JORNAL

CONVIVA
Associação de Deficientes Visuais e Amigos - Adeva

Ano V - Nº 21 - março/abril de 2004

Editorial

O que fazer enquanto não há cura
Nos últimos anos, estamos observando o surgimento de importantes entidades de apoio aos deficientes visuais, seus amigos e familiares. Bem intencionadas, muitas delas buscam informações sobre as doenças degenerativas da retina e outros distúrbios oculares. Posteriormente, mobilizam o meio médico e a opinião pública em torno dos avanços que podem resultar na cura desses pacientes.

Sabemos que o trabalho de pesquisa desenvolvido por essas instituições é de suma importância para todos, deficientes ou não. O que questionamos, porém, é a atitude de alguns deficientes visuais que, à espera pela descoberta da cura de suas doenças, se recusam a aprender o braille, negligenciam as técnicas de mobilidade e locomoção e se trancam em casa, preferindo a super proteção da família. Dessa forma, negam a si próprios o direito de serem úteis e felizes; afastam-se da vida e das grandes oportunidades que ela lhes oferece.

A deficiência visual não limita a capacidade de ninguém e nós, membros da Associação de Deficientes Visuais e Amigos (Adeva), somos o exemplo disso.
Como entidade de apoio, a Adeva sempre lutou pelos direitos de cidadania dos deficientes visuais como: educação, cultura, lazer e, principalmente, trabalho que, no entender da instituição, é a principal porta de entrada para a integração na sociedade. Para atingir os seus objetivos, a Adeva oferece cursos de qualificação e fornece informações sobre os recursos nas áreas de reabilitação que facilitam a vida dos deficientes, associados ou não.

Sabemos, por experiência própria, que ser cego não é fácil. Também já sofremos preconceitos, passamos por dificuldades na escola, na rua e no trabalho. Outro fato é que também já sonhamos com a cura, mas, como ainda não foi possível, encaramos a nossa realidade.

Neste editorial, queremos atingir a você, deficiente visual, que, pelo simples fato de não enxergar, deixa de lado os seus grandes objetivos.
Você é capaz de agir, interagir e produzir. Enquanto a cura não vem, cure-se dos seus medos e vá em busca dos seus sonhos. Enquanto a medicina não evolui, evolua você, através do seu talento. O braille é a sua principal fonte de leitura e escrita para um bom desenvolvimento escolar. Já a bengala é o grande instrumento para a sua independência. Lembre-se que seus pais e demais familiares não são eternos.

Com os avanços da Tecnologia e da Ciência, podemos esperar por tudo, até pela cura da nossa deficiência. No mundo moderno, entretanto, é inadmissível que fiquemos chorando pelas nossas pequenas derrotas; temos, sim, é de correr atrás das nossas grandes vitórias! Lúcia Nascimento (jornalista e diretora-secretária da Adeva)

Internet

www.selecoes.com.br - Site da revista Seleções, fundada em 1922 nos Estados Unidos e hoje a publicação mais lida e com a maior circulação no mundo, com 48 edições em 19 línguas, que circulam por mais de 60 países.
www.lerparaver.com - Portal direcionado a portadores de deficiência física e bastante acessível à navegação por pessoas cegas e amblíopes. Traz notícias, informações úteis, dá acesso a links interessantes e tem um banco de currículos.

www.cruiser.com.br/giria - A gíria é a 2ª língua dos brasileiros. Este site apresenta um dicionário de gírias, organizado por edições, com explicações dos termos da linguagem oral e um jornal em idioma gírio.
world.altavista.com – o Tradução Babel Fish é um dos mais populares sites tradutores da internet e faz 19 tipos de tradução. Disponibiliza um Teclado Mundial para digitar caracteres acentuados ou em cirílico (alfabeto desenvolvido no século IX para uso dos povos eslavos ortodoxos orientais, baseado em caracteres gregos e que, com algumas modificações, constitui o alfabeto dos atuais idiomas ucraniano, russo, bielo-russo, sérvio e búlgaro).

Anote

Nossos recomendados!

AMARELO MANGA – Brasil, 2002. Direção: Cláudio Assis. Com Leona Cavalli, Matheus Nachtergaele, Jonas Bloch, Chico Diaz e Dira Paes. Drama, 120 min. Nas locadoras, em VHS e DVD.

CELEBRANDO O AMOR – CD, com partituras. Seleção de canções populares para casamento, interpretadas pelo coral de Apucarana (PR), lançamento da gravadora Paulus, 2003.

O PEQUENO PRÍNCIPE – de Antoine de Saint-Exupéry., romance transcrito em braille. Centro Cultural São Paulo, Biblioteca Braille, rua Vergueiro, 1000, telefone: 11 3277-3611.

MEMÓRIA – O radialista Milton Parron apresenta um documentário sobre os mais diversos assuntos que marcaram o mundo, recuperando a história de São Paulo, do País e de todo o planeta. Rádio Bandeirantes, 840 AM e 90.9 FM, sábado, às 11h, e reapresentação no domingo, às 23h.

SHOW BUSINESS – Programa de entrevistas com João Doria Jr., na RedeTV!, domingo, às 23h.

PICASSO NA OCA – Exposição de 126 obras, que contempla todas as fases do pintor espanhol Pablo Picasso. Parque Ibirapuera, até 2 de maio, de 3ª a 6ª, das 9h às 21h, sábados, domingos e feriados das 10h às 21h. Ingressos R$ 10,00 e R$ 5,00 (estudantes), gratuito para crianças até 6 anos, maiores de 65 anos, aposentados e deficientes físicos. Até 2 de maio.

O INSPETOR GERAL – de Nicolai Gógol (1809-1852). Direção: Paulo José, com o Grupo mineiro Galpão, no teatro do Sesc Vila Mariana, à rua Pelotas, 141, 5ª a sábado, às 21h; domingo, às 18h. 100 min. 12 anos. Ingressos R$ 5,00 e R$ 10,00. Até 2 de maio.

POEMA À TOA

Moacyr Sacramento
Não amo a cor dos olhos
AMO O OLHAR
Não amo a brancura dos dentes
AMO O SORRISO
Não amo o contorno dos lábios
AMO O BEIJO
Não amo o formato dos braços
AMO O ABRAÇO
Não amo o alongado dos dedos
AMO A CARÍCIA
Não amo as curvas das pernas
AMO O ANDAR
Não amo o volume dos seios
AMO O ACONCHEGO
E que bom não seja isto uma escultura
seja apenas um poema-à-toa
Porque não amo um corpo,
AMO UMA PESSOA.

ELETRODOMÉSTICOS EM BRAILLE
A Latina Eletrodomésticos S.A., empresa 100% nacional, fabricante de lavadoras de roupa, bebedouros e purificadores de ar, desenvolveu um kit composto por manuais e instruções de controle em braille no painel, para manuseio de seus produtos adaptados para deficientes visuais.

A iniciativa tem a colaboração da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de São Carlos (SP) e é pioneira, pois não há nada parecido no mercado.

Para certificar-se que o equipamento atende às expectativas e necessidades dos portadores de deficiência visual, desde fevereiro deste ano, a Latina realizou testes com os consumidores em potencial, até que o painel dos produtos estivesse de acordo com a operação confortável de suas funções.

O kit está disponível no mercado e deve ser solicitado à empresa no momento da compra, pelo telefone (16) 3375-9500, pois é enviado diretamente da fábrica.

Desde 1994 no comércio de eletrodomésticos, a Latina (www.latinanet.com.br) hoje tem instalações em São Carlos (SP) e Recife (PE), e seus produtos podem ser encontrados em mais de 3.000 postos de vendas.

AGORA É LEI
No último mês de fevereiro, exatamente dia 27, foi promulgada a Lei Estadual nº 11.685, que institui a Semana de Prevenção das Deficiências de Visão nas escolas públicas estaduais de ensino fundamental, a ser realizada, anualmente, na semana que inclui o dia 7 de maio.

Durante essa semana, os estudantes passarão por exame de acuidade visual e os que apresentarem problemas serão encaminhados para os hospitais da rede pública, postos de saúde com atendimento oftalmológico ou clínicas conveniadas especializadas.

Após o exame, o médico oftalmologista prescreverá o tratamento ou óculos corretivos. Ainda segundo essa Lei, quando não houver na unidade de saúde o fornecimento de lentes e óculos adequados ao aluno com problemas de visão, caberá ao Estado fornecê-los.


PREVENÇÃO

Leptospirose

A leptospirose é uma zoonose (doença de animais) que pode acometer pessoas de todas as idades. Causada pela bactéria leptospira interrogans, encontrada na urina de alguns animais, principalmente de ratos, é uma doença infecciosa, aguda e grave. A forma mais comum de contaminação em humanos é através do contato com fossas, esgotos, água de chuva (enchentes) ou lama contaminadas pela urina.

Segundo a bióloga Maria das Graças Soares dos Santos, do setor de Zoonoses da Vigilância Ambiental em Saúde, da Prefeitura de São Paulo, a leptospirose não é uma doença crônica, que obriga o doente a ficar anos se tratando. “Ela tem evolução rápida – ou a pessoa se cura, o que ocorre na maioria das vezes, ou não sobrevive”, alerta.

A leptospirose é considerada aguda e grave porque a leptospira afeta todos os órgãos e sistemas e inflama todos os vasos sangüíneos do doente. Segundo a bióloga, das formas em que ela se manifesta com maior intensidade, chega-se a ter cerca de 20% de mortes. “No município de São Paulo, as hemorragias são a principal causa dos óbitos”, acrescenta ela. “A doença provoca uma vasculite generalizada”, explica.

A doença é registrada o ano inteiro. Mais de 70% dos casos, porém, são notificados no verão devido às freqüentes enchentes e inundações. Normalmente, os mais afetados são homens na faixa de 20 a 40 anos, pois por terem mais força física, são os que geralmente prestam ajuda durante as enchentes.
Sinais e sintomas

Graça, que há 24 anos atua na prevenção à leptospirose, esclarece que entre a pessoa se expor a alguma forma de contágio e começar a aparecer algum sinal, o tempo varia de um a 30 dias. A maioria das pessoas, porém, apresenta sintomas entre sete e 15 dias, mas nem sempre desenvolve a doença mesmo que tenha entrado em contato com a água contaminada com urina de ratos. “Vai depender da quantidade de bactérias que entrou no corpo da pessoa, do tipo da bactéria e da resistência imunológica de cada um”, esclarece ela.

Os sintomas mais freqüentes são febre, dores de cabeça, dores no corpo, dores musculares, fraqueza, vômito, etc. Muitas doenças, como a gripe, a septicemia (infecção generalizada), a meningite, dengue, hepatite, infecções no rim, febre amarela e malária podem ser confundidas com a leptospirose. O diagnóstico conclusivo, segundo a bióloga, é feito por médico, baseado em sinais e sintomas clínicos, mais antecedentes epidemiológicos de risco nos 30 dias que antecederam o início dos sintomas. O exame de sangue específico, realizado somente no Laboratório de Zoonoses da Prefeitura de São Paulo e no Instituto Adolfo Lutz, é que vai detectar a doença, principalmente a partir do 7º dia do início dos sintomas.
Tratamento

O tratamento da leptospirose, segundo a bióloga, pode ser ambulatorial nas formas leves, com uso de antibióticos (via oral). Já nas formas moderadas e graves, os pacientes precisam ser internados e tratados com medicação endovenosa.
Medidas de prevenção

Para prevenir a leptospirose, é indispensável evitar o contato com água e lama de enchentes. Quando inevitável, deve-se usar botas e luvas para evitar a penetração da bactéria através da pele e das mucosas ocular, nasal, oral, genital e anal.

Não há vacinas contra a leptospirose e os antibióticos para prevenir a doença não são recomendados pelo Ministério da Saúde. O tratamento preventivo, porém, chamado quimioprofilaxia, segundo a bióloga, é utilizado segundo avaliação médica caso a caso. Não é, porém, totalmente eficaz e não pode ser usado de forma indiscriminada.
Como controlar a doença

A Prefeitura de São Paulo, segundo Graça, gasta cerca de 12 toneladas de raticida por ano no combate aos ratos, principalmente em reservatórios da leptospira. “Tudo que é chamado de lixo, para o rato é comida e o entulho exposto lhe serve como abrigo”, esclarece ela.
Dicas de como combater roedores e prevenir a sua multiplicação, mantendo o meio ambiente limpo:

· O lixo doméstico deve ser posto para fora de casa, em lugares altos, apenas pouco tempo antes dos coletores passarem;

· Os buracos entre telhas, paredes e rodapés devem ser fechados;

· Os quintais, terrenos baldios, ruas e córregos devem ser limpos, mantidos sem entulhos e objetos inúteis.

· Vasilhas de água e de comida dos animais domésticos devem ser lavadas e guardadas à noite;

· Deve-se manter a caixa d'água limpa e tampada e colocar nos canos aparas (sainhas), para impedir a subida dos ratos.

· a remoção da lama de dentro de casa deve ser feita com água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%, recomendado pela Organização Mundial da Saúde - OMS). Um copo de 200 ml ou 4 xícaras (café) de água sanitária para um balde de 18 litros de água limpa, jogar na lama e deixar agir por 30 minutos e depois retirar, sempre protegendo mãos e pernas com luvas e botas ou sacos plásticos duplos presos por elásticos.

· Alimentos e remédios que entraram em contato com a água de enchente devem ser jogados fora.
Onde buscar auxílio

Em caso de doença, procure o Centro de Saúde mais próximo de sua casa. Para mais informações, Disque Saúde – 1520 (na Grande São Paulo) e/ou 156, na cidade de São Paulo. As solicitações ou denúncias são encaminhadas para as Subprefeituras ou Unidades de Vigilância em Saúde de cada região.
É de competência das prefeituras municipais efetuar o combate aos roedores, limpeza de córregos, terrenos baldios e galerias subterrâneas.

Lúcia Nascimento


SOFTWARE GRATUITO PARA TRANSCRIÇÃO DO BRAILLE
Para facilitar a interação entre professores e alunos deficientes visuais, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um programa de computador que transcreve textos escritos em braille para textos escritos no alfabeto convencional (sistema óptico), em língua portuguesa.

O BR Braille, nome dado ao software, permite que o próprio professor corrija as provas e outros trabalhos escolares de alunos deficientes visuais. Em sua grande maioria, os estudantes portadores de deficiência visual elaboram seus trabalhos escritos com o uso da reglete ou da máquina de datilografia braille por não terem acesso a computadores, seja em casa ou na escola. Para corrigi-los, o professor tem que conhecer o sistema braille, ou solicitar o trabalho de um transcritor ou, ainda, contar com a ajuda do próprio aluno, o que, do ponto de vista pedagógico, não é a forma mais adequada.

O BR Braille está disponível gratuitamente na internet e pode ser instalado em qualquer computador. É apenas necessário que o usuário possua um scanner de mesa comum para a digitalização da folha escrita em braille.

Uma pesquisa será feita com os usuários do BR Braille cadastrados no site (www.fee.unicamp.br/deb/brbraille/) para acompanhar a adaptação dos usuários ao programa e para posteriores ajustes, como por exemplo, permitir que o BR Braille funcione no sistema operacional Linux, e não só no Windows.


ADEVA EM FOCO
Oficina de Teatro

Todas as segundas-feiras, das 14h às 16h, no Centro de Treinamento Mário
Covas, à rua da Consolação, 1.289, 2º andar, sob a orientação da atriz e pedagoga Nina Mancini. Inscrições abertas para deficientes visuais e demais interessados, por meio dos telefones 11 3151-4125 ou 3151-5761. Gratuito.
Coral

Ensaios todas as quartas-feiras, às 17h, sob a regência do prof. Júlio Brito Pateti, no Centro de Treinamento Mário Covas, à rua da Consolação, 1.289, 2º andar. Inscrições gratuitas por meio dos telefones 11 3151-4125 ou 3151-5761.
Dança de salão

Já estão abertas as inscrições para o curso de dança de salão, que acontecerá aos sábados, sob a direção da profª Selma Regina. Para mais informações, estão à disposição os telefones: 11 3151-4125 ou 3115-3603. Este curso faz parte do Projeto Oficinas Culturais/Talentos Especiais, patrocinado pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.

Entrega de certificados

No próximo dia 19 de abril, os alunos deficientes visuais que concluíram em fevereiro os cursos de qualificação profissional oferecidos pelo convênio Adeva/Sert (Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho) receberão seus certificados, às 10h, no anfiteatro Madre Regina, do Hospital Santa Catarina, na rua Cincinato Braga, 77. Para marcar a data também será celebrada missa em Ação de Graças, às 9h, na capela do Hospital Santa Catarina, à avenida Paulista, 200.

Grupo Retina São Paulo

Sandra Maria de Sá Brito Maciel e Márcio Ruiz Spoladore, respectivamente vice-presidente e instrutor voluntário de informática da Adeva, dão uma palestra sobre aposentadoria por invalidez e amparo assistencial, com enfoque na importância do trabalho para o portador de deficiência em seu processo de inclusão social, às 14h do próximo dia 17 de abril.

O evento, aberto ao público, acontece no auditório Teatro Marcos Lindenberg, da Escola Paulista de Medicina (SP), à rua Botucatu, 862, Vila Mariana, promovido pela ONG Grupo Retina São Paulo (www.retinasp.org.br), que dá atendimento médico, apoio psicológico e informação aos familiares e às pessoas afetadas por Doenças Degenerativas da Retina (DDR).

Convênio

Três novos endereços que oferecem descontos para os associados da Adeva, em dia com o pagamento da anuidade: Clínica do Pé e Spaço Beleza (10% na prestação de serviços de podologia e manicure e/ou compra de produtos), av. Cásper Líbero, 390, 7º andar, cj. 709, centro de São Paulo, tel.: 11 3313-0454; CLOF - clínica oftalmológica (30% em consultas, procedimentos cirúrgicos e exames), av Angélica, 1996, cj. 1303, tel.: 11 3666-7827; e Civiam – comércio, importação e exportação de produtos para cegos e portadores de visão subnormal (10% na compra), rua Pirapora, 103, Vila Mariana, 11 3884-2423.

COMO ESTÁ SEU PORTUGUÊS?

O texto a seguir não foi completamente escrito de acordo com a norma padrão. Sua tarefa, leitor, é encontrar os dez erros. Confira a solução* na última página do jornal.
Benvindo era um rapaz à procura de emprego. Um dia, avistou uma tabuleta, na porta de um jornal: “Emprego para quem bem emprega palavras”. Apresentou-se e foi submetido a um teste: redigir um pequeno texto para a sessão de esportes.

Como não dominava bem o idioma, houveram muitas dificuldades. Aonde deveria escrever “aonde”, empregou “onde”. Pôs assentos indevidos nas palavras. Afim de mostrar erudição, empregou palavras de pouco uso e ao invés de dizer que um jogador era incipiente (iniciante) na carreira, chamou-o de insipiente (ignorante). E assim foi: mais escrevia, mais ratificava sua pouca habilidade...

Pobre Benvindo! Sua ambição era tamanha: desejava acender como redator... Mas o problema agravou-se quando a ele se somou o nervosismo. Benvindo pôs-se a arrear e a levantar o nariz, assuando ruidosamente em seguida. Aí não houve jeito: não foi bem-vindo e sim despensado imediatamente.
Conclusão: o desemprego. Detalhe: é Benvindo quem escreve esta triste história.
*Solução: seção de esportes; houve muitas dificuldades; Onde deveria; acentos indevidos; A fim de mostrar; em vez de dizer; ascender como redator; pôs-se a arriar; assoando ruidosamente; dispensado imediatamente.

PARA AMAR SÃO PAULO
Há dois bons motivos para visitar o Museu do Ipiranga: a tela Independência ou Morte, de Pedro Américo, e a maquete de São Paulo em 1841. Parque da Independência, s/nº, Ipiranga, tel.: 6165-8026.
Federico Fellini e Charles Chaplin estão na galeria de grandes diretores que tiveram seus filmes exibidos no CineSesc em 2003. Além da programação de arte, a charmosa sala da rua Augusta, aberta em 1979, é a única da cidade onde o espectador pode assistir ao filme de dentro de um bar. Rua Augusta, 2075, Cerqueira César, tel.: 3082-0213.

A Trilha da Pedra Grande é um dos passeios mais bonitos da Serra da Cantareira. Com 7 quilômetros (ida e volta), dá para ser feita em uma hora. Ao final do percurso, chega-se à famosa formação de granito, localizada a 1.010 metros de altitude. Núcleo da Pedra Grande, Rua do Horto, 1799, Horto Florestal, tel.: 6203-3266.

O pintor Lasar Segall (1891-1957), lituano naturalizado brasileiro, é um dos poucos nomes do cenário artístico nacional a ter sua obra devidamente reunida num único espaço. Numa charmosa casa modernista projetada por Gregori Warchavchik, em 1932, e residência de Segall até sua morte, podem ser vistos 300 trabalhos de um acervo de 3.000 obras do artista, entre óleos, aquarelas, gravuras e desenhos. Destaque para a impressionante tela Navio de Emigrantes. Museu Lasar Segall, Rua Berta, 111, Vila Mariana, tel.: 5574-7322.
Projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo, o Teatro Municipal foi inaugurado em 1911, com a missão de abrigar grandes óperas internacionais. Em 1922 foi palco da Semana de Arte Moderna e atualmente reúne seis corpos estáveis – o Balé da Cidade, as orquestras Experimental de Repertório e Sinfônica Municipal, dois corais e um quarteto de cordas. As noites de ópera mantêm o brilho do século passado, agora em caprichadas montagens nacionais e com as melhores vozes líricas do país. Praça Ramos de Azevedo, s/nº, centro, tel.: 11 223-3022.
O primeiro hospital construído com o dinheiro da população de São Paulo surgiu de uma brincadeira. Em 1951, uma gincana foi organizada entre alunos de medicina para ver quem conseguiria arrecadar mais doações para a construção do Hospital do Câncer. Estudante da Escola Paulista de Medicina, o jovem Humberto Torloni surpreendeu ao aparecer com um saco cheio de dinheiro. Torloni, que mais tarde se tornaria um dos mais respeitados oncologistas do país, percorrera diversas fábricas pedindo aos funcionários que doassem um dia de salário para a obra. Com 51 anos de existência, o hospital atende hoje 200.000 pacientes por ano. Rua Prof. Antônio Prudente, 211, Liberdade, tel.: 3272-5000.
A Galeria do Rock, na rua 24 de Maio, 62, centro, tem 450 lojas que vendem CDs e/ou LPs, novos e/ou usados, baratos e/ou caríssimos. Uma das primeiras a chegar por ali, em 1978, a Baratos Afins segue sendo símbolo do lugar, com seu acervo de 90.000 vinis.
Para quem “curte”, a Loja do Chá coloca à disposição 250 diferentes sabores, como morango com kiwi e mix de ervas verdes da China. Os preços a granel variam de 11 a 80 reais o pacote de 50 gramas. Shopping Iguatemi, tel.: 3816-5359.
No Centro Comercial Aricanduva, na Zona Leste, o maior shopping center da América Latina, com 342.000 metros quadrados de área construída, dá para comprar automóvel, fazer exames laboratoriais, pagar contas em agências bancárias e emplacar o carro, tudo no mesmo espaço.
Ao todo, existem 3.000 salas no mundo equipadas com o moderno sistema de som THX, criado pelo diretor George Lucas, da série Guerra nas Estrelas. Das três brasileiras, uma fica no Kinoplex Itaim, inaugurado em agosto de 2003. Rua Joaquim Floriano, 466, Itaim Bibi, tel.: 3078-9960.
Uma portinha sem placa que funciona desde 1957. E que abre só na madrugada. Para vender o churro espanhol, frito em tacho e servido em formato espiral. Rua Dona Ana Néri, 282, Moóca.
Fonte: VEJINHA ON-LINE, São Paulo: Abril, 21 janeiro 2004. Disponível em: http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/
vejasp/210104/sumario.html

DIVERSIDADE
A Fundação Banco do Brasil (www.bb.com.br/), em parceria com a Fundação Getúlio Vargas/RJ (www.fgv.br/), realizou no ano passado a pesquisa Retratos da Deficiência no Brasil, como uma das ações do Programa Diversidade, que trabalha para a promoção da inclusão social de parcelas da população brasileira excluídas ou estigmatizadas.

A divulgação dos resultados dá importantes indicadores para a atuação de órgãos públicos, do setor corporativo e da sociedade civil na elaboração de políticas e de movimentos direcionados a esse público.

Segundo dados coletados do Censo 2000 e em diversos ministérios sociais, no Brasil há mais de 24 milhões de pessoas portadoras de deficiência, sendo que 21,6% nunca foram à escola.

Dos 26 milhões de trabalhadores formais ativos, isto é, que têm registro em carteira, 537.000 são deficientes, o que corresponde a apenas 2,05% da população deficiente.

A renda média de pessoas com deficiência é de 529 reais, ou seja, 100 reais a menos do que a média geral brasileira.

O investimento do governo federal em políticas de amparo ao deficiente diminuiu sensivelmente – de 30,2 milhões de reais em 1997 para 15,9 milhões de reais em 2000.

A maioria das deficiências (21%) tem origem em doenças crônico-degenerativas e cerca de 18% são causadas por acidentes de trânsito, de trabalho ou violência.

São Paulo é o estado com menor número de deficientes, 11,3%, e o Piauí tem o maior número, 17,63% da população.

RECEITA

SOUFFLÉ DE BACALHAU
Ingredientes:
(porção individual)
50 g de manteiga
1 colher (sobremesa) de cebola picada
200 g de lascas de bacalhau já dessalgado
1 colher (sobremesa) de farinha de trigo
100 ml de leite fervido
2 gemas de ovos
3 claras batidas em neve em ponto de pico
Queijo parmiggiano para polvilhar
Manteiga para untar
Preparo:

Em uma frigideira, derreta a manteiga, doure a cebola e o bacalhau. Acrescente a farinha de trigo e o leite, mexendo bem. Junte as gemas e continue a mexer, até formar uma massa. Adicione as claras em neve, misturando delicadamente.

Passe para uma cumbuca untada com manteiga, polvilhe com o queijo e leve ao forno pré-aquecido a 250 ºC até dourar. Sirva imediatamente.

Fonte: www.gula.uol.com.br/

O Amor no Terceiro Milênio
Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossas felicidades, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso - o que é muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa alguma. É apenas um companheiro de viagem.

O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria, ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.

A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se toma menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...

"A pior solidão é aquela que se sente quando acompanhado"

Fonte: GIKOVATE, Flávio. Artigos. Instituto de Psicoterapia de São Paulo. Disponível em http://www.flaviogikovate.com.br/index1.htm

Softwares para deficientes visuais (DVs)
A empresa italiana Voice Systems, líder mundial na produção de hardware e software para pessoas portadoras de deficiência visual, representada na América Latina pela Itália Nova Editora, trouxe para o Brasil (já existem há algum tempo na Europa) três softwares que possibilitam a conversão de textos escritos para síntese de voz, para áudio e para gerenciar computadores de mão (PDAs).

Os produtos, dadas suas características, podem disponibilizar aos DVs todo o acervo de uma biblioteca, por exemplo. Podem também ser de grande utilidade para as editoras, bibliotecas e livrarias na disponibilização de livros em CD Áudio (os áudio-books). Além disso, permitem vocalizar todos os sites da internet. Tudo isso com uma excelente qualidade sonora, a partir de fonemas humanos perfeitamente claros.

O TextVOICE Speak 3 é um sistema de leitura que se instala diretamente no PC. Por meio de um programa de Reconhecimento Ótico de Caracteres (OCR), permite a leitura de textos impressos (livros, jornais, revistas e documentos) e a possibilidade de fazer alterações ou criar notas.

O PocketVOICE, que pode ser instalado em um PDA, oferece, além de calendário, agenda, contatos e e-mails totalmente sincronizados com o Microsoft Outlook, a possibilidade de gerenciar um telefone celular GSM e todo seu menu. Permite o envio e recebimento de torpedo, de e-mails, a execução de uma chamada selecionando um contato da agenda, a identificação e controle de ligações, até as não-atendidas. Permite também ler ou criar qualquer documento no Microsoft Word.

E o Text To File permite transformar, em questão de segundos, textos escritos em arquivos áudio MP3 ou Wave, que igualmente falam com a voz humana.
Fonte: Itália Nova Informática. Disponível em http:// www.italianuova.com/ Acesso em: 5 abril 2004.

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