EDITORIAL
O perigo das guloseimas
Sorvetes, balas, bolachas, salgadinhos, hambúrgueres,
batata-frita. Tudo muito gostoso. Mas, como
já diziam nossas avós, engorda
e não faz bem.
Vivemos em uma cultura neuroticamente consumista
e o hábito de ingerir em excesso essas
guloseimas, que contêm grande quantidade
de açúcar e gordura, vem causando
o aparecimento de doenças graves. A
obesidade, por exemplo, que mata precocemente
300.000 pessoas nos Estados Unidos por ano
e, no Brasil, cerca de 70.000.
Porém, há um outro tipo de pitéu
tão ou mais prejudicial do que os ingeridos
pela boca.
São as guloseimas sociais, de leve
sabor paternalista, oferecidas às minorias
– índios, afro-descendentes,
mulheres, homossexuais e deficientes.
Para os deficientes visuais têm passagem
gratuita nos ônibus, no metrô
e em aeronaves, isenção de imposto
na compra de carro, ingresso em teatro de
graça, legislações específicas,
concessão de cota disto, daquilo e
daqueloutro.
Satisfeitos com essas “delícias”,
os deficientes se calam e esquecem de reivindicar
o alimento que realmente sustenta: educação
pública de qualidade, serviços
de saúde eficientes, meios de transporte
coletivos adaptados, ruas sem buracos, obediência
às normas de acessibilidade e sinalização
em espaços públicos, campanhas
nacionais para erradicar o preconceito.
Não percebem que essas “dádivas”
perpetuam situações discriminatórias
na família, na escola, no trabalho
e impedem seu acesso à cidadania plena,
pois tentam apenas superar desigualdades historicamente
acumuladas.
Esquecem de exigir medidas estruturais de
longo alcance que proporcionem condições
e oportunidades iguais a todos os cidadãos
para concorrer a um lugar digno na sociedade
e no mercado de trabalho.
Já está na hora de nós,
deficientes, pararmos de ser incoerentes e
lutarmos por DIREITOS. Se nos contentarmos
tão somente com guloseimas, não
chegaremos à conquista do devido respeito
que almejamos. Aceitar privilégios
acabará por nos levar à perda
do pequeno espaço que hoje ocupamos
e que foi tão difícil conquistar.
Como poderemos reclamar de algo pelo qual
não pagamos?
E, para finalizar esta reflexão, cabe
lembrar a frase de uma canção
do Rei do Baião, o compositor e cantor
Luiz Gonzaga:
“Seu doutor, uma esmola a um homem que
é são, ou me mata de vergonha
ou vicia o cidadão”.
Markiano Charan Filho, diretor-presidente
da Adeva
INTERNET
www.votoconsciente.org.br
- Site da entidade cívica e apartidária
Voto Consciente, fundada em 1987, formada
por voluntários que acompanham o desempenho
dos vereadores das Câmaras Municipais
e dos deputados da Assembléia Legislativa
de São Paulo. A Voto Consciente oferece
também educação política
por meio de cursos, palestras, fóruns
deliberativos.
http://www.uol.com.br/remedios
- Versão on-line da publicação
Guia de Remédios, que traz informações
para o público leigo sobre 900 substâncias
ativas que compõem os principais remédios
comercializados em farmácias e drogarias.
O endereço tem também links
para instituições públicas
de saúde, indústrias farmacêuticas
e para sites que tratam de doenças
como diabetes, asma, lupus, transtornos do
pânico, etc.
www.interpalco.com.br
- Site com notícias do mundo teatral
brasileiro, relação das peças
em cartaz no País, indicação
de livros sobre o assunto, entrevistas com
atores. Indica também cursos, faculdades
de arte cênica e oferece download de
textos teatrais.
www.aiquefome.com.br
- O Ai Que Fome facilita o pedido de comida
pela internet nas cidades de São Paulo,
Curitiba, Rio de Janeiro, Niterói e
Vitória, selecionando o estabelecimento
por área ou por especialidade. Uma
vez escolhido o estabelecimento, o interessado
pode consultar o cardápio de pratos,
com fotos e preços e fazer o pedido
on-line.
ANOTE
Nossos recomendados!
O ROSÁRIO – Romance de Florence
Louisa Barclay, Ed. Nacional, transcrito em
braille, dois volumes. Biblioteca Braille
do Centro Cultural São Paulo, na rua
Vergueiro, 1000, telefone: 11 3277-3611.
TOBY E OS MISTÉRIOS DA FLORESTA –
Livro infantil da jornalista Gisele Pecchio
Dias, para crianças acima de sete anos.
A obra saiu primeiro em braille (com distribuição
gratuita para bibliotecas especializadas),
impressa pelo Instituto de Cegos Padre Chico,
cujos alunos e professores têm seus
comentários publicados na contracapa.
A autora oferece palestras gratuitas em escolas
e entidades. Contatos pelo telefone: 11-3682-2000
ou E-mail: gisele.jorn@uol.com.br
CAFÉ FILOSÓFICO – Série
de programas sobre os mais variados assuntos
(A Pornografia; O pensamento do século
XX; Freud e a Psicanálise, etc.), apresentados
por estudiosos dos temas, com a curadoria
do prof. Renato Janine Ribeiro, da Faculdade
de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
da Universidade de São Paulo. TV Cultura,
domingo, às 21h30.
DOMINGO NA PAULISTA – Projeto de iniciativa
da Prefeitura de São Paulo e da Associação
Paulista Viva, que transforma a avenida Paulista,
todos os domingos, das 8h às 14h, em
uma rua de lazer. Em 23 estações,
montadas no trecho entre a Alameda Casa Branca
e a Rua Pamplona (onde se localizam o Masp,
o Parque Trianon e suas tradicionais feiras
de artesanato), são oferecidas gratuitamente
atividades de lazer e recreação
para todas as idades.
PARA CAYMMI – CD em homenagem aos 90
anos de Dorival Caymmi, comemorados em 30
de abril deste ano, com canções
do compositor interpretadas por seus filhos
Nana, Dori e Danilo. Gravadora EMI, 2004.
PLUG 700 – Programa que apresenta o
mundo da informática e dos computadores
sem sustos e sem mistérios, com o bom-humor
dos professores Pierluigi Piazzi e Tarcisio
de Carvalho. Rádio Eldorado AM, 700
kHz, sábado, das 13h às 14h
e às 20 horas; domingos, às
21 horas.
OLGA – Baseado no livro Olga, de Fernando
Morais, o filme mostra a vida de Olga Benário,
mulher do revolucionário brasileiro
Luiz Carlos Prestes, enviada a um campo de
concentração nazista onde morreu
em 1942. Direção: Jayme Monjardim.
Elenco: Camila Morgado, Caco Ciocler, Fernanda
Montenegro, Osmar Prado, Eliane Giardini.
Drama, Brasil, 141 min, 2004. Em várias
salas do circuito comercial.
PREVENÇÃO
Conjuntivite, uma doença do verão
A conjuntivite
é uma inflamação da conjuntiva,
membrana que reveste o “branco”
do olho, que causa alterações
na córnea e nas pálpebras.
Não é uma afecção
grave, mas é transmissível,
e por isso deve ser tratada para que não
ocasione uma epidemia, muito comum durante
os meses de verão.
A conjuntivite pode ter causa alérgica
(sazonal), devido a alergia à polens,
viral, bacteriana ou ser provocada por irritação
química, mas somente as infecciosas
(virais e bacterianas) são contagiosas
e as que mais freqüentemente causam surtos
epidêmicos.
A falta de cuidado pode fazer um aperto de
mão se transformar em uma conjuntivite.
A contaminação ocorre com maior
facilidade em ambientes coletivos como escolas,
creches, fábricas, transportes coletivos.
Sintomas
Os principais sintomas são olhos avermelhados,
lacrimejamento, sensação de
areia nos olhos, pálpebras inchadas,
secreção (pode ser desde aquosa
até purulenta, dependendo da causa)
nos cantos dos olhos ou nas bordas das pálpebras,
fotofobia (sensibilidade à luz), pálpebras
grudadas ao despertar e visão borrada.
A conjuntivite viral apresenta uma secreção
esbranquiçada e em pouca quantidade.
Leva aproximadamente 15 dias para desaparecer.
A bacteriana produz secreção
amarelada em abundância. Com o tratamento
adequado, se cura em três a cinco dias.
Prevenção
Para evitar a conjuntivite, são necessários
pequenos cuidados de higiene pessoal: lavar
as mãos e o rosto com freqüência,
evitar coçar os olhos, não compartilhar
lençóis, travesseiros, toalhas
e maquiagem, evitar o uso de copos e outros
objetos de uso pessoal de quem está
contaminado e evitar banhos em piscinas públicas.
Tratamento
O tratamento da conjuntivite é simples
e caseiro. Basta ferver de meio a um litro
de água limpa, colocar em um vidro
esterilizado e conservar na geladeira. De
tempo em tempo, umedecer um algodão
com essa água fervida e gelada e lavar
os olhos. Ao acordar, quando as pálpebras
estiverem grudadas, lavar e limpar os olhos
com algodão umedecido. É recomendável
ter sempre as mãos limpas, bem como
trocar as fronhas diariamente.
Se a secreção é amarelada
em abundância, característica
da conjuntivite bacteriana, lavar os olhos
com essa água fervida gelada pode não
bastar. Deve-se, então, procurar um
oftalmologista para um diagnóstico
preciso e para a indicação de
um medicamento adequado.
Fonte: Centro de Vigilância Epidemiológica,
Professor Alexandre Vranjac, da Secretaria
da Saúde do Estado de São Paulo.
UMA COOPERATIVA
MUITO ESPECIAL
Desde 7 de novembro de 2002, uma nova frente
de trabalho está aberta para os portadores
de deficiência na cidade de São
Paulo. Nessa data, foi fundada a Cooperativa
de Trabalho Social de Profissionais Especiais
- Cooper Social, a primeira cooperativa de
pessoas com necessidades especiais do País.
A Cooper Social tem como objetivo divulgar
e intermediar junto ao empresariado a capacidade
laborativa das pessoas portadoras de deficiência,
geralmente excluídas do setor produtivo
por desconhecimento de suas habilidades e
particularidades.
Para o analista de sistemas, Ronaldo Monteiro
Cassares, um de seus fundadores, “a
Cooper Social foi a alternativa mais apropriada
ao momento e à realidade do mercado
de trabalho em nosso País, onde os
encargos trabalhistas são onerosos
e desestimulam contratações
pelo regime da CLT.”
Pois, segundo ele, “o cooperativismo
amplia a oferta de vagas e possibilita a contratação
de um deficiente ou qualquer outro profissional
para um projeto de trabalho, com tempo determinado,
sem vínculo empregatício com
a empresa ou mesmo com a cooperativa, e garante
a qualidade dos serviços prestados,
já que todos os cooperados são
donos do negócio e têm interesse
em vê-lo prosperar”.
Atuação
A Cooper Social opera por meio de Projetos
de Trabalho, que envolvem mão-de-obra
de portadores de deficiência, bem como
de assessoria para a inclusão durante
sua implantação.
Em entrevista ao jornal Conviva, uma de suas
fundadoras e hoje diretora de Projetos, Sandra
Taioli, detalha as ações desenvolvidas.
“A Cooper Social é gerenciada
por um Conselho Administrativo (presidente,
vice, secretária, diretora de projetos
e diretor financeiro) que, a partir das necessidades
do mercado de trabalho, propõe e desenvolve
projetos específicos que atendam à
demanda. Também fazem parte da Cooper
Social todos os cooperados cadastrados, ou
seja, profissionais deficientes físicos
à procura do primeiro emprego ou desempregados.
Os projetos são oferecidos às
empresas, que os compram por um valor correspondente
aos serviços prestados e à quantidade
de dias contratados. Os tributos e taxas obrigatórios
são debitados da quantia paga à
Cooperativa e o valor restante é dividido
entre os profissionais que participaram do
projeto”.
A Cooper Social oferece também, antes
e durante a implantação de cada
projeto, assessoria relativa ao processo de
inserção das pessoas portadoras
de necessidades especiais no ambiente de trabalho
da empresa. Dessa maneira, se procura prevenir
situações paternalistas ou preconceituosas,
que poderiam impedir ou dificultar a qualidade
dos serviços prestados pelos cooperados.
Projetos
A Cooper Social já tem formatados e
prontos para serem vendidos projetos de Telemarketing
e de Massagem in company. O do Painel Sensorial
(degustativo), seu projeto pioneiro, atualmente
está sendo desenvolvido por 13 deficientes
visuais em uma multinacional, especializada
em aromas e fragrâncias. “Todos
os produtos dessa indústria que vão
para o mercado e que têm aroma, nós
testamos”, esclarece a diretora de Projetos.
O Painel Sensorial (olfativo) é um
dos principais projetos da Cooper Social e
está associado a duas grandes indústrias
do ramo de cosméticos e perfumaria,
onde tudo começou. Durante aproximadamente
dois anos, 15 deficientes visuais “emprestaram”
seu olfato para a análise e avaliação
das fragrâncias quanto à intensidade,
volatilidade e outros itens importantes para
os produtos que seriam fabricados, com resultados
plenamente satisfatórios para ambas
as partes envolvidas – contratantes
e contratados.
As empresas e os profissionais deficientes
físicos interessados em obter mais
informações sobre a Cooper Social
podem entrar em contato através do
E-mail: coopersocial@yahoo.com.br ou do telefone
de sua presidente, Siomara Manara: 11 9634-0382.
BRAILLE
VIRTUAL
A Faculdade de Educação da Universidade
de São Paulo (FEUSP) está disponibilizando
um programa específico para ensinar
a leitura braille para pessoas que enxergam,
sejam crianças, jovens ou adultos.
Trata-se do Braille Virtual, um curso que
pode ser salvo em disquete e usado fora da
internet, é gratuito e funciona em
computadores de poucos recursos.
O Braille Virtual proporciona a aprendizagem
do sistema braille em poucas horas, de maneira
simples e rápida. Por meio de uma animação
gráfica lúdica, bastante colorida
e ágil, são apresentadas a célula
braille, as combinações dos
6 pontos que resultam em 63 combinações
e representam as letras do nosso alfabeto
(latino), os sinais de pontuação,
os números, a notação
musical e científica e uma breve história
sobre Louis Braille, o jovem francês
cego que criou esse código universal
de leitura tátil e de escrita em 1825.
O Braille Virtual é um produto inovador,
fruto de pesquisas desenvolvidas por educadores
da FEUSP, que atuam na área da deficiência
visual, preocupados com a educação
inclusiva.
Para instalar uma versão off-line,
basta entrar no site
http://www.braillevirtual.fe.usp.br/, na área
de download.
NOSSOS TALENTOS
Uma jornalista que nasceu para ser radialista.
Esta é Maria Lúcia do Nascimento,
mais conhecida como Lúcia. Lucinha, para
os amigos. Formada em Jornalismo pela Faculdade
Integrada Alcântara Machado (Fiam), ela
escolheu essa carreira por causa de sua paixão
pelo rádio. “Sonhava apresentar
programas de prestação de serviço
e entretenimento em emissoras AM”, ela
conta.
Ao longo do curso, foi percebendo que não
precisava ter visibilidade (no caso, audibilidade),
ser famosa, conhecida, para ser uma boa jornalista.
Então, e por trabalhar na Secretaria
Municipal da Saúde, começou a
fazer pautas sobre saúde.
Quando conheceu o Conviva, em seus primórdios,
no ano de 1997, cursava o último ano
da faculdade e se ofereceu como colaboradora
para a seção
Prevenção, que trata das doenças
mais freqüentes entre nossa população
e como preveni-las.
Hoje, Lúcia cobre também todos
os eventos da Adeva e é a colaboradora
voluntária mais freqüente e engajada
do jornal. “Sinto que, por ser jornalista,
meus textos têm mais credibilidade; isso
me motiva e me deixa super feliz”, ela
declara!
A Adeva, ela conheceu em 1996, onde fez seu
primeiro curso de informática. Em função
dos trabalhos acadêmicos, teve que aprender
a lidar com o computador e com o DosVox, um
software leitor de tela para pessoas cegas.
Lúcia tem deficiência visual congênita
(retinose pigmentar), agravada pelo ceratocone,
uma doença da córnea.
Depois disso, concluiu vários outros
cursos oferecidos pela entidade: Word, Internet,
Excel Básico e Avançado, Virtual
Vision 4.0, Preparação para o
Trabalho e Relações Interpessoais.
Está terminando o de Estenotipia TAC,
Transcrição Assistida por Computador,
que tem duração de um ano. Apesar
de considerar o curso difícil e trabalhoso,
se diz “muito satisfeita com mais esse
aprendizado”. A Estenotipia é uma
técnica de digitação que
produz legendas televisivas (closed caption)
em tempo real para deficientes auditivos, e
é usada em audiências, depoimentos,
debates, palestras, pois consegue capturar até
200 palavras por minuto. A profissão
de estenotipista, ainda incipiente no Brasil,
é bem remunerada e tem um grande mercado
de trabalho a ser explorado.
Já foi diretora de Relações
Públicas da Adeva, entre 2000 e 2002,
e atualmente ocupa o cargo de 2ª Diretora
de Relações Públicas.
Além de todas essas atividades, ela desempenha
com muito profissionalismo a função
de telefonista da Prefeitura de São Paulo,
na Secretaria de Saúde.
Aqui ela nos revela seus segredos para bem viver.
Sua filosofia de vida: Ser útil da melhor
maneira possível.
O que faz nas horas vagas: Ouço rádio
e navego na Internet.
Seu hobby: Caminhar.
A comida preferida: Arroz, feijão, bife
e batatas fritas.
O que faria se fosse presidente por um dia:
Criaria leis de incentivo às empresas
que empregassem deficientes.
Sua preferência musical: Não tenho
nenhum preconceito. Ouço todo tipo de
música, desde Leonardo até Chico
Buarque. O meu preferido, entretanto, ainda
é o Rei Roberto, principalmente, as suas
músicas antigas.
O que assiste na televisão: Gosto de
ouvir debates esportivos e alguns telejornais.
O que ouve no rádio: O Show da Manhã,
da Rádio Jovem Pan, que obedece direitinho
o slogan da emissora: música, esporte
e notícia.
Seu signo: Virgem.
Idade: 39 anos.
O que é Deus: Fonte da vida e do amor.
E sua família: Um privilégio.
O que pensa sobre a vida: O maior e melhor dom
dado por Deus.
O que é o amor: Deus.
Motivo para agradecer: ter meus pais ainda vivos
ao meu lado.
Seu sonho: Trabalhar como jornalista em algum
grande veículo de comunicação.
O que pensa sobre o deficiente no Brasil: Infelizmente,
ainda é super discriminado, principalmente
no mercado de trabalho. O brasileiro tem muito
que aprender sobre a nossa capacidade. Nós
não precisamos de piedade, mas, sim,
de oportunidades.
Sobre preconceito: Uma burrice do ser humano.
O que fazer para viver melhor: É preciso
ter paz, saúde e grandes amigos.
RECEITA
NUVEM ROSADA
Ingredientes:
2 caixas de gelatina sabor morango
1 vidro de leite de coco
2 claras
5 colheres de açúcar
Modo
de fazer:
Dissolver as gelatinas em água quente
e esperar esfriar. Bater as duas claras em
neve e ir acrescentando o açúcar.
Quando estiver em ponto de suspiro, reservar.
Misturar a gelatina fria, o leite de coco
e as claras vagarosamente. Colocar em um pirex
e levar à geladeira. Servir gelado.
*Receita do Curso de Culinária da Adeva,
ministrado pela profª Yacopina Valdenini
Resende.
OS BECOS
A avenida é a avenida
Os becos são os becos em torno da avenida
A avenida é referência
Os becos, não se acham, nem nome eles
têm
No mapa estão em números, um atrás
do outro
Não se tornaram homenagem a nenhum célebre
morto
Mas não são desconhecidos desta
gente que transita pelas
Ruas e vielas da minha vila periférica
Jovens
vão pra escola
Senhores, pro trabalho
Senhoras vão e vem do açougue
ao armazém
Levam e buscam os pequeninos, num contínuo
vai-e-vem
Crianças
jogam bola, camisa contra sem
Passarinhos fazem ninhos
Cachorros se acasalam
Gato corre atrás de rato
Bola de gude no buraco
No céu, guerra de pipas
Rabiolas coloridas
Água da chuva lava o chão
E quando vem mais forte dá um medo,
chama a atenção
O carteiro
nos conhece, "seu Souza, é pro
senhor"
As vizinhas trocam bolos
Tudo feito com amor
Se nós
não vamos às compras, elas vêm
de caminhão
Pamonha, frutas, peixes, cobertor
Tudo ali bem no portão
A avenida
é a avenida
A avenida é referência
Na avenida tem mais trânsito
Mas nos becos tem mais vida
Sidney Tobias de Souza
O QUE
VOU SER QUANDO CRESCER?
Seu nome é Glenda Felippe Silva dos
Santos, 28 anos, casada, NUTRICIONISTA.
Formada pelo Centro Universitário São
Camilo, de São Paulo, ela completou
a faculdade de Nutrição em 1998.
O curso possibilita aos graduados atuar em
restaurantes industriais de empresas, em hospitais,
em órgãos de saúde pública,
em clubes, associações particulares
ou do Terceiro Setor nas diversas atividades
voltadas à saúde e à
qualidade de vida.
Glenda trabalha em um posto do Instituto Nacional
de Seguridade Social (INSS), no setor de Reabilitação
Profissional, como técnica previdenciária,
participa de simpósios e cursos sobre
Nutrição, como forma de se manter
atualizada, dá palestras e é
voluntária na Associação
Nacional de Assistência ao Diabético
- Anad, onde oferece orientação
nutricional e esclarece as dúvidas
de pacientes adultos e crianças diabéticos
(“minha verdadeira paixão”).
No próximo número do Conviva,
inicia uma seção com dicas de
boa alimentação. Mas nem tudo
foram rosas em sua vida profissional.
No final de 1995, durante o segundo ano da
faculdade, perdeu parte da visão por
problemas na retina. Em julho de 1996, depois
de algumas cirurgias, o problema se agravou
e precisou se adaptar à realidade de
uma deficiente visual. Teve que reaprender
a andar, a comer, a se vestir, e aprender
a ler e escrever em braille.
Concluído o curso de Nutrição,
saiu à procura de emprego, mas engravidou
no final de 1999. Quando seu filho nasceu,
interrompeu por um tempo a carreira para se
adaptar a mais esse novo fato – ser
mãe.
Em 2001, reiniciou sua busca por um trabalho
como nutricionista. Diante das dificuldades,
que chegaram a lhe causar depressão
e desequilíbrio glicêmico, resolveu
se inscrever em um concurso público.
“Foi a maneira que encontrei para provar
meu potencial, sem sofrer a interferência
de avaliações preconceituosas.
O sucesso ou o fracasso só dependeriam
de meu desempenho e empenho pessoal”,
ela conta.
Em 2003, foi aprovada no concurso do INSS
e tudo começou a mudar, tomar o rumo
sonhado.
Hoje suas expectativas para o futuro são
100% otimistas e seu maior sonho é
ser Doutorada em Nutrição.
Serviço
Nutrição é a ciência
que investiga e controla a relação
homem-alimento para preservar a saúde
humana. O curso tem duração
média de quatro anos. A Fuvest oferece
80 vagas (40 matutino e 40 noturno) para o
curso de Nutrição (10 semestres),
da Faculdade de Saúde Pública
– USP, e 30 vagas (matutino) para o
curso de Nutrição e Metabolismo
(10 semestres), da Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto – USP. Há
emprego no Brasil inteiro, mas a Região
Sudeste desponta pela maior oferta de empregos.
Salário médio mensal: R$ 900.
NOTA
Na companhia de seus associados, colaboradores
e parceiros, a Adeva comemorou com um churrasco,
no último dia 23 de outubro, dois eventos
importantes de sua história: os 26
anos de fundação – foi
em 9 de agosto de 1978 –, e os três
anos do Centro de Treinamento Mário
Covas – inaugurado dia 4 de outubro
de 2001.
PARAOLIMPÍADAS
O Brasil terminou os XII Jogos Paraolímpicos
de Atenas em 14º lugar, quatro posições
à frente da campanha na XXVIII Olimpíada.
Foi sua melhor campanha em uma Paraolimpíada,
com 33 medalhas - 14 de ouro, 12 de prata
e sete de bronze.
Na Olimpíada, também com a sua
melhor campanha, o Brasil foi o 18º -
quatro de ouro, três de prata e três
de bronze.
Entre os dois eventos, não são
apenas os números que diferem. A competitividade
também é bastante desigual.
Karla Cardoso, deficiente visual, por exemplo,
fez apenas duas lutas para conseguir a primeira
medalha do Brasil, uma prata no judô.
Na Olimpíada, Leandro Guilheiro conquistou
um bronze no judô depois de sete lutas.
E quanto ao nível técnico, o
cenário vem mudando para melhor. Na
natação, as provas paraolímpicas
estão cada vez mais equilibradas e
os tempos mais próximos dos olímpicos.
Nosso herói paraolímpico, Clodoaldo
Francisco da Silva, de 25 anos, que nasceu
com paralisia cerebral e sem os movimentos
das pernas, se tornou o maior nome do Brasil
na natação masculina, com seis
medalhas de ouro, uma de prata e quatro recordes
mundiais.
O sucesso de alguns países na Paraolimpíada
de Atenas se deve, garantem os especialistas
no assunto, a maiores investimentos, que beneficiaram
até mesmo o Brasil, um país
sem políticas públicas comprometidas
com o esporte. Graças à Lei
Piva*, o esporte paraolímpico brasileiro
recebeu nos últimos três anos,
quase R$ 30 milhões. Ainda é
pouco em comparação aos R$ 170
milhões que o Comitê Olímpico
Brasileiro (COB) recebeu no período.
Mas foi o suficiente para aumentar em 50%
o número de medalhas conquistadas em
Sydney.
História
O esporte para portadores de deficiência
nasceu no Brasil em 1958, quando o paraplégico
Robson de Almeida Sampaio fundou o Clube do
Otimismo, na cidade do Rio de Janeiro.
Em 1975, foi fundada a Ande – Associação
Nacional de Desporto para Excepcional, que
agregava todo tipo de deficiência, hoje,
Associação Nacional de Desportos
para Deficientes, destinada apenas aos atletas
vítimas de paralisia cerebral.
Impulsionadas pela Ande, foram criadas a Associação
Brasileira de Desportos para Cegos (ABDC),
a Confederação Brasileira de
Desportos de Surdos (CBDS), a Associação
Brasileira de Desporto para Amputados (ABDA),
a Associação Brasileira de Desporto
em Cadeira de Rodas (Abradecar) e a Associação
Brasileira de Desportos para Deficientes Mentais
(Abdem).
Em 1995, foi criado o Comitê Paraolímpico
Brasileiro, mas a primeira participação
do Brasil em jogos paraolímpicos foi
muito antes, em 1972, em Heidelberg (Alemanha).
* Sancionada pelo presidente Fernando Henrique
Cardoso, em 16 de julho de 2001, a Lei nº
10.264 - conhecida como Lei Agnelo/Piva por
causa do nome de dois de seus autores, o senador
Pedro Piva (PSDB-SP) e o então deputado
federal e atual ministro do Esporte Agnelo
Queiroz (PC do B-DF) - estabelece que 2% da
arrecadação bruta de todas as
loterias federais do país sejam repassados
ao Comitê Olímpico Brasileiro
(COB) e ao Comitê Paraolímpico
Brasileiro (CPB). Deste montante, 72,25% são
destinados ao COB e às Confederações
Brasileiras Olímpicas. Ao CPB são
destinados 15% e 12,75% ficam para esporte
escolar e universitário.
PARCEIROS
Uma nova fase de trabalho conjunto se inicia
entre a Adeva e duas antigas colaboradoras:
a Fundação Vitae e a Secretaria
do Emprego e Relações do Trabalho
– Sert/SP. Entre os meses de agosto
e setembro, os contratos de parceria com essas
duas organizações foram renovados,
o que possibilita a continuidade da oferta
de cursos gratuitos de informática
e educação continuada para portadores
de deficiência visual.
Para essa nova etapa de parceria, estão
programados cursos de Excel, Word, Windows,
Virtual Vision, Jaws, Javascript, Internet,
HTML, Estenotipia, Português e Inglês.
As inscrições estão abertas
e podem ser feitas com Sandra Maciel, pelo
telefone: 11 3667-5210.
A Fundação Vitae é uma
associação civil sem fins lucrativos,
que apóia projetos nas áreas
de Cultura, Educação e Promoção
Social e a Sert/SP é um órgão
público que, através de seu
Programa de Qualificação Profissional,
oferece oportunidade de treinamento e capacitação
com vistas às novas exigências
do mercado de trabalho.
ERRATA
Na matéria “Olhos de Brinquedo”,
Conviva nº 23 (jul./agos.), o valor de
U$ 700 corresponde ao preço de uma
máquina de escrever braille Perkins.
A máquina de impressão braille
custa US$ 7.000.
VOTO DO DEFICIENTE CONTINUA OBRIGATÓRIO
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral
- TSE, ministro Sepúlveda Pertence, recebeu
em audiência, no último dia 2 de
setembro, o presidente do Conselho
Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de
Deficiência - Conade, o chefe de gabinete
da Secretaria Especial dos Direitos Humanos
e a coordenadora-geral da Coordenadoria Nacional
para Integração da Pessoa Portadora
de Deficiência – Corde.
Na oportunidade, os representantes externaram
sua preocupação com a veiculação
na mídia de que o TSE tornaria facultativo
o voto do portador de deficiência com
dificuldade de locomoção.
Solicitaram que o mais importante é garantir
o voto desse segmento através da exigência
do próprio Tribunal de adaptações
nas seções eleitorais, pois qualquer
decisão de tornar o voto do deficiente
facultativo incentivará o Estado a não
proceder às adaptações
e reformas necessárias nos prédios
de uso público, além de provocar
na sociedade a sensação de que
a pessoa tetraplégica e a cega são
inválidas, o que não é
verdade.
Esclareceram que a legislação
já garante às pessoas impossibilitadas
por doença ou deficiência grave
de não comparecerem à seção
eleitoral para votar, tendo apenas de comunicarem
ao juiz eleitoral da zona essa sua situação
singular.
O Ministro ouviu atentamente as considerações
dos representantes dos portadores de deficiência
e afirmou que o voto das pessoas com deficiência
continua obrigatório e que somente em
casos excepcionais e dependendo de requerimento
do interessado e comprovação de
impossibilidade é que o eleitor será
dispensado de votar.
O Ministro também se comprometeu a agendar
audiência do Conade com o Ministro Gilmar
Mendes, relator da matéria, a fim de
que o TSE fique bem esclarecido sobre os aspectos
e peculiaridades das deficiências que
atingem vários cidadãos brasileiros.
Fonte: Secretaria Executiva, Conade, (61) 429-3673
ou (61) 8125-1929.
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