JORNAL

CONVIVA
Associação de Deficientes Visuais e Amigos - Adeva

Ano V - Nº 23 - julho/agosto de 2004

EDITORIAL


Generalizações

É muito comum ouvirmos frases do tipo: “Os japoneses são mais trabalhadores.”, “Nordestino não trabalha, faz festa o ano inteiro.”, “Os petistas são radicais.”, “Os políticos são ladrões.”, “Os corintianos são arrogantes.”, “Os deficientes são mais inteligentes.”, entre outras “pérolas” do tipo.

Ao tomar essas afirmações como verdadeiras, certamente cometemos o erro de atribuir, indiscriminadamente, a todas as pessoas que fazem parte de um grupo específico, qualidades ou defeitos que nem sempre possuem.

Estamos, assim, afirmando que antes de existir o ser humano existe o japonês, o nordestino, o petista, o político, o corintiano, o deficiente.

Mas, como bem sabemos, somos diferentes não por termos nascido neste ou naquele país, porque professamos esta ou aquela religião, torcemos pelo time de futebol X ou Y, simpatizamos com este ou aquele partido político, ou porque somos cegos ou paraplégicos.

Somos diferentes devido a uma série de fatores que tiveram influência direta na formação da nossa personalidade e caráter como, por exemplo, o ambiente social onde nascemos e crescemos, a educação que recebemos, a presença ou ausência dos pais e mestres, as oportunidades e facilidades que tivemos ao longo da vida, etc.

Essa verdade nos leva a constatar que em todos os setores da sociedade, sem exceção, existem os trabalhadores e os preguiçosos, os ladrões e os honestos, aqueles com maior ou menor facilidade no aprendizado, os irredutíveis e os que dialogam, os antipáticos e os simpáticos.

E quanto a nós, portadores de total ou parcial insuficiência para ver, ouvir, falar ou nos mover? Se formos realmente mais inteligentes, como explicar que apenas 537 mil (2%) dos 26 milhões de trabalhadores formais ativos sejam portadores de deficiência, e muitos com uma renda menor que os outros trabalhadores? Os deficientes recebem cerca de R$ 100 a menos que a média dos brasileiros, segundo dados da pesquisa Retratos da Deficiência no Brasil, patrocinada pela Fundação Banco do Brasil e FGV, em 2003.

Para que não prevaleça essa visão deturpada, que apesar de lisonjeira em nada colabora para a efetiva inclusão do portador de deficiência, é preciso que a sociedade passe a nos enxergar como pessoas com talentos e imperfeições como qualquer ser humano, mas que igualmente precisam de condições adequadas para se educar, trabalhar, criar, compartilhar, atuar como cidadão.

Portanto, tome cuidado ao acreditar nesses dogmas, que surgiram sem fundamento e que são irreais. Ninguém é mais ou menos que seu semelhante. Teve apenas mais ou menos oportunidades. E se queremos uma sociedade justa, é preciso romper as limitações do preconceito, implícito quando etiquetamos alguém como negro, homossexual, judeu, nordestino, mulher ou deficiente.

Francisco Carlos Alves Batista (instrutor de informática da Adeva)


INTERNET

http://www.logos.it/ - Biblioteca virtual, com 36 mil textos, em 111 línguas, inclusive o português, facilmente adaptados para os deficientes visuais. Tem também 1.422 textos que podem ser ouvidos. São trechos de livros, contos, poesias e relatos, gravados com voz humana, em mais de 30 línguas. Para acessar as obras deve-se entrar no link wordtheque.

www.clicfilhos.com.br/site/especiais/nomes/dicionario_nomes - Dicionário de nomes, com o significado, para quem está esperando um bebê e ainda não escolheu um, ou está curioso para saber o que significa seu próprio nome.

planeta.terra.com.br/religião/confrariaconsolador/verbetes - Dicionário on-line, com mil verbetes relacionados ao Espiritismo, de abnegar a zoovidente.

www.fd.uc.pt/hrc/enciclopedia - Enciclopédia portuguesa com a compilação de textos jurídicos sobre Direitos Humanos e sobre o papel das Nações Unidas e da União Européia.

www.mithos.cys.com.br - Neste site, dá para pesquisar sobre personagens mitológicos africanos, árabes e greco-romanos, entre outros.


ANOTE

Nossos recomendados!

CONHEÇA A ITÁLIA SEM SAIR DE SÃO PAULO – Passeios turísticos que apresentam a participação italiana nas artes, na arquitetura e na gastronomia de São Paulo, promovidos pela Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria em comemoração aos 450 anos da cidade. São seis roteiros diferentes a cada domingo (que se repetem até dezembro), feitos em um ônibus especial para 40 pessoas, acompanhadas por uma historiadora da USP como guia. Das 9h às 17h, R$ 20 por pessoa, com direito a almoço em uma cantina italiana (bebidas à parte) e ingresso aos museus. As inscrições podem ser feitas pelo telefone (11) 3179-0726 (das 9h às 17h30) ou pelo E-mail: 450anos@italcam.com.br

VILLA-LOBOS – série Essential, EMI Internacional. Contém Trenzinho do Caipira, Bachianas Brasileiras Nº 5, Bachianas Brasileiras Nº 4, Choros das Bachianas Nº 10, entre outras. Interpretação da Orquestra da Rádio Difusão e Televisão Francesa – ORTF e a regência do próprio Villa-Lobos.

A MANDRÁGORA – Comédia de Nicolau Maquiavel, com o Grupo Tapa, conta as peripécias de Calímaco em sua tentativa de conquistar Lucrécia, a mulher mais linda da Itália. Ingressos com 50% de desconto durante a campanha da Apetesp Teatro é um barato!. Teatro Ruth Escobar, sexta e sábado, 21h; domingo, 20h. Até 5/setembro. Postos de vendas: Poupatempo da Sé, Itaquera e Santo Amaro.

RÁDIO AO VIVO – Apresentação de Thiago Gardinali. Programa de variedades, com entrevistas ao vivo, concurso de novos talentos, participação dos ouvintes pelo telefone e reportagens sobre a vida noturna em São Paulo e outras cidades do País, mais 30 minutos de jornalismo (Jornal Jovem Pan, 2ª edição). Jovem Pan AM, 620 kHz, 2ª a 6ª, das 22h à 1h.

CONTOS DA MEIA-NOITE – Programa de até 10 minutos, de 2ª a 6ª feira, à meia-noite, TV Cultura. Leitura de obras de autores consagrados da literatura nacional (Machado de Assis, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Dalton Trevisan, Rubem Fonseca, Antônio Alcântara Machado, entre outros). Integram a série mais de 100 contos, apresentados pelos atores Marília Pêra, Antônio Abujamra, Matheus Nachtergaele, Maria Luisa Mendonça, Beth Goulart e Giulia Gam.

O HOMEM QUE COPIAVA – Drama, Brasil, 123 min, 2003. Direção de Jorge Furtado, com Luana Piovani, Paulo José, Lázaro Ramos. André, rapaz de 20 anos, que trabalha em uma fotocopiadora, precisa de 38 reais para agradar Silvia, a moça de quem gosta, e cria os planos mais inusitados para alcançar seu objetivo. Nas locadoras, em VHS e DVD.





PREVENÇÃO

Sífilis Congênita

A sífilis é uma doença infecciosa causada pelo treponema pallidum.

A transmissão da Sífilis Adquirida é predominantemente sexual. Cerca de um terço dos indivíduos expostos a um parceiro sexual com sífilis adquire a doença.

A Sífilis Congênita (SC) é conseqüente à infecção do feto pelo treponema pallidum através da placenta de uma mulher grávida que esteja infectada. Sua ocorrência é resultado de falhas nos serviços de saúde, principalmente durante o pré-natal, pois o diagnóstico precoce e o tratamento da gestante são bastante eficazes na sua prevenção.

A transmissão para o feto pode acontecer em qualquer fase da gravidez, causando aborto espontâneo, morte fetal, prematuridade, recém-nascidos com sintomas e até aparentemente normais, fazendo com que a infecção passe despercebida, dependendo do tratamento ou não que a mãe recebeu.

A Sífilis Congênita pode ser classificada em:

Recente – quando surgem os sintomas nos dois primeiros anos de vida (mais evidentes do 1º ao 3º mês): prematuridade, baixo peso, rinite com secreção nasal sanguinolenta, alterações ósseas (osteocondrite, periostite, osteíte), choro ao manuseio, aumento de fígado e baço, pneumonia, icterícia, anemia, lesões de pele (condiloma plano e pênfigo palmo plantar);

Tardia – quando os sintomas surgem a partir do segundo ano, com alterações dos ossos (tíbia em sabre, fronte olímpica, deformações de dentes, mandíbula curta), alterações oculares, surdez, dificuldade no aprendizado e retardo mental.

A SC pode ser confundida com outras doenças infecciosas como a rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus, herpes e lesões mais tardias, e também com sarampo, catapora, escarlatina e até escabiose.

A prevenção mais efetiva da SC consiste em oferecer a toda a gestante uma assistência pré-natal adequada, assim como exame e tratamento ao seu parceiro sexual.

As medidas de controle podem também ocorrer:

Antes da gravidez – com um programa de prevenção na população feminina em geral, uso de preservativos, diagnóstico precoce em mulheres em idade reprodutiva e seus parceiros, realização do teste VDRL (Pesquisa Laboratorial de Doenças Venéreas) em mulheres que manifestem intenção de engravidar, tratamento imediato dos casos diagnosticados nas mulheres e seus parceiros, com orientação para que evitem relações sexuais durante o tratamento ou usem sempre preservativos, com a realização do controle de cura trimestral.

Durante a gravidez – com o diagnóstico precoce da sífilis materna no pré-natal, realização do teste VDRL na 1ª consulta do pré-natal e no início do 3º trimestre, tratamento imediato dos casos diagnosticados nas gestantes e seus parceiros, evitando a reinfecção da gestante. O tratamento adequado é feito apenas com Penicilina, usando as doses adequadas conforme a fase clínica, antes de 30 dias da data do parto e tratando adequadamente o parceiro sexual.

Na admissão para o parto ou curetagem por abortamento – com a realização do teste VDRL em toda paciente para parto ou abortamento, manejo adequado do recém-nascido, realização do VDRL de sangue periférico de todos os recém-nascidos cujas mães apresentaram VDRL reagente na gestação ou parto ou em caso de suspeita clínica de sífilis congênita, tratamento imediato de casos detectados de SC ou sífilis materna e dos parceiros, notificação e investigação dos casos detectados, inclusive aborto e natimortos por sífilis.

Fonte: Dr. Clovis Brandina, pediatra e assistente técnico do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CCD), da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS).

Lúcia Nascimento

TALENTOS ESPECIAIS

O Projeto Talentos Especiais, criado pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo (SEC) em 2001, tem como proposta trabalhar pela inclusão social de pessoas portadoras de deficiência por meio de oficinas culturais.

Seu grande diferencial é garantir que as oficinas sejam de fato inclusivas, atendendo pessoas com ou sem deficiência. "Não faz sentido estabelecer programas exclusivos para portadores de deficiência, uma vez que no dia-a-dia as pessoas têm de conviver juntas. A deficiência não é e não deve ser tratada como uma espécie de anormalidade", afirma Guilherme Bara, diretor licenciado do projeto em função das próximas eleições municipais.

Duas novas ações direcionadas ao incentivo da leitura foram divulgadas por Guilherme em sua entrevista ao Conviva. Trata-se de um novo meio de acesso à rede para deficientes visuais, que lhes possibilita a navegação no site http://www.leialivro.sp.gov.br/ e a doação ao Projeto, pela Editora Memnon e pela clínica Centro de Convivência Movimento, de 1.500 livros escritos no Método Integral por pessoas com autismo. Esse método facilita a compreensão do texto, utilizando-se de cartelas pictográficas e das cores, por portadores de deficiência mental e não-alfabetizados.

Além dessas novidades, as pessoas com deficiência agora contam com monitoria especializada na Pinacoteca de São Paulo e, em setembro, se inicia um curso de linguagem de sinais para funcionários e arte-educadores da Secretaria, com o objetivo de garantir a participação de pessoas surdas em oficinas, cursos e nos diversos espaços culturais da SEC.

O Projeto Talentos Especiais atualmente beneficia 1.500 pessoas, tem 63 oficinas e conta com a parceria de 28 entidades. A Adeva é uma de suas parceiras e oferece em seu centro de treinamento da rua da Consolação, 1289, 2º andar, oficinas de teatro e canto coral.

Lúcia Nascimento

TEM MAIS EM SETEMBRO

Enquanto os Jogos Olímpicos, o maior evento esportivo do planeta, acontecem neste mês de agosto, 4.000 outros atletas se preparam para os XII Jogos Paraolímpicos 2004, que acontecem entre 17 e 28 de setembro, também em Atenas. Desde sua primeira versão, em Roma, no ano de 1960, os Jogos Paraolímpicos são disputados na mesma cidade e nas mesmas instalações das Olimpíadas.

Com a representação de mais de 143 países, o que constitui um número recorde de presenças, o lema deste ano é Força – Inspiração – Celebração.

Os atletas que participam dos Jogos Paraolímpicos são incluídos em categorias de acordo com a limitação de cada um, para que haja equilíbrio: atletas com deficiências físicas, atletas com algum membro amputado, atletas com ferimentos na medula espinhal (por exemplo, distrofia muscular), atletas com paralisia cerebral e atletas cegos.

Serão disputados torneios em 19 modalidades: arco e flecha, tênis em cadeira de rodas, bocha, atletismo, equitação, ciclismo, futebol de 7, goalball, futebol de 5, halterofilismo, judô, tiro, vela, tênis de mesa, natação, basquetebol em cadeira de rodas, voleibol, rugby e esgrima em cadeira de rodas.

A primeira representação do Brasil em jogos paraolímpicos foi em Heidelberg, na Alemanha, em 1972. De lá para cá, a participação do Brasil é cada vez mais expressiva. Terá, em Atenas, sua maior delegação: 99 atletas de 13 modalidades.

RESPONSABILIDADE SOCIAL

O Programa USP-Legal, da Coordenadoria Executiva de Cooperação Universitária e de Assuntos Especiais (Cecae) da Universidade de São Paulo oferece impressão em braille de provas para os uspianos portadores de deficiência visual.

Os professores e as comissões de graduação que tenham alunos nessa condição podem remeter as provas, em formato digital, ao Centro de Apoio à Pessoa com Deficiência da USP, com uma antecedência de no mínimo três dias úteis.

O serviço serve de suporte pedagógico aos professores e pretende se estender para a impressão de textos a serem estudados em aula e outros documentos, inclusive mapas. O USP-Legal fica na Av. Prof. Luciano Gualberto, travessa J, 374, 7º andar, Cidade Universitária, São Paulo. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: 11 3091-2939.

Fonte: Agência USP de Notícias.

A OSTRA E A PÉROLA

As pérolas são feridas curadas. Pérolas são produtos de dor, resultado da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia.

A parte interna da concha de uma ostra é uma substância lustrosa chamada nácar. Quando um grão de areia a penetra, as células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas, para proteger o corpo indefeso da ostra.

Como resultado, uma linda pérola é formada. Uma ostra que não foi ferida de algum modo, não produz pérolas, pois pérola é uma ferida cicatrizada.

Você já se sentiu ferido pelas palavras rudes de um amigo? Já sofreu os duros golpes do preconceito?

Então, produza uma pérola! Cubra suas mágoas com várias camadas de amor.
Fonte: Revista Brasileira para Cegos, Rio de Janeiro: Instituto Benjamin Constant, ano LXI, nº 500, out./dez. 2003.

BRAILLE

Dar a mão a alguém foi tudo que esperei da alegria.
(Clarice Lispector)

Da França para o mundo
palavras tocadas
seis pontos amigos
parece um bordado
bordado da vida
nem todos entendem
mas ele aí está.

Markiano Charan Filho. Corpo, Alma & Cia, 1997

RECEITA

Lanche de pão de fôrma sofisticado*

Ingredientes:
1 pão de fôrma
250 g de mozarela
250 g de presunto
1 lata de creme de leite
orégano
2 ovos
2 tomates picados (se quiser)

Modo de fazer:
Untar uma forma retangular com manteiga e cobri-la com fatias de pão de fôrma. Por cima de cada fatia, colocar uma de mozarela, outra de presunto e tomate temperado com orégano e sal. Cobrir com outra fatia de pão. Fazer tantas camadas até terminar o pão. A última deve ser de pão.

Bater os ovos, juntar o creme de leite, misturando bem, pôr uma pitada de sal e espalhar sobre os pães por cima da última camada de pão. Levar ao forno para gratinar e servir quente.

*Receita do Curso de Culinária da Adeva, ministrado pela profª Yacopina Valdenini Resende.

ADEVA EM FOCO

Parabéns para a ADEVA!
Nesta data querida,
Muitas felicidades,
Muitos anos de vida!

Foi no dia 9 de agosto de 1978 que tudo começou. E aqui estamos, 26 anos depois, cada vez mais unidos na luta por um mundo melhor.

Obrigada a todos, amigos de ontem, de hoje e os que virão.

Vamos comemorar com festa em setembro! Aguardem notícias!

Mas, desde já, estão todos convidados!

A Diretoria

DIREITO DE VOTAR

A obrigatoriedade de voto, prevista na Constituição Federal, em seu § 1º, do art. 14, em nada contribui para o aperfeiçoamento da democracia brasileira. Muito pelo contrário. O que se é compelido a fazer, de má vontade se faz
.
A cada ano, o processo eleitoral ganha em quantidade de eleitores, mas perde em qualidade. São inúmeros os cidadãos que escolhem um candidato de maneira irrefletida, inconseqüente, oportunista e clientelista. Não só nos rincões deste Brasil. Aqui mesmo, na grande metrópole, tem gente que escolhe seu candidato porque é o mais bonito, ou é o mais grotesco, ou é o vizinho da mãe da cunhada do irmão da namorada do tio, ou é o primeiro “santinho” que lhe caiu nas mãos a caminho da seção eleitoral.

Por isso, aproveitando a recente decisão (agosto de 2004) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que desobriga os portadores de deficiência física a comparecer às sessões eleitorais na próxima eleição, dia 3 de outubro, a Adeva vem a público solicitar que essa medida se estenda a todos os brasileiros que são legalmente obrigados a votar (alfabetizados maiores de 18 e menores de 70 anos).

Afinal, há 26 anos, o que queremos para nós, lutamos para dar a todos, deficientes ou não.

Só assim poderemos entender essa medida, que não pedimos e sobre a qual não fomos ouvidos ou consultados, como não-discriminatória. Caso contrário, ela se caracteriza como mais um ato paternalista, que tutela cidadãos intelectual e emocionalmente aptos a exercer o DIREITO de escolher quem irá lutar por seus interesses nas diversas instâncias do poder. E assinala também um ato de exclusão do processo democrático de 24,5 milhões de pessoas, ou seja, 14,5% da população brasileira, enfraquecendo sua representatividade. Se, como cidadãos eleitores somos freqüentemente ignorados pela classe política, seremos banidos de suas agendas se dispensados de votar.

CERTIFICADO DE AMIGO

No último dia 5 de agosto, no centro de treinamento Mário Covas, a Adeva ofereceu um café da manhã às empresas e organizações que têm colaborado na luta pela inclusão do deficiente visual na sociedade e no mercado de trabalho.

Na ocasião, foi entregue o Certificado Empresa/Entidade Amiga do Deficiente Visual Trabalhador, criado pela Adeva para distinguir seus parceiros e colaboradores.

O Certificado foi conferido pelo Diretor Presidente da Adeva, Markiano Charan Filho, à Fundação Vitae, Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), Micropower, Borland Latin America, Companhia Energética de São Paulo (Cesp), Symantec do Brasil, Microsoft, Instituto Recicle Milhões de Vidas, Senai/SP, Associação Congregação Santa Catarina, Secretaria de Energia, Recursos Hídricos e Saneamento, Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho, Casa Civil e aos senhores Dr. Walter Barelli e Dr. Fernando Leça.

Markiano Charan Filho, em nome da Diretoria e dos deficientes visuais, agradeceu o apoio de todos e lançou um convite para que mais empresas venham fazer parte do grupo, “pois só assim teremos condições de realizar plenamente nossa missão, pela qual há 26 anos trabalhamos”.

NOSSOS TALENTOS

Ela já passou pelas etapas do desemprego, da busca e da conquista de um lugar no mercado de trabalho. Hoje desfruta seu primeiro emprego, como auxiliar administrativa na Prefeitura de São Paulo, e pretende cursar Jornalismo.

Esta é a Rosana da Silva Alcântara, 29 anos, que neste rápido bate-papo com o Conviva, mostra o segredo de seu sucesso, apesar da deficiência visual. Rosana tem retinose pigmentar, com um resíduo visual de 10% no olho direito e 5% no olho esquerdo.

"Passei um tempo desempregada até descobrir que para enfrentar o mercado de trabalho precisava me preparar mais. Foi quando decidi fazer os cursos que a Adeva oferece. Primeiro fiz o de Relacionamento Interpessoal, depois alguns de informática: HTML, Java Script e Internet avançado. Isso foi em 2002. Em maio de 2003, após ser aprovada em um concurso público, já estava trabalhando na Secretaria Municipal de Abastecimento (Semab).”

Desde então, sua vida mudou para melhor. “Aprimorar os conhecimentos é sempre muito bom. Me senti mais segura para prestar o concurso, enfrentar a concorrência e também o preconceito, além de manter a auto-estima elevada e fazer amigos".

Os cursos, além de lhe darem preparo técnico, proporcionaram ao seu dia-a-dia momentos superagradáveis. “Eu adorei, pois aprendi coisas novas, preenchi meu tempo com algo bom e ainda conheci gente muito legal, inclusive o meu noivo, o Samuel Alessi”, ela conta.

Quando o assunto é preconceito, Rosana tem opinião formada: “ainda existe e para que acabe é preciso auto-segurança e mostrar que a deficiência nada tem a ver com competência ou incompetência”.

Para ela, “as empresas precisam aprender a selecionar medindo a capacidade do candidato, mas para isso as pessoas portadoras ou não de deficiência devem querer crescer e investir em si mesmas”. "Quem tem alguma deficiência não pode querer arrumar emprego considerando a possibilidade de ser admitido por pena, mas sim porque sabe que é capaz de realizar determinada atividade”, acrescenta.

“É importante também não desanimar ao ouvir um não e seguir em frente apesar das dificuldades”, aconselha e revela um pouco mais do seu jeito de ser.

Signo: Sou Peixes.

Preferência musical: Gosto de música romântica, do Fábio Jr. e da Sandy.

Na televisão: Assisto mais programas jornalísticos.

Amor: É fundamental!

Família: Importante, a base de tudo o que se é.

Comida preferida: Adoro churrasco!

Nas horas vagas: Gosto de ouvir música, de preferência, acompanhada, ir ao teatro e ao cinema.

Deus: É tudo, sem ele não seria nada. É preciso acreditar em algo.

Se fosse presidente por um dia: Eu acabaria com a fome.

Sonho: Quero comprar uma casa e conhecer o exterior.

Sobre o deficiente visual no Brasil: Deveriam ser mais unidos, se preocupar em se preparar para a vida e o mercado de trabalho, procurar seus direitos. Mas, um ponto positivo é que muitos já não têm mais aquela expectativa paternalista em relação à sociedade, já não ficam esperando que os outros façam por eles.

Preconceito: A sociedade está acreditando mais nas pessoas com deficiência.

Para viver melhor: É preciso ter respeito pelo outro, por seus limites, direitos e deveres.

Motivo para agradecer: Minha família, meu noivo, meus amigos, meu trabalho.

Filosofia de vida: Viver em paz, em harmonia com todos. Não é fácil, mas devemos tentar.

Mara Alves



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Expediente

Jornalista responsável: Liane Constantino (MTb 15.185)

Colaboradores: Celso de Oliveira, Francisco Carlos Alves Batista, Lúcia Nascimento (MTb 29.273), Mara Alves, Markiano Charan Filho, Sandra Maria de Sá Brito Maciel, Sidney Tobias de Souza

Correspondência:
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Editoração: Fernanda Lorenzo
Revisão: Célia Aparecida Ferreira
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