JORNAL

CONVIVA
Associação de Deficientes Visuais e Amigos - Adeva

Ano V - Nº 24 - setembro/outubro de 2004

EDITORIAL

O perigo das guloseimas

Sorvetes, balas, bolachas, salgadinhos, hambúrgueres, batata-frita. Tudo muito gostoso. Mas, como já diziam nossas avós, engorda e não faz bem.

Vivemos em uma cultura neuroticamente consumista e o hábito de ingerir em excesso essas guloseimas, que contêm grande quantidade de açúcar e gordura, vem causando o aparecimento de doenças graves. A obesidade, por exemplo, que mata precocemente 300.000 pessoas nos Estados Unidos por ano e, no Brasil, cerca de 70.000.

Porém, há um outro tipo de pitéu tão ou mais prejudicial do que os ingeridos pela boca.

São as guloseimas sociais, de leve sabor paternalista, oferecidas às minorias – índios, afro-descendentes, mulheres, homossexuais e deficientes.

Para os deficientes visuais têm passagem gratuita nos ônibus, no metrô e em aeronaves, isenção de imposto na compra de carro, ingresso em teatro de graça, legislações específicas, concessão de cota disto, daquilo e daqueloutro.
Satisfeitos com essas “delícias”, os deficientes se calam e esquecem de reivindicar o alimento que realmente sustenta: educação pública de qualidade, serviços de saúde eficientes, meios de transporte coletivos adaptados, ruas sem buracos, obediência às normas de acessibilidade e sinalização em espaços públicos, campanhas nacionais para erradicar o preconceito.

Não percebem que essas “dádivas” perpetuam situações discriminatórias na família, na escola, no trabalho e impedem seu acesso à cidadania plena, pois tentam apenas superar desigualdades historicamente acumuladas.

Esquecem de exigir medidas estruturais de longo alcance que proporcionem condições e oportunidades iguais a todos os cidadãos para concorrer a um lugar digno na sociedade e no mercado de trabalho.

Já está na hora de nós, deficientes, pararmos de ser incoerentes e lutarmos por DIREITOS. Se nos contentarmos tão somente com guloseimas, não chegaremos à conquista do devido respeito que almejamos. Aceitar privilégios acabará por nos levar à perda do pequeno espaço que hoje ocupamos e que foi tão difícil conquistar. Como poderemos reclamar de algo pelo qual não pagamos?

E, para finalizar esta reflexão, cabe lembrar a frase de uma canção do Rei do Baião, o compositor e cantor Luiz Gonzaga:

“Seu doutor, uma esmola a um homem que é são, ou me mata de vergonha ou vicia o cidadão”.

Markiano Charan Filho, diretor-presidente da Adeva


INTERNET

www.votoconsciente.org.br
- Site da entidade cívica e apartidária Voto Consciente, fundada em 1987, formada por voluntários que acompanham o desempenho dos vereadores das Câmaras Municipais e dos deputados da Assembléia Legislativa de São Paulo. A Voto Consciente oferece também educação política por meio de cursos, palestras, fóruns deliberativos.

http://www.uol.com.br/remedios
- Versão on-line da publicação Guia de Remédios, que traz informações para o público leigo sobre 900 substâncias ativas que compõem os principais remédios comercializados em farmácias e drogarias. O endereço tem também links para instituições públicas de saúde, indústrias farmacêuticas e para sites que tratam de doenças como diabetes, asma, lupus, transtornos do pânico, etc.

www.interpalco.com.br
- Site com notícias do mundo teatral brasileiro, relação das peças em cartaz no País, indicação de livros sobre o assunto, entrevistas com atores. Indica também cursos, faculdades de arte cênica e oferece download de textos teatrais.

www.aiquefome.com.br
- O Ai Que Fome facilita o pedido de comida pela internet nas cidades de São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Niterói e Vitória, selecionando o estabelecimento por área ou por especialidade. Uma vez escolhido o estabelecimento, o interessado pode consultar o cardápio de pratos, com fotos e preços e fazer o pedido on-line.


ANOTE

Nossos recomendados!

O ROSÁRIO – Romance de Florence Louisa Barclay, Ed. Nacional, transcrito em braille, dois volumes. Biblioteca Braille do Centro Cultural São Paulo, na rua Vergueiro, 1000, telefone: 11 3277-3611.

TOBY E OS MISTÉRIOS DA FLORESTA – Livro infantil da jornalista Gisele Pecchio Dias, para crianças acima de sete anos. A obra saiu primeiro em braille (com distribuição gratuita para bibliotecas especializadas), impressa pelo Instituto de Cegos Padre Chico, cujos alunos e professores têm seus comentários publicados na contracapa. A autora oferece palestras gratuitas em escolas e entidades. Contatos pelo telefone: 11-3682-2000 ou E-mail: gisele.jorn@uol.com.br

CAFÉ FILOSÓFICO – Série de programas sobre os mais variados assuntos (A Pornografia; O pensamento do século XX; Freud e a Psicanálise, etc.), apresentados por estudiosos dos temas, com a curadoria do prof. Renato Janine Ribeiro, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. TV Cultura, domingo, às 21h30.

DOMINGO NA PAULISTA – Projeto de iniciativa da Prefeitura de São Paulo e da Associação Paulista Viva, que transforma a avenida Paulista, todos os domingos, das 8h às 14h, em uma rua de lazer. Em 23 estações, montadas no trecho entre a Alameda Casa Branca e a Rua Pamplona (onde se localizam o Masp, o Parque Trianon e suas tradicionais feiras de artesanato), são oferecidas gratuitamente atividades de lazer e recreação para todas as idades.

PARA CAYMMI – CD em homenagem aos 90 anos de Dorival Caymmi, comemorados em 30 de abril deste ano, com canções do compositor interpretadas por seus filhos Nana, Dori e Danilo. Gravadora EMI, 2004.

PLUG 700 – Programa que apresenta o mundo da informática e dos computadores sem sustos e sem mistérios, com o bom-humor dos professores Pierluigi Piazzi e Tarcisio de Carvalho. Rádio Eldorado AM, 700 kHz, sábado, das 13h às 14h e às 20 horas; domingos, às 21 horas.

OLGA – Baseado no livro Olga, de Fernando Morais, o filme mostra a vida de Olga Benário, mulher do revolucionário brasileiro Luiz Carlos Prestes, enviada a um campo de concentração nazista onde morreu em 1942. Direção: Jayme Monjardim. Elenco: Camila Morgado, Caco Ciocler, Fernanda Montenegro, Osmar Prado, Eliane Giardini. Drama, Brasil, 141 min, 2004. Em várias salas do circuito comercial.


PREVENÇÃO

Conjuntivite, uma doença do verão

A conjuntivite é uma inflamação da conjuntiva, membrana que reveste o “branco” do olho, que causa alterações na córnea e nas pálpebras.

Não é uma afecção grave, mas é transmissível, e por isso deve ser tratada para que não ocasione uma epidemia, muito comum durante os meses de verão.
A conjuntivite pode ter causa alérgica (sazonal), devido a alergia à polens, viral, bacteriana ou ser provocada por irritação química, mas somente as infecciosas (virais e bacterianas) são contagiosas e as que mais freqüentemente causam surtos epidêmicos.

A falta de cuidado pode fazer um aperto de mão se transformar em uma conjuntivite. A contaminação ocorre com maior facilidade em ambientes coletivos como escolas, creches, fábricas, transportes coletivos.

Sintomas

Os principais sintomas são olhos avermelhados, lacrimejamento, sensação de areia nos olhos, pálpebras inchadas, secreção (pode ser desde aquosa até purulenta, dependendo da causa) nos cantos dos olhos ou nas bordas das pálpebras, fotofobia (sensibilidade à luz), pálpebras grudadas ao despertar e visão borrada.

A conjuntivite viral apresenta uma secreção esbranquiçada e em pouca quantidade. Leva aproximadamente 15 dias para desaparecer. A bacteriana produz secreção amarelada em abundância. Com o tratamento adequado, se cura em três a cinco dias.

Prevenção

Para evitar a conjuntivite, são necessários pequenos cuidados de higiene pessoal: lavar as mãos e o rosto com freqüência, evitar coçar os olhos, não compartilhar lençóis, travesseiros, toalhas e maquiagem, evitar o uso de copos e outros objetos de uso pessoal de quem está contaminado e evitar banhos em piscinas públicas.

Tratamento

O tratamento da conjuntivite é simples e caseiro. Basta ferver de meio a um litro de água limpa, colocar em um vidro esterilizado e conservar na geladeira. De tempo em tempo, umedecer um algodão com essa água fervida e gelada e lavar os olhos. Ao acordar, quando as pálpebras estiverem grudadas, lavar e limpar os olhos com algodão umedecido. É recomendável ter sempre as mãos limpas, bem como trocar as fronhas diariamente.

Se a secreção é amarelada em abundância, característica da conjuntivite bacteriana, lavar os olhos com essa água fervida gelada pode não bastar. Deve-se, então, procurar um oftalmologista para um diagnóstico preciso e para a indicação de um medicamento adequado.

Fonte: Centro de Vigilância Epidemiológica, Professor Alexandre Vranjac, da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo.


UMA COOPERATIVA MUITO ESPECIAL

Desde 7 de novembro de 2002, uma nova frente de trabalho está aberta para os portadores de deficiência na cidade de São Paulo. Nessa data, foi fundada a Cooperativa de Trabalho Social de Profissionais Especiais - Cooper Social, a primeira cooperativa de pessoas com necessidades especiais do País.

A Cooper Social tem como objetivo divulgar e intermediar junto ao empresariado a capacidade laborativa das pessoas portadoras de deficiência, geralmente excluídas do setor produtivo por desconhecimento de suas habilidades e particularidades.

Para o analista de sistemas, Ronaldo Monteiro Cassares, um de seus fundadores, “a Cooper Social foi a alternativa mais apropriada ao momento e à realidade do mercado de trabalho em nosso País, onde os encargos trabalhistas são onerosos e desestimulam contratações pelo regime da CLT.”

Pois, segundo ele, “o cooperativismo amplia a oferta de vagas e possibilita a contratação de um deficiente ou qualquer outro profissional para um projeto de trabalho, com tempo determinado, sem vínculo empregatício com a empresa ou mesmo com a cooperativa, e garante a qualidade dos serviços prestados, já que todos os cooperados são donos do negócio e têm interesse em vê-lo prosperar”.

Atuação

A Cooper Social opera por meio de Projetos de Trabalho, que envolvem mão-de-obra de portadores de deficiência, bem como de assessoria para a inclusão durante sua implantação.

Em entrevista ao jornal Conviva, uma de suas fundadoras e hoje diretora de Projetos, Sandra Taioli, detalha as ações desenvolvidas.

“A Cooper Social é gerenciada por um Conselho Administrativo (presidente, vice, secretária, diretora de projetos e diretor financeiro) que, a partir das necessidades do mercado de trabalho, propõe e desenvolve projetos específicos que atendam à demanda. Também fazem parte da Cooper Social todos os cooperados cadastrados, ou seja, profissionais deficientes físicos à procura do primeiro emprego ou desempregados. Os projetos são oferecidos às empresas, que os compram por um valor correspondente aos serviços prestados e à quantidade de dias contratados. Os tributos e taxas obrigatórios são debitados da quantia paga à Cooperativa e o valor restante é dividido entre os profissionais que participaram do projeto”.

A Cooper Social oferece também, antes e durante a implantação de cada projeto, assessoria relativa ao processo de inserção das pessoas portadoras de necessidades especiais no ambiente de trabalho da empresa. Dessa maneira, se procura prevenir situações paternalistas ou preconceituosas, que poderiam impedir ou dificultar a qualidade dos serviços prestados pelos cooperados.

Projetos

A Cooper Social já tem formatados e prontos para serem vendidos projetos de Telemarketing e de Massagem in company. O do Painel Sensorial (degustativo), seu projeto pioneiro, atualmente está sendo desenvolvido por 13 deficientes visuais em uma multinacional, especializada em aromas e fragrâncias. “Todos os produtos dessa indústria que vão para o mercado e que têm aroma, nós testamos”, esclarece a diretora de Projetos.

O Painel Sensorial (olfativo) é um dos principais projetos da Cooper Social e está associado a duas grandes indústrias do ramo de cosméticos e perfumaria, onde tudo começou. Durante aproximadamente dois anos, 15 deficientes visuais “emprestaram” seu olfato para a análise e avaliação das fragrâncias quanto à intensidade, volatilidade e outros itens importantes para os produtos que seriam fabricados, com resultados plenamente satisfatórios para ambas as partes envolvidas – contratantes e contratados.

As empresas e os profissionais deficientes físicos interessados em obter mais informações sobre a Cooper Social podem entrar em contato através do E-mail: coopersocial@yahoo.com.br ou do telefone de sua presidente, Siomara Manara: 11 9634-0382.


BRAILLE VIRTUAL

A Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP) está disponibilizando um programa específico para ensinar a leitura braille para pessoas que enxergam, sejam crianças, jovens ou adultos.

Trata-se do Braille Virtual, um curso que pode ser salvo em disquete e usado fora da internet, é gratuito e funciona em computadores de poucos recursos.

O Braille Virtual proporciona a aprendizagem do sistema braille em poucas horas, de maneira simples e rápida. Por meio de uma animação gráfica lúdica, bastante colorida e ágil, são apresentadas a célula braille, as combinações dos 6 pontos que resultam em 63 combinações e representam as letras do nosso alfabeto (latino), os sinais de pontuação, os números, a notação musical e científica e uma breve história sobre Louis Braille, o jovem francês cego que criou esse código universal de leitura tátil e de escrita em 1825.

O Braille Virtual é um produto inovador, fruto de pesquisas desenvolvidas por educadores da FEUSP, que atuam na área da deficiência visual, preocupados com a educação inclusiva.

Para instalar uma versão off-line, basta entrar no site
http://www.braillevirtual.fe.usp.br/, na área de download.



NOSSOS TALENTOS

Uma jornalista que nasceu para ser radialista. Esta é Maria Lúcia do Nascimento, mais conhecida como Lúcia. Lucinha, para os amigos. Formada em Jornalismo pela Faculdade Integrada Alcântara Machado (Fiam), ela escolheu essa carreira por causa de sua paixão pelo rádio. “Sonhava apresentar programas de prestação de serviço e entretenimento em emissoras AM”, ela conta.

Ao longo do curso, foi percebendo que não precisava ter visibilidade (no caso, audibilidade), ser famosa, conhecida, para ser uma boa jornalista. Então, e por trabalhar na Secretaria Municipal da Saúde, começou a fazer pautas sobre saúde.

Quando conheceu o Conviva, em seus primórdios, no ano de 1997, cursava o último ano da faculdade e se ofereceu como colaboradora para a seção

Prevenção, que trata das doenças mais freqüentes entre nossa população e como preveni-las.

Hoje, Lúcia cobre também todos os eventos da Adeva e é a colaboradora voluntária mais freqüente e engajada do jornal. “Sinto que, por ser jornalista, meus textos têm mais credibilidade; isso me motiva e me deixa super feliz”, ela declara!

A Adeva, ela conheceu em 1996, onde fez seu primeiro curso de informática. Em função dos trabalhos acadêmicos, teve que aprender a lidar com o computador e com o DosVox, um software leitor de tela para pessoas cegas.

Lúcia tem deficiência visual congênita (retinose pigmentar), agravada pelo ceratocone, uma doença da córnea.

Depois disso, concluiu vários outros cursos oferecidos pela entidade: Word, Internet, Excel Básico e Avançado, Virtual Vision 4.0, Preparação para o Trabalho e Relações Interpessoais.

Está terminando o de Estenotipia TAC, Transcrição Assistida por Computador, que tem duração de um ano. Apesar de considerar o curso difícil e trabalhoso, se diz “muito satisfeita com mais esse aprendizado”. A Estenotipia é uma técnica de digitação que produz legendas televisivas (closed caption) em tempo real para deficientes auditivos, e é usada em audiências, depoimentos, debates, palestras, pois consegue capturar até 200 palavras por minuto. A profissão de estenotipista, ainda incipiente no Brasil, é bem remunerada e tem um grande mercado de trabalho a ser explorado.

Já foi diretora de Relações Públicas da Adeva, entre 2000 e 2002, e atualmente ocupa o cargo de 2ª Diretora de Relações Públicas.

Além de todas essas atividades, ela desempenha com muito profissionalismo a função de telefonista da Prefeitura de São Paulo, na Secretaria de Saúde.

Aqui ela nos revela seus segredos para bem viver.

Sua filosofia de vida: Ser útil da melhor maneira possível.

O que faz nas horas vagas: Ouço rádio e navego na Internet.

Seu hobby: Caminhar.

A comida preferida: Arroz, feijão, bife e batatas fritas.

O que faria se fosse presidente por um dia: Criaria leis de incentivo às empresas que empregassem deficientes.

Sua preferência musical: Não tenho nenhum preconceito. Ouço todo tipo de música, desde Leonardo até Chico Buarque. O meu preferido, entretanto, ainda é o Rei Roberto, principalmente, as suas músicas antigas.

O que assiste na televisão: Gosto de ouvir debates esportivos e alguns telejornais.

O que ouve no rádio: O Show da Manhã, da Rádio Jovem Pan, que obedece direitinho o slogan da emissora: música, esporte e notícia.

Seu signo: Virgem.

Idade: 39 anos.

O que é Deus: Fonte da vida e do amor.

E sua família: Um privilégio.

O que pensa sobre a vida: O maior e melhor dom dado por Deus.

O que é o amor: Deus.

Motivo para agradecer: ter meus pais ainda vivos ao meu lado.

Seu sonho: Trabalhar como jornalista em algum grande veículo de comunicação.

O que pensa sobre o deficiente no Brasil: Infelizmente, ainda é super discriminado, principalmente no mercado de trabalho. O brasileiro tem muito que aprender sobre a nossa capacidade. Nós não precisamos de piedade, mas, sim, de oportunidades.

Sobre preconceito: Uma burrice do ser humano.

O que fazer para viver melhor: É preciso ter paz, saúde e grandes amigos.


RECEITA

NUVEM ROSADA

Ingredientes:
2 caixas de gelatina sabor morango
1 vidro de leite de coco
2 claras
5 colheres de açúcar

Modo de fazer:
Dissolver as gelatinas em água quente e esperar esfriar. Bater as duas claras em neve e ir acrescentando o açúcar. Quando estiver em ponto de suspiro, reservar. Misturar a gelatina fria, o leite de coco e as claras vagarosamente. Colocar em um pirex e levar à geladeira. Servir gelado.

*Receita do Curso de Culinária da Adeva, ministrado pela profª Yacopina Valdenini Resende.



OS BECOS

A avenida é a avenida
Os becos são os becos em torno da avenida
A avenida é referência
Os becos, não se acham, nem nome eles têm
No mapa estão em números, um atrás do outro
Não se tornaram homenagem a nenhum célebre morto
Mas não são desconhecidos desta gente que transita pelas
Ruas e vielas da minha vila periférica

Jovens vão pra escola
Senhores, pro trabalho
Senhoras vão e vem do açougue ao armazém
Levam e buscam os pequeninos, num contínuo vai-e-vem

Crianças jogam bola, camisa contra sem
Passarinhos fazem ninhos
Cachorros se acasalam
Gato corre atrás de rato
Bola de gude no buraco
No céu, guerra de pipas
Rabiolas coloridas
Água da chuva lava o chão
E quando vem mais forte dá um medo, chama a atenção

O carteiro nos conhece, "seu Souza, é pro senhor"
As vizinhas trocam bolos
Tudo feito com amor

Se nós não vamos às compras, elas vêm de caminhão
Pamonha, frutas, peixes, cobertor
Tudo ali bem no portão

A avenida é a avenida
A avenida é referência
Na avenida tem mais trânsito
Mas nos becos tem mais vida

Sidney Tobias de Souza


O QUE VOU SER QUANDO CRESCER?

Seu nome é Glenda Felippe Silva dos Santos, 28 anos, casada, NUTRICIONISTA.

Formada pelo Centro Universitário São Camilo, de São Paulo, ela completou a faculdade de Nutrição em 1998. O curso possibilita aos graduados atuar em restaurantes industriais de empresas, em hospitais, em órgãos de saúde pública, em clubes, associações particulares ou do Terceiro Setor nas diversas atividades voltadas à saúde e à qualidade de vida.

Glenda trabalha em um posto do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), no setor de Reabilitação Profissional, como técnica previdenciária, participa de simpósios e cursos sobre Nutrição, como forma de se manter atualizada, dá palestras e é voluntária na Associação Nacional de Assistência ao Diabético - Anad, onde oferece orientação nutricional e esclarece as dúvidas de pacientes adultos e crianças diabéticos (“minha verdadeira paixão”).

No próximo número do Conviva, inicia uma seção com dicas de boa alimentação. Mas nem tudo foram rosas em sua vida profissional.

No final de 1995, durante o segundo ano da faculdade, perdeu parte da visão por problemas na retina. Em julho de 1996, depois de algumas cirurgias, o problema se agravou e precisou se adaptar à realidade de uma deficiente visual. Teve que reaprender a andar, a comer, a se vestir, e aprender a ler e escrever em braille.

Concluído o curso de Nutrição, saiu à procura de emprego, mas engravidou no final de 1999. Quando seu filho nasceu, interrompeu por um tempo a carreira para se adaptar a mais esse novo fato – ser mãe.

Em 2001, reiniciou sua busca por um trabalho como nutricionista. Diante das dificuldades, que chegaram a lhe causar depressão e desequilíbrio glicêmico, resolveu se inscrever em um concurso público.

“Foi a maneira que encontrei para provar meu potencial, sem sofrer a interferência de avaliações preconceituosas. O sucesso ou o fracasso só dependeriam de meu desempenho e empenho pessoal”, ela conta.

Em 2003, foi aprovada no concurso do INSS e tudo começou a mudar, tomar o rumo sonhado.

Hoje suas expectativas para o futuro são 100% otimistas e seu maior sonho é ser Doutorada em Nutrição.

Serviço

Nutrição é a ciência que investiga e controla a relação homem-alimento para preservar a saúde humana. O curso tem duração média de quatro anos. A Fuvest oferece 80 vagas (40 matutino e 40 noturno) para o curso de Nutrição (10 semestres), da Faculdade de Saúde Pública – USP, e 30 vagas (matutino) para o curso de Nutrição e Metabolismo (10 semestres), da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP. Há emprego no Brasil inteiro, mas a Região Sudeste desponta pela maior oferta de empregos. Salário médio mensal: R$ 900.


NOTA

Na companhia de seus associados, colaboradores e parceiros, a Adeva comemorou com um churrasco, no último dia 23 de outubro, dois eventos importantes de sua história: os 26 anos de fundação – foi em 9 de agosto de 1978 –, e os três anos do Centro de Treinamento Mário Covas – inaugurado dia 4 de outubro de 2001.


PARAOLIMPÍADAS

O Brasil terminou os XII Jogos Paraolímpicos de Atenas em 14º lugar, quatro posições à frente da campanha na XXVIII Olimpíada. Foi sua melhor campanha em uma Paraolimpíada, com 33 medalhas - 14 de ouro, 12 de prata e sete de bronze.

Na Olimpíada, também com a sua melhor campanha, o Brasil foi o 18º - quatro de ouro, três de prata e três de bronze.

Entre os dois eventos, não são apenas os números que diferem. A competitividade também é bastante desigual. Karla Cardoso, deficiente visual, por exemplo, fez apenas duas lutas para conseguir a primeira medalha do Brasil, uma prata no judô. Na Olimpíada, Leandro Guilheiro conquistou um bronze no judô depois de sete lutas.

E quanto ao nível técnico, o cenário vem mudando para melhor. Na natação, as provas paraolímpicas estão cada vez mais equilibradas e os tempos mais próximos dos olímpicos. Nosso herói paraolímpico, Clodoaldo Francisco da Silva, de 25 anos, que nasceu com paralisia cerebral e sem os movimentos das pernas, se tornou o maior nome do Brasil na natação masculina, com seis medalhas de ouro, uma de prata e quatro recordes mundiais.

O sucesso de alguns países na Paraolimpíada de Atenas se deve, garantem os especialistas no assunto, a maiores investimentos, que beneficiaram até mesmo o Brasil, um país sem políticas públicas comprometidas com o esporte. Graças à Lei Piva*, o esporte paraolímpico brasileiro recebeu nos últimos três anos, quase R$ 30 milhões. Ainda é pouco em comparação aos R$ 170 milhões que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) recebeu no período. Mas foi o suficiente para aumentar em 50% o número de medalhas conquistadas em Sydney.

História

O esporte para portadores de deficiência nasceu no Brasil em 1958, quando o paraplégico Robson de Almeida Sampaio fundou o Clube do Otimismo, na cidade do Rio de Janeiro.

Em 1975, foi fundada a Ande – Associação Nacional de Desporto para Excepcional, que agregava todo tipo de deficiência, hoje, Associação Nacional de Desportos para Deficientes, destinada apenas aos atletas vítimas de paralisia cerebral.

Impulsionadas pela Ande, foram criadas a Associação Brasileira de Desportos para Cegos (ABDC), a Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS), a Associação Brasileira de Desporto para Amputados (ABDA), a Associação Brasileira de Desporto em Cadeira de Rodas (Abradecar) e a Associação Brasileira de Desportos para Deficientes Mentais (Abdem).

Em 1995, foi criado o Comitê Paraolímpico Brasileiro, mas a primeira participação do Brasil em jogos paraolímpicos foi muito antes, em 1972, em Heidelberg (Alemanha).

* Sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, em 16 de julho de 2001, a Lei nº 10.264 - conhecida como Lei Agnelo/Piva por causa do nome de dois de seus autores, o senador Pedro Piva (PSDB-SP) e o então deputado federal e atual ministro do Esporte Agnelo Queiroz (PC do B-DF) - estabelece que 2% da arrecadação bruta de todas as loterias federais do país sejam repassados ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e ao Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB). Deste montante, 72,25% são destinados ao COB e às Confederações Brasileiras Olímpicas. Ao CPB são destinados 15% e 12,75% ficam para esporte escolar e universitário.


PARCEIROS

Uma nova fase de trabalho conjunto se inicia entre a Adeva e duas antigas colaboradoras: a Fundação Vitae e a Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho – Sert/SP. Entre os meses de agosto e setembro, os contratos de parceria com essas duas organizações foram renovados, o que possibilita a continuidade da oferta de cursos gratuitos de informática e educação continuada para portadores de deficiência visual.

Para essa nova etapa de parceria, estão programados cursos de Excel, Word, Windows, Virtual Vision, Jaws, Javascript, Internet, HTML, Estenotipia, Português e Inglês. As inscrições estão abertas e podem ser feitas com Sandra Maciel, pelo telefone: 11 3667-5210.

A Fundação Vitae é uma associação civil sem fins lucrativos, que apóia projetos nas áreas de Cultura, Educação e Promoção Social e a Sert/SP é um órgão público que, através de seu Programa de Qualificação Profissional, oferece oportunidade de treinamento e capacitação com vistas às novas exigências do mercado de trabalho.


ERRATA

Na matéria “Olhos de Brinquedo”, Conviva nº 23 (jul./agos.), o valor de U$ 700 corresponde ao preço de uma máquina de escrever braille Perkins. A máquina de impressão braille custa US$ 7.000.



VOTO DO DEFICIENTE CONTINUA OBRIGATÓRIO

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral - TSE, ministro Sepúlveda Pertence, recebeu em audiência, no último dia 2 de setembro, o presidente do Conselho
Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência - Conade, o chefe de gabinete da Secretaria Especial dos Direitos Humanos e a coordenadora-geral da Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência – Corde.

Na oportunidade, os representantes externaram sua preocupação com a veiculação na mídia de que o TSE tornaria facultativo o voto do portador de deficiência com dificuldade de locomoção.

Solicitaram que o mais importante é garantir o voto desse segmento através da exigência do próprio Tribunal de adaptações nas seções eleitorais, pois qualquer decisão de tornar o voto do deficiente facultativo incentivará o Estado a não proceder às adaptações e reformas necessárias nos prédios de uso público, além de provocar na sociedade a sensação de que a pessoa tetraplégica e a cega são inválidas, o que não é verdade.

Esclareceram que a legislação já garante às pessoas impossibilitadas por doença ou deficiência grave de não comparecerem à seção eleitoral para votar, tendo apenas de comunicarem ao juiz eleitoral da zona essa sua situação singular.

O Ministro ouviu atentamente as considerações dos representantes dos portadores de deficiência e afirmou que o voto das pessoas com deficiência continua obrigatório e que somente em casos excepcionais e dependendo de requerimento do interessado e comprovação de impossibilidade é que o eleitor será dispensado de votar.

O Ministro também se comprometeu a agendar audiência do Conade com o Ministro Gilmar Mendes, relator da matéria, a fim de que o TSE fique bem esclarecido sobre os aspectos e peculiaridades das deficiências que atingem vários cidadãos brasileiros.

Fonte: Secretaria Executiva, Conade, (61) 429-3673 ou (61) 8125-1929.


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De segunda a sexta, das 8h às 22h. Oferece grupo de reflexão com acompanhamento de uma psicóloga, sobre a escolha profissional. Para jovens que estejam cursando o ensino médio e para universitários insatisfeitos com o curso escolhido. O processo tem a duração de sete encontros de duas horas e meia, uma vez por semana.
É preciso se cadastrar, levando comprovante de escolaridade, das 8h às 11h30 ou das 13h às 16h. É gratuito para alunos de escolas públicas e custa R$ 420 para alunos de escolas particulares.

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Telefone: 3654-1313 – www.sos.org.br - das 11h às 20h. Serviço telefônico que oferece apoio psicológico através de bate-papo de acolhimento, orientação e encaminhamento para os órgãos específicos de atendimento psicológico.


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Informações: 11 3667-5210, com Sandra, e 11 3151-5761 / 3151-4125, com Edvando.

©PRONTO-SOCORRO DO TEXTO
Elaboração, Revisão e Digitação
de qualquer escrita em Língua Portuguesa
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Rua Antonio Carlos, 582 - cj. 1B - CEP 01309-010, São Paulo (SP) - Tel.: 11 3257-1152 - Fax: 11 3257-2874 - www.bkinformatica.com E-mail: bk@bkinformatica.com

CLÍNICA VETERINÁRIA SANTA TEREZINHA
• Clínica Médica • Clínica Cirúrgica • Banho • Tosa
Rua Dom Henrique Mourão, 240 - Santa Terezinha, CEP 02405-030, São Paulo (SP) - tel./fax: 11 6283-0115. Desconto especial para os associados da Adeva em dia com o pagamento da anuidade.

GARILLI
Pré-impressão e Impressão
Garilli – http://www.garilli.com.br - tel.: 11 6694-3288

Expediente

Jornalista responsável: Liane Constantino (MTb 15.185)

Colaboradores: Celso de Oliveira, Lúcia Nascimento (MTb 29.273), Mara Alves, Markiano Charan Filho, Sandra Maria de Sá Brito Maciel, Sidney Tobias de Souza.

Correspondência:
Praça da Bandeira, 61, cj. 61
CEP 01007-020 - São Paulo (SP)
Telefone: 11 3151-5761, 3151-4125
Fax: 11 3151-3603
E-mail: adeva@adeva.org.br
Site: http://www.adeva.org.br
Editoração: Fernanda Lorenzo
Revisão: Célia Aparecida Ferreira
Fotolitos e Impressão: cortesia Garilli Gráfica Editora Ltda.
Tel.: 11 6694-3288
E-mail: garilli@garilli.com.br
Tiragem: 1.000 exemplares
Distribuição gratuita