vários nacionais e internacionais de ciências humanas, ciências sociais aplicadas, etc.). São mais de 185.000 teses. LISTAS
DE BATE-PAPOS
Para subscrever uma, basta enviar e-mail em branco caes-guia-subscribe@yahoogrupos.com.br - lista de discussão onde quem já usa e quem quer utilizar um cão-guia pode conversar sobre tudo o que está relacionado a eles e à deficiência visual. livresco-subscribe@yahoogrupos.com - a livresco tem por objetivo a troca de livros e artigos entre deficientes visuais em formato digital. Seu acervo conta com cerca de três mil títulos. cegos@grupos.com.br
- contém listantes do Brasil, Portugal e Argentina. Seu objetivo
é proporcionar espaço para troca de informações
entre deficientes visuais.
1ª CLASSE
– Rádio Scala FM, 92,5 mHz, 2ª a domingo, das 11h
às 13h.
PROVOCAÇÕES - TV Cultura, domingo, às 22h, com reapresentação às 4ªs, 5ªs e 6ªs feiras, às 23h30. JOBINIANDO - CD duplo, com músicas de Tom Jobim em arranjo para a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo - Osesp, lançamento da gravadora Biscoito Fino, 2003. OS CATADORES DE CONCHAS - Rosamunde Pilcher, Editora Bertrand Brasil, romance transcrito em braille. Centro Cultural São Paulo, Biblioteca Braille (rua Vergueiro, 1000, telefone: 11 3277-3611). LISBELA E O PRISIONEIRO - Brasil, 2003. Direção: Guel Arraes. Com Selton Mello, Débora Falabella, Virgínia Cavendish e Marco Nanini. Comédia romântica sobre um caixeiro-viajante conquistador que pula de cidade em cidade até encontrar Lisbela, a doce filha do delegado que adora freqüentar cinemas. 106 min. Livre. Nos cinemas, em grande circuito. Ingredientes
- pão especial para rabanada* ou pão de véspera - vinho branco seco - 4 ovos - 3 colheres (de sopa) de açúcar branco - baunilha líquida - óleo para fritura - canela em pó Corte o pão
em fatias grossas.
Em um prato fundo, misture três colheres de açúcar a 300 ml de vinho branco seco. Passe as fatias de pão nessa mistura, sem encharcar. Arrume-as em um recipiente de louça, cubra com filme plástico e deixe-as descansar por duas horas mais ou menos. Bata ligeiramente com um garfo os ovos dentro de uma tigela e aromatize com 5 gotas de baunilha líquida. Passe as fatias de pão nos ovos uma a uma. Aqueça bastante óleo numa frigideira ou num recipiente fundo. Frite-as, uma de cada vez, dourando dos dois lados. Controle a temperatura para não queimar o pão e todas as fatias ficarem douradas uniformemente. Retire da fritura com uma escumadeira e escorra o excedente da gordura sobre folhas de papel absorvente. Polvilhe as rabanadas ainda quentes com açúcar e canela. * Algumas padarias
de São Paulo fazem um pão especial (tipo filão)
para rabanada, doce que a colonização portuguesa nos
legou para a Ceia de Natal.
Mário
de Miranda Quintana
Alegrete (RS), 1906 – Porto Alegre (RS), 1994 Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano Vive uma louca chamada Esperança E ela pensa que quando todas as sirenas Todas as buzinas Todos os reco-recos tocarem Atira-se E — ó delicioso vôo! Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada, Outra vez criança... E em torno dela indagará o povo: — Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes? E ela lhes dirá (É preciso dizer-lhes tudo de novo!) Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam: — O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA... Fonte: Nova Antologia Poética, Editora Globo, São Paulo, 1981. O ceratocone
é uma doença progressiva que deforma a córnea,
estrutura transparente que reveste a parte anterior do olho, determinando-lhe
um abaulamento e afinamento em forma de cone.
A córnea é formada por cinco camadas: o epitélio, que corresponde à camada mais externa; a membrana de Bowman; o estroma, que corresponde à camada mais espessa da córnea, formada por fibras de colágeno; a membrana de Descemet; e o endotélio, que corresponde à camada mais interna. Segundo a médica oftalmologista especialista em córnea, Dra. Maria Aparecida Mesa Munarin, “no ceratocone, ocorre uma alteração das fibras de colágeno, provocando uma ectasia da córnea, ou seja, tornando-a proeminente e mais fina, o que provoca a percepção de imagens distorcidas”. O ceratocone é primeiramente uma doença hereditária e, em geral, se manifesta na adolescência. É muito mais freqüente em pessoas portadoras de síndromes genéticas como a síndrome de Down, de Turner, de Ehlers-Danlos, de Marfan, bem como nos portadores de osteogênese imperfeita e prolapso da válvula mitral. Está associada a degenerações tapetorretinianas, amauroses congênitas de Leber e retinoses pigmentares. Várias doenças atópicas, tais como dermatite, rinite, conjuntivite vernal, asma brônquica, febre do feno, também têm sido observadas em pacientes com ceratocone. A Dra. Aparecida Munarin adverte que o uso incorreto de lentes de contato, e lentes que não transmitem oxigênio para a córnea, podem provocar o ceratocone secundário, “conhecido como warpage de córnea”, explica ela, “assim como também o ato mecânico de apertar e coçar os olhos pode desencadear a doença”. Sintomas O ceratocone não é uma doença inflamatória e o primeiro sintoma que leva um paciente a procurar o auxílio médico é a vista embaçada que, a princípio, aparenta ser um astigmatismo. Caso haja suspeita de ceratocone, o médico solicita uma topografia corneana, exame que diagnostica a doença já na fase inicial. O diagnóstico precoce, entretanto, não impede que a doença evolua. Mas, na maioria dos casos, ela permanece na fase mais simples, podendo ser resolvida simplesmente com o uso de óculos. Pacientes com ceratocone freqüentemente relatam diplopia (visão dupla) ou poliopia (visão de vários objetos) no olho afetado e queixam-se de visão borrada e distorcida, tanto para a visão de longe quanto para a visão de perto. Alguns se referem a halos em torno das luzes e fotofobia (sensibilidade anormal à luz). Fases da doença
A Dra. Aparecida
Munarin explica que o ceratocone é um tipo de astigmatismo
irregular e assimétrico, que tende a evoluir ao longo de quatro
fases.
A primeira, chamada fase do ceratocone incipiente, é geralmente diagnosticada a partir de uma topografia de córnea. A córnea apresenta um astigmatismo com maior curvatura na porção mais periférica, não ocasionando qualquer distorção em sua região central. Por esse motivo, o problema apresentado pode ser satisfatoriamente corrigível com o uso de óculos. Na segunda fase, os óculos já não corrigem o problema do paciente. Observa-se um astigmatismo mais elevado, um afinamento e uma saliência da córnea. Nessa fase, o ceratocone pode ser diagnosticado a partir de um simples exame de refração, de ceratometria e/ou de biomicroscopia na lâmpada de fenda. Devido à irregularidade e à assimetria do astigmatismo, a acuidade visual com o uso de óculos deixa de ser satisfatória. Por tudo isso, o paciente somente consegue manter uma boa acuidade visual se o seu astigmatismo for corrigido com lente de contato rígida. Na terceira, a córnea já está bem proeminente, saliente, irregular e, conseqüentemente, bastante comprometida. A lente de contato começa então a provocar atritos na córnea (ceratites e/ou úlceras). Nesse estágio, há inclusive a necessidade de, em alguns casos, adaptar-se uma lente gelatinosa por baixo, com a finalidade de proteger a córnea, e uma rígida por cima, na parte mais externa, que efetivamente corrige o grau, procedimento conhecido no meio oftalmológico como piggy-back. Na quarta fase, a lente já não pára mais no olho ou a córnea torna-se opaca, o que torna a visão deficiente. Dessa forma, o transplante de córnea é indicado. Prevenção
Por ser uma patologia hereditária, não há formas de se prevenir o ceratocone. É possível, contudo, a partir de um histórico de ceratocone na família, alertar e orientar a família quanto à possibilidade da existência da doença, mesmo na ausência de sintomas. O diagnóstico precoce é muito importante para que o paciente tome alguns cuidados, por exemplo, não apertar ou coçar os olhos, estimulando assim o desenvolvimento da doença. Nos casos de pacientes portadores de ceratocone mais avançado, coçar os olhos pode ainda provocar um ceratocone agudo. Tratamento
Só muito recentemente, vêm sendo realizados implantes de uma prótese anelar, onde dois segmentos semicirculares de material acrílico, com espessuras variáveis, algo em torno de 5 mm de diâmetro, são introduzidos no estroma da córnea (região mais espessa e plana), provocando um achatamento da área mais curva, o que reduz o ceratocone. “Mas”, como salienta a Dra. Aparecida Munarin, “se a córnea estiver muito delgada, tal cirurgia talvez não seja a melhor indicação, já que pode ocorrer uma extrusão do anel”. O transplante de córnea é atualmente uma cirurgia bastante segura, embora o seu sucesso dependa da habilidade cirúrgica do profissional e do pós-operatório. Faz-se necessário um cuidadoso acompanhamento, com remoção dos pontos na forma, na ordem e no momento corretos. Segundo a Dra. Aparecida Munarin, “há possibilidades de rejeição, mas como a córnea não é vascularizada (desprovida de sangue), apenas 5% dos transplantes de córnea por ceratocone estão sujeitos a tal circunstância”. “Ainda assim, mesmo nos casos onde ocorre rejeição, esse problema tende a ser facilmente solucionado, desde que imediatamente identificado e que sejam utilizados corticóides, sob a forma de colírio ou por meio de infiltrações na conjuntiva”, completa ela. Após o transplante de córnea, havendo qualquer embaçamento da visão, deve-se imediatamente procurar assistência médica, pois, ainda que haja rejeição, se ela for imediatamente tratada, o paciente recupera 100% da visão. Lúcia Nascimento Helen Keller,
cega e surda desde bebê, dá sua resposta neste belo ensaio,
publicado no Reader’s Digest há 71 anos.
Várias
vezes pensei que seria uma benção se todo ser humano,
de repente, ficasse cego e surdo, por alguns dias no principio da
vida adulta. As trevas o fariam apreciar mais a visão e o silêncio
lhe ensinaria as alegrias do som.
De vez em quando, testo meus amigos que enxergam para descobrir o que vêem. Há pouco tempo, perguntei a uma amiga que voltava de um longo passeio pelo bosque o que ela observara. “Nada de especial”, foi a resposta. Como é possível, pensei, caminhar durante uma hora pelos bosques e não ver nada digno de nota? Eu que não posso ver, apenas pelo tato encontro centenas de objetos que me interessam. Sinto a delicada simetria de uma folha. Passo as mãos pela casca lisa de uma pétala ou pelo tronco áspero de um pinheiro. Na primavera, toco os galhos das árvores na esperança de encontrar um botão, o primeiro sinal da natureza despertando após o sono do inverno. Por vezes, quando tenho muita sorte, pouso suavemente a mão numa arvorezinha e sinto o palpitar feliz de um pássaro cantando. Às vezes, meu coração anseia por ver tudo isso. Se consigo ter tanto prazer com um simples toque, quanta beleza poderia ser revelada pela visão! E imaginei o que mais gostaria de ver se pudesse enxergar, digamos, por apenas três dias. Eu dividiria esse período em três partes. No primeiro dia, gostaria de ver as pessoas cuja bondade e companhia fizeram minha vida valer a pena. Não sei o que é olhar dentro do coração de um amigo pelas “janelas da alma”, os olhos. Só consigo “ver” as linhas de um rosto por meio das pontas dos dedos. Posso perceber o riso, a tristeza e muitas outras emoções. Conheço meus amigos pelo que toco em seus rostos. Como deve ser mais fácil e muito mais satisfatório para você, que pode ver, perceber num instante as qualidades essenciais de outra pessoa ao observar as sutilezas de sua expressão, o tremor de um músculo, a agitação das mãos. Mas será que já lhe ocorreu usar a visão para perscrutar a natureza íntima de um amigo? Será que a maioria de vocês que enxergam não se limita a ver por alto as feições externas de uma fisionomia e se dar por satisfeita? Por exemplo, você seria capaz de descrever com precisão rosto de cinco bons amigos? Como experiência, perguntei a alguns maridos qual a exata cor dos olhos de suas mulheres e muitos deles confessaram, encabulados, que não sabiam. Ah!, tudo que eu veria se tivesse o dom da visão por apenas três dias! O primeiro dia seria muito ocupado. Eu reuniria todos os meus amigos queridos e olharia seus rostos por muito tempo, imprimindo em minha mente as provas exteriores da beleza que existe dentro deles. Também fixaria os olhos no rosto de um bebê, para poder ter a visão da beleza ansiosa e inocente que precede a consciência individual dos conflitos que a vida apresenta. Gostaria de ver os livros que já foram lidos para mim e que me revelaram os meandros mais profundos da vida humana. E gostaria de olhar nos olhos fiéis e confiantes de meus cães, o pequeno scottie perrier e o vigoroso dinamarquês. À tarde, daria um longo passeio pela floresta, intoxicando meus olhos com as belezas da natureza. E rezaria pela glória de um pôr-do-sol colorido. Creio que nessa noite não conseguiria dormir. No dia seguinte, eu me levantaria ao amanhecer para assistir ao empolgante milagre da noite se transformando em dia. Contemplaria assombrada o magnífico panorama de luz com que o Sol desperta a Terra adormecida. Esse dia eu dedicaria a uma breve visão do mundo, passado e presente. Como gostaria de ver o desfile do progresso do homem, visitaria os museus. Ali meus olhos veriam a história condensada da Terra – os animais e as raças dos homens em seu ambiente natural; gigantescas carcaças de dinossauros e mastodontes que vagavam pelo planeta antes da chegada do homem, que, com sua baixa estatura e seu cérebro poderoso, dominaria o reino animal. Minha parada seguinte seria o museu de Artes. Conheço bem pelas minhas mãos os deuses e as deusas esculpidos da antiga terra do Nilo. Já senti pelo tato as cópias dos frisos do Partenon e a beleza rítmica do ataque dos guerreiros atenienses. As feições nodosas e barbadas de Homero me são caras, pois também ele conheceu a cegueira. Assim, nesse meu segundo dia tentaria sondar a alma do homem por meio de sua arte. Veria então o que conheci pelo tato. Mais maravilhoso ainda, todo o magnífico mundo da pintura me seria apresentado. Mas eu poderia ter apenas uma impressão superficial. Dizem os pintores que, para se apreciar a Arte, real e profundamente, é preciso educar o olhar. É preciso, pela experiência, avaliar o mérito das linhas, da composição, da forma e da cor. Se eu tivesse a visão, ficaria muito feliz por me entregar a um estudo tão fascinante. A noite de meu segundo dia seria passada no teatro ou no cinema. Como gostaria de ver a figura fascinante de Hamlet ou o tempestuoso Falstaff no colorido cenário elizabetano! Não posso desfrutar da beleza do movimento rítmico senão numa esfera restrita ao toque de minhas mãos. Só posso imaginar vagamente a graça de uma bailarina, como Pavlova, embora conheça algo do prazer do ritmo, pois muitas vezes sinto o compasso da música vibrando através do piso. Imagino que o movimento cadenciado seja um dos espetáculos mais agradáveis do mundo. Entendi algo sobre isso, deslizando os dedos pelas linhas de mármore esculpido; se essa graça estática pode ser tão encantadora, deve ser mesmo muito mais forte a emoção de ver a graça em movimento. Na manhã seguinte, ávida por conhecer novos deleites, novas revelações de beleza, mais uma vez receberia a aurora. Hoje, o terceiro dia, passarei no mundo do trabalho, nos ambientes dos homens que tratam do negócio da vida. A cidade é o meu destino. Primeiro, paro numa esquina movimentada, apenas olhando para as pessoas, tentando, por sua aparência, entender algo sobre seu dia-a-dia. Vejo sorrisos e fico feliz. Vejo uma séria determinação e me orgulho. Vejo o sofrimento e me compadeço. Caminhando pela 5ª Avenida, em Nova Iorque, deixo meu olhar vagar, sem se fixar em nenhum objeto especial, vendo apenas um caleidoscópio fervilhante de cores. Tenho certeza de que o colorido dos vestidos das mulheres movendo-se na multidão deve ser uma cena espetacular, da qual eu nunca me cansaria. Mas talvez, se pudesse enxergar, eu seria como a maioria das mulheres – interessadas demais na moda para dar atenção ao esplendor das cores em meio à massa. Da 5ª Avenida dou um giro pela cidade – vou aos bairros pobres, às fábricas, aos parques onde as crianças brincam. Viajo pelo mundo visitando os bairros estrangeiros. E meus olhos sempre bem abertos tanto para as cenas de felicidade quanto para as de tristeza, de modo que eu possa descobrir como as pessoas vivem e trabalham, e compreendê-las melhor. Meu terceiro dia de visão está chegando ao fim. Talvez haja muitas atividades a que devesse dedicar as poucas horas restantes, mas acho que na noite desse último dia vou voltar depressa a um teatro e ver uma peça cômica, para poder apreciar as implicações da comédia no espírito humano. À meia-noite, uma escuridão permanente outra vez cerraria sobre mim. Claro, nesses três curtos dias eu não teria visto tudo o que queria ver. Só quando as trevas descessem de novo é que me daria conta do quanto eu deixara de apreciar. Talvez este resumo não se adapte ao programa que você faria se soubesse que estava prestes a perder a visão. Mas sei que, se encarasse esse destino, usaria seus olhos como nunca usara antes. Tudo quanto visse lhe pareceria novo. Seus olhos tocariam e abraçariam cada objeto que surgisse em seu campo visual. Então, finalmente, você veria de verdade, e um novo mundo de beleza se abriria para você. Eu, que sou cega, posso dar uma sugestão àqueles que vêem: usem seus olhos como se amanhã fossem perder a visão. E o mesmo se aplica aos outros sentidos. Ouçam a música das vozes, o canto dos pássaros, os possantes acordes de uma orquestra como se amanhã fossem ficar surdos. Toquem cada objeto como se amanhã perdessem o tato. Sintam o perfume das flores, saboreiem cada bocado como se amanhã não mais sentissem aromas nem gostos. Usem ao máximo todos os sentidos; gozem de todas as facetas do prazer e da beleza que o mundo lhes revela pelos vários meios de contato fornecidos pela natureza. Mas, de todos os sentidos, estou certa de que a visão deve ser o mais delicioso. Fonte: Clássicos de Seleções Um grande movimento
internacional, o Slow Food, nascido na Itália em 1986, em parte
da revolta do jornalista italiano Carlo Petrini com a abertura de
um McDonald's na Piazza di Spagna, em Roma, hoje se estende por quase
todo mundo, mais precisamente em 45 países e 65.000 membros.
A Slow Food International Association - cujo símbolo é um caracol, tem sua base em Bra, no Piemonte, norte da Itália, e pode ser acessada pelo site www.slowfood.com O Slow Food prega que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, "curtindo" seu preparo, no convívio com a família, com amigos, sem pressa e com qualidade. Contrapõe-se radicalmente ao espírito do Fast Food e o que ele representa como estilo de vida. O Slow Food está servindo para um movimento que questiona a pressa e a loucura gerada pela globalização, pelo apelo à quantidade do ter em contraposição à qualidade de vida ou à qualidade do ser. Essa atitude
sem pressa não significa fazer menos, nem menor produtividade.
Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais qualidade e produtividade,
com maior perfeição, atenção aos detalhes
e com menos estresse. Significa retomar os valores da família,
dos amigos, do tempo livre, do lazer, das pequenas comunidades, do
local - presente e concreto - em contraposição ao global
- indefinido e anônimo.
Significa a retomada dos valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do cotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da religião e da fé. Significa um ambiente de trabalho menos coercitivo, mais alegre, mais "leve" e, portanto, mais produtivo, onde seres humanos, felizes, fazem com prazer o que sabem fazer de melhor. A slow atitude está chamando a atenção até dos americanos, apologistas do Fast (rápido) e do Do It Now (Faça Já). Afinal, em tempos de altos índices de doenças cardiovasculares, depressão e muito estresse, os velhos ditados "Devagar se vai longe" e "A pressa é inimiga da perfeição" talvez mereçam mais atenção. A Adeva participou, em setembro, do IV Encontro do Grupo Retina São Paulo, que dá atendimento médico, apoio psicológico e informação aos familiares e às pessoas afetadas por Doenças Degenerativas da Retina (DDR). A ONG Grupo Retina São Paulo foi fundada há quatro anos e, para seus encontros anuais, programa palestras de especialistas sobre as doenças da retina, os avanços das pesquisas, visão subnormal, reabilitação, adaptação e possibilidades no mercado de trabalho. Esta foi a primeira vez que uma entidade afim foi convidada a participar. Durante o evento, realizado no Teatro Marcos Lindenberg, da Escola Paulista de Medicina, em São Paulo (SP), a Adeva apresentou a versão 4.0 do Virtual Vision, software leitor de tela de voz e uma das ferramentas indispensáveis para os portadores de deficiência visual no mundo da informática. Markiano Charan Filho e Sandra Maria de Sá Brito Maciel, presidente e vice-presidente da Adeva, tiveram a oportunidade de falar sobre o trabalho de capacitação profissional que a entidade desenvolve em seus centros de treinamento e os 22 diferentes cursos que oferece gratuitamente às pessoas portadoras de deficiência visual. Mais informações sobre a entidade podem ser acessadas pelo site www.retinasp.org.br. Para contatos, a presidente do Grupo, Maria Júlia da Silva Araújo, coloca à disposição o telefone (11) 6979-6294 e seu E-mail: julia@retinasp.org.br. INSCRIÇÕES ABERTAS NA ADEVA CURSOS DE CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL Telecurso 2º grau, Vendas Externas, Qualidade no Atendimento, Marketing Pessoal, Liderança, Relações Interpessoais, Técnicas de Atendimento Telefônico, Educação para o Trabalho, Culinária, Virtual Vision e Windows. Informações: 11 3667-5210, com Sandra e 11 3151-5761 / 3151-4125, com Edvando. COMPACT BLUE
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bom tempo, num importante vestibular, pediu-se aos candidatos que
apontassem a frase incorreta. Uma das opções era "Nós
é...".
Votadíssima, essa opção não era a resposta, já que as reticências indicam que a frase pode não terminar ali. A continuação pode ser algo como "...que sabemos..." ("Nós é que sabemos como foi difícil aceitar isso", por exemplo). Quem não se lembra da canção "Só Nós Dois É que Sabemos"? Nesses casos, a expressão "é que" é invariável e funciona como elemento de ênfase. No tal vestibular, quem deu por errada a opção "Nós é..." deixou de levar em conta algo fundamental na análise lingüística: a frase inteira, o texto, o contexto. Quando se pergunta a que classe gramatical pertence a palavra "cantar", quem responde "verbo" pode errar se não levar em conta o emprego da palavra no texto. Em "Meu barracão no morro do Salgueiro tinha o cantar alegre de um viveiro" (da antológica "Chão de Estrelas", de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa), "cantar" não é verbo. É substantivo. Essa conversa inicial serve para discutir uma questão feita num programa de TV. O candidato deveria apontar o que estava errado. Entre as opções, "para mim fazer" e "para eu fazer". A resposta foi "para mim fazer". Será que a construção "para mim fazer" é sempre errada? Será que muitos de nossos professores acertaram quando nos deram aquelas lições sobre "eu" e "mim" ("No meio da frase, usa-se eu; no fim da frase, usa-se mim"; "Nunca se usa mim ao lado de infinitivo")? Será que quem dá essas "dicas" não se esquece de um "detalhe": a frase, a estrutura da frase? Certa vez, participei de um programa de TV ao lado de dois queridos colegas. Ao fazer suas considerações iniciais, um deles disse isto: "É um prazer para mim estar aqui". Minutos depois, a emissora começou a receber mensagens. "Como vocês colocam no ar um professor de português que diz 'para mim estar'?", diziam os indignados reclamantes. Pois o colega em questão não cometeu nenhuma barbaridade; apenas dispôs em ordem inversa os termos da oração que proferiu. Há ainda outras maneiras de dispor os termos: "Estar aqui, para mim, é um prazer"; "Para mim, é um prazer estar aqui". Na ordem direta, teríamos isto: "Estar aqui é um prazer para mim". A questão, caro leitor, não é de posição; é de função. Não importa onde está o pronome ou que termo está a seu lado. Importa a função que o pronome desempenha. Na língua padrão, o pronome "eu" funciona basicamente como sujeito, ou seja, "conjuga" o verbo. Em "Ela fez o possível para eu participar do programa", o pronome "eu", bem empregado, é sujeito do verbo "participar", o que se percebe facilmente com o desdobramento do período em "Ela fez o possível para que eu participasse do programa". Em "É um prazer para mim estar aqui", o pronome "mim" está sintaticamente ligado à palavra "prazer". Não funciona como sujeito, pois. A oração "estar aqui" é que funciona como sujeito da forma verbal "é". Afinal, é o ato de estar que é um prazer para alguém (para mim, para ti etc.). Moral da história: fora de contexto, não se pode dizer absolutamente nada sobre nada. É isso. Fonte: jornal Folha de S. Paulo, coluna “Inculta e Bela”, 11 de julho de 2002. na Suécia Nos países escandinavos, o Natal tem seu início em 13 de dezembro, data em que se comemora o dia de Santa Luzia. Nas festividades desse dia existem tradições natalinas muito peculiares, como uma procissão em que as pessoas carregam tochas acesas. na Rússia É comemorado no dia 7 de janeiro, 13 dias depois do Natal ocidental. Durante o regime comunista, as árvores de Natal foram banidas da Rússia e substituídas por árvores de Ano Novo. Segundo a tradição natalina dos russos, a ceia deve ter muito mel, grãos e frutas, mas nenhuma carne. no Japão Onde só 1% da população é cristã, o Natal ganhou força graças à influência americana depois da Segunda Guerra. no Iraque Para os poucos cristãos residentes no Iraque a principal tradição natalina é uma leitura da Bíblia feita em família. Há também o toque da paz que, segundo a tradição natalina, é uma benção que as pessoas recebem de um padre. na África do Sul O Natal acontece durante o verão, quando as temperaturas podem passar dos 30 graus. Devido ao calor, a ceia acontece em uma mesa colocada no jardim ou no quintal. Tal como na maioria dos países, tradições como árvores de Natal e presentes são quase obrigatórios.
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