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JORNAL CONVIVA EDITORIAL
- PONTOS QUE ILUMINAM INSTITUTO RECICLE - AMPLIANDO OBJETIVOS Está mais do que provado que é nos momentos de crise que os seres humanos conseguem se superar. Essa superação é resultado da vontade, da criatividade e, acima de tudo, da atitude do homem. Alguém disse um dia que a vontade é uma fechadura que só se abre por dentro. Pode estar aí a explicação para o fato de que há pessoas que simplesmente passam pela vida e se deixam levar pelas situações, mas há aquelas que, ao contrário, têm a convicção de que precisam mudar uma determinada realidade. Este é o caso de Louis Braille. Há 200 anos, exatamente no dia 4 de janeiro de 1809, em Coupvray , na França, nasceu uma criança que mudaria o destino das pessoas cegas de todo o mundo. Cego desde os 5 anos, devido a um acidente na celaria de seu pai, aos 15, aperfeiçoou um sistema inventado pelo capitão do exército Charles Barbier, para a comunicação noturna entre os soldados. Estava criado o sistema que mais tarde ganhou seu nome: Braille. Antes disso, os cegos só podiam reconhecer letras impressas em alto-relevo, não sendo possível a prática da escrita. De 4 de janeiro de 2009 a 4 de janeiro de 2010, por recomendação da União Mundial de Cegos, se comemora o ano do bicentenário de Louis Braille. Muitas são as ações e eventos no mundo inteiro para marcar essa importante ocasião. Desde o ano passado, em São Paulo, a Comissão Paulistana para o Bicentenário de Louis Braille (CPBLB), formada por várias entidades, dentre elas, a ADEVA, atua nesse sentido. A CPBLB tem como tarefa organizar eventos para que os 200 anos de nascimento de Louis Braille sejam comemorados de maneira a fazer jus a sua contribuição ao mundo. Neste editorial, a ADEVA presta sua homenagem a esse gênio, que transformou um sistema complexo, formado por pontos e traços, em um código constituído por apenas 6 pontos, que, em 63 diferentes combinações, permitem a escrita do alfabeto, dos sinais de pontuação, dos algarismos, dos sinais matemáticos e algébricos, químicos, de informática e as notas musicais. E, pasmem, que cabe exatamente na polpa digital. Foi como um gol de placa, o toque do artista em uma obra que a torna imortal. É como se cada um dos seis pontos do braille fosse uma lâmpada que Louis acendeu para iluminar a mente das pessoas cegas com o conhecimento, com a possibilidade de desbravar o mundo e nele poder atuar. Foram seis pequenos pontos que, na justa medida, abriram e abrem seis mil vezes seis mil portas. INTERNET
http://www.europeana.eu – Portal multilíngue, com um acervo composto pelo patrimônio cultural e científico dos 27 membros da União Européia (UE). São livros raros, antigos ou esgotados, pinturas, músicas, manuscritos e mapas, disponíveis para consulta on-line . http://www.shalom.org.br/audioteca – Endereço da Audioteca Kaete Heymann da Comunidade Shalom, que grava livros e funciona como uma biblioteca circulante. O projeto é gratuito e destina-se a pessoas cegas, da terceira idade ou com alguma dificuldade física ou motora que as impossibilite de ler. http://ramonpage.com/ortografa/ – O Ortografa! existe desde que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa é adotado no início de 2009. Seu mecanismo é simples: digita-se uma frase e o sistema procura trocar as palavras para a ortografia correta. Caso ele não consiga (por conta de alguma ressalva), aparece uma dica para o usuário se guiar na redação dos seus textos.
SE EU FOSSE VOCÊ 2 – O casal Cláudio e Helena trocam de corpo no Se eu fosse você 1 (filme brasileiro de 2008). Um ano depois, voltam para mais uma experiência desse tipo, em uma situação de conflito. Decididos a se separarem, a filha de 18 anos resolve casar e lhes dar um neto. Com Tony Ramos e Glória Pires. Em circuito comercial. ORGIAS – O livro reúne crônicas colhidas e selecionadas pelo próprio autor, Luis Fernando Veríssimo, um dos escritores brasileiros mais populares. Lançado pela Objetiva (Rio de Janeiro) em 2005, sua versão em braille (dois volumes) pode ser encontrada na B iblioteca Louis Braille do Centro Cultural São Paulo, à rua Vergueiro, 1.000, São Paulo (SP), telefone: 11 3397-4088.LEITURA DE DOMINGO – Programa da rádio Eldorado (AM 700 São Paulo), às 10h, que faz a leitura dos jornais e das revistas, destacando os fatos de política, economia, cidades, lazer, cultura e do cenário internacional que valeram uma notícia na semana.
CONVIVAWARE Ouvir um clássico da literatura enquanto caminha, dirige, viaja, faz exercícios ou mesmo espera sua vez na fila do banco ou no consultório médico, está se tornando uma prática cada vez mais comum. Embora o audiolivro não seja propriamente uma novidade, somente nos últimos anos o mercado editorial brasileiro está percebendo o potencial desse segmento. Mesmo que seus adeptos ainda não formem um grupo representativo, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada recentemente pelo Instituto Pró-Livro (IPL), mostra que os audiolivros são usados por 2% da população analisada, ou seja, 4,6 milhões de brasileiros. A clientela é realmente pequena, mas é fiel. Segundo a mesma pesquisa, o tempo que os usuários dedicam aos audiolivros é um dos maiores: duas horas e onze minutos por semana. Perdem apenas para os textos na internet e para os livros indicados pelas escolas. Ganham com boa margem dos livros de papel, aos quais só se dedica uma hora e cinquenta e seis minutos. No Brasil, visto por muitos como auxílio para deficientes visuais, o audiolivro começa a ser direcionado a outro tipo de clientes – pessoas com pouco ou nenhum tempo para a leitura ou que querem conhecer outra forma de acesso às obras literárias. Percebendo esse nicho de mercado, novas editoras estão chegando ao país com propostas inovadoras, não só na abordagem do público, mas também no tipo de negócio e produtos oferecidos. Antes conhecidos como livros falados, eram normalmente a gravação feita com boa qualidade sonora e leitura irrepreensível por profissionais da comunicação. Faz-se aqui uma justa homenagem aos grandes ledores que, com enorme competência, gravaram majestosamente inúmeras páginas que, infelizmente, por motivos difíceis de se entender, não estão totalmente convertidas para CD ou MP3, privando os mais jovens de tão rico conteúdo. No entanto, não apresentavam maiores atrativos para aqueles que, diferentemente das pessoas com deficiência visual, não viam no formato mais do que um canal alternativo de acesso. O uso de fundo musical, trazendo ambiência ao texto, e a gravação com a voz do próprio escritor ou de pessoas famosas, têm adicionado um sabor especial ao livro. Uma das primeiras experiências vividas no país, que sinaliza a importância de se oferecer algo mais do que a simples leitura de uma obra, ocorre com a popularização da Bíblia falada, narrada pela voz conhecida do jornalista Cid Moreira, um grande sucesso de público, que pode ser adquirida em bancas de jornal. Outro fator que tem papel fundamental na viabilidade dos audiolivros é a popularização do formato de áudio MP3. Dada sua grande capacidade de compressão e reconhecimento por inúmeros tipos de equipamentos (MP3 e MP4 players, DVD players, celulares, aparelhos de som para carros, entre outros), ouvir um livro torna-se possível em vários lugares e situações. Aproveitando-se disso, editoras têm lançado mão de muita criatividade para aquecer esse mercado. A chegada da Plugme <http://www.plugme.com.br>, nova editora do grupo Ediouro, em meados do ano passado, por exemplo, traz, na inauguração, 16 títulos em formato de CD e outros exclusivamente para download em MP3. O investimento é de um milhão de reais, com “tiragem” inicial de 5.000 cópias (a mesma média de livros impressos no mercado brasileiro). A idéia é lançar de dois a quatro novos títulos por mês. A primeira leva tem best-sellers como Alô, Chics!, narrado pela própria autora, a consultora de moda Gloria Kalil, e Uma vida inventada, livro de memórias de Maitê Proença, lido pela própria atriz, em duo com a também atriz Irene Ravache. Caso o leitor do Convivaware queira conhecer, pode ligar para 11 4003-7272 (telefone da Plugme). Por meio da tecnologia de reconhecimento de voz, pode ouvir pequenos trechos das obras disponíveis. A Audiolivro Editora <http://www.audiolivro.com.br> também oferece vários títulos, como o recém-lançado 1808, de Laurentino Gomes, sobre a fuga da família real portuguesa para o Brasil. Há, ainda, títulos das editoras Martins Fontes, Objetiva, Bom de Ouvir, como o Vale tudo: o som e a fúria de Tim Maia, com direito ao autor Nelson Motta fazendo imitações do cantor biografado. Em setembro, estreou o portal Universidade Falada <http://www.universidadefalada.com.br>, site dedicado exclusivamente à distribuição de audiolivros. O serviço pretende criar a maior audioteca on-line do Brasil e disponibilizar um acervo de livros em MP3 em todas as áreas do conhecimento. Oferece arquivos de MP3 divididos em 19 categorias, entre elas, filosofia, medicina, música e finanças. Com exceção de entidades voltadas a deficientes visuais, que recebem os arquivos gratuitamente, outros usuários devem comprar as obras, cujos preços variam entre R$ 15 e R$ 20. Laercio Sant'Anna ACORDO ORTOGRÁFICO O português é a terceira língua oficial ocidental e européia mais falada no mundo – por cerca de 330 milhões de pessoas, espalhadas por cinco continentes. O Acordo acarreta alterações na grafia de cerca de 1,6% do total de palavras na norma euro-afro-asiático-oceânica – de Portugal , dos Países de Língua Oficial Portuguesa (Palop), do Timor Leste e da Região Administrativa Especial de Macau –, e de cerca de 0,5% na brasileira . Como é meramente ortográfico, isto é, restringe-se à língua escrita, não afeta nenhum aspecto da falada e muito menos do significado das palavras. Quanto a este item, veja como são distintos alguns termos, esteja o falante em Portugal ou no Brasil.
Em Portugal O telemóvel tocou na hora programada. Ele disse consigo: “Levanta-te, Manuel. Vestiu o fato que Marisa lhe tinha separado para o dia. Aqueceu a sopa de legumes para o pequeno-almoço, comendo-a acompanhada de alguns pãezinhos. Começou a enumerar para a mulher-a-dias as tarefas a fazer: lavar a casa de banho, com especial atenção à sanita , pois o autoclismo estava perro, e o uniforme dos miúdos. Observou, pela janela, no estendal, as cuecas de Marisa sem molas. Pensou em recolhê-las, mas, devido ao avançado da hora, decidiu deixar isso para a mulher-a-dias que, aliás, era muito eficiente. Lembrou-se do dia em que ela fôra lá para ser entrevistada. Uma mulher já idosa, alta, magra. Os seus modos, as suas roupas e a sua voz não deixavam dúvida, era fufa . Quando ela se foi embora, Manuel tentou opor-se à sua contratação, mas Marisa contra-argumentou dizendo que ela tinha sido hospedeira e que certamente faria bem o seu trabalho. Mas o que o fez parar de se opor foi o facto de Marisa lhe chamar engatatão , dizendo que se fosse um borrachinho de olhos claros ele certamente não faria objeção. Realmente não faria. Concordava que Marisa precisava de alguém que a ajudasse em casa, pois o seu trabalho como dobradora de filmes franceses já ocupava boa parte do seu tempo e, agora, como explicadora para aquela miudagem da vila, menos tempo lhe sobrava. Viu no ecrã do computador que tempo era algo que ele não tinha e saiu apressado. Frente à casa, os almeidas limpavam a calçada. Pensou: “afinal os impostos servem para alguma coisa”. Quando chegou na paragem do autocarro, reparou que havia pouca bicha e ainda tinha uns minutos. Atravessou a rua e entrou na farmácia em frente para comprar, a pedido de Marisa, pensos higiénicos . Tomou a injecção recomendada pelo médico, pagou a conta e saiu. Olhando para o outro lado da rua, viu que o seu autocarro estava a arrancar. Depois de praguejar, pensou: “se houvesse nesta cidade mais comboios, as coisas seriam mais fáceis. Ai que saudades de Lisboa!
No Brasil O celular tocou na hora programada. Ele disse a si mesmo: “Levanta Manuel”. Vestiu o terno que Marisa lhe havia separado para o dia. Esquentou a sopa de legumes para o desjejum, tomando-a na companhia de alguns pãezinhos. Começou a relacionar para a diarista as tarefas para o dia: lavar o banheiro, dando atenção especial à privada, pois a descarga estava emperrada, e o uniforme das crianças. Observou pela janela, no varal, as calcinhas de Marisa sem prendedores. Pensou em recolhê-las, mas, devido o avançado das horas, decidiu deixar isso para a diarista que, aliás, era muito eficiente. Lembrou-se do dia em que ela viera a fim de ser entrevistada. Uma mulher já idosa, alta, magra. Seu jeito, seus trajes e sua voz não deixavam dúvidas, era sapatão. Quando ela se foi, tentou opor-se à sua contratação, mas Marisa contra-argumentou dizendo que ela havia sido aeromoça e que certamente faria bem o seu trabalho. Mas o que lhe fez parar de se opor foi o fato de Marisa lhe chamar de mulherengo, dizendo que se fosse uma moça bonitinha de olhos claros, ele certamente não faria objeção. Realmente não faria. Concordava que Marisa precisava de alguém que lhe ajudasse em casa, pois o seu trabalho como dubladora de filmes franceses já ocupava boa parte de seu tempo, e, agora, como professora particular para aquela criançada da vila, menos tempo lhe sobrava. Viu na tela do computador que tempo era algo que ele não tinha e saiu apressado para a rua. Em frente de casa, os garis limpavam a calçada. Pensou: “Afinal os impostos servem para alguma coisa”. Quando chegou ao ponto de ônibus, observou que havia pouca fila e ainda tinha uns minutos. Atravessou a rua e entrou na farmácia em frente para comprar, a pedido de Marisa, absorventes. Tomou a injeção recomendada pelo médico, pagou a conta e saiu. Olhando para o outro lado da rua, viu que o seu ônibus estava partindo. Depois de praguejar, pensou: “Se houvesse nesta cidade mais trens as coisas seriam mais fáceis. Não haveria tanto trânsito e os horários seriam cumpridos. Ai que saudades de Lisboa!” Sidney Tobias de Souza
Ricardo Góes Spoladore. De pronto, este nome nos faz lembrar o de outro colaborador da ADEVA. Sim, Ricardo é filho do Márcio Ruiz Spoladore, deficiente visual, diretor-secretário da entidade. E foi por meio de seu pai que ele veio trabalhar como voluntário na área administrativa no final de 2004. De mansinho e com dedicação, conquistou a diretoria, os funcionários e os alunos. Hoje, Ricardo não é apenas o filho do pai. Pela competência, ganhou um lugar no posto do Acessa São Paulo da ADEVA, onde é monitor dos cursos de informática para deficientes visuais. Mas faz muito mais do que isso - monitora também o curso de digitação, ministra aulas de Internet, Outlook Express e Windows, confecciona apostilas ampliadas (revisão, impressão e encadernação), os certificados de conclusão dos cursos oferecidos pela ADEVA, e é o responsável pela área de logística. “Ao longo desses cinco anos, o convívio com pessoas que não enxergam me fez perceber que nada é impossível, que basta termos vontade de realizar e obteremos êxito.” Ele reconhece que o trabalho de inclusão da ADEVA não é fácil, pois “o preconceito ainda existe e a sociedade não está 100% organizada para oferecer acessibilidade a todos, mas estamos numa evolução constante, a tecnologia está a nosso favor e os deficientes visuais estão afirmando seu espaço de cidadãos cada vez mais; estou muito feliz por ver de perto esse momento, em que muitos estão trabalhando, se aperfeiçoando e se capacitando para isso”, completa. Para ele, deficientes e não-deficientes não são diferentes, apenas uns enxergam com os olhos e os outros não podem utilizá-los. “E isso não quer dizer que não enxergam sua vida, seus sonhos, seus amores e Deus.” Essa convivência é fonte de muitas histórias, algumas até engraçadas. “Curioso é que, às vezes, até me esqueço que meus amigos não enxergam. Certa vez, me vi acenando, dando tchau, para uma amiga cega, que estava do outro lado da rua, mas não me desapontei por ela não ter visto.” Ricardo tem 22 anos. É o irmão mais velho dos três filhos do Márcio e da Edneuza, a Neuzinha. “O Bruno, meu irmão do meio, tem 16 anos, e o caçula, o Lucas, tem 2 anos. Minha infância foi ótima, adorava jogar futebol (o que eu fazia todos os dias) e nunca tinha problemas na escola, gostava de estudar. Quem não tirava nota azul [7 a 10] em todas as matérias, o técnico do time deixava no banco de reservas até conseguir melhorar. Cheguei a ser capitão do time – o Esporte Dínamo – no campeonato realizado pelo Criança Esperança em 2000” [projeto social da Unesco e Rede Globo], ele recorda. Depois do ensino médio, Ricardo estudou na Unip [Universidade Paulista] por três meses, cursando a faculdade de Letras. Desistiu para seguir sua vocação, a música. Entrou na Escola de Música e Tecnologia (EM&T), no bairro do Jabaquara, em São Paulo, onde cursou violão e canto por um ano. “Agora estou estudando teoria musical para conseguir uma bolsa na Universidade Livre de Música (ULM), ligada à Tom Jobim, escola de música da Secretaria de Estado da Cultura, no bairro da Luz, também aqui em São Paulo.” Jogo rápido Signo – Virgem. Cor – Preto e branco. Hobby – Jogar futebol e andar de skate . Um filme – Piratas do Caribe (a trilogia). Um livro – O Livro Tibetano dos Mortos. Estilo de música – Todos. Uma música – All you need is love , The Beatles . Cantora preferida – Norah Jones . Cantor – Paulo Miklos. Sobre a deficiência – Todos possuem uma, talvez mais de uma. Uns possuem na visão, outros na audição. Outros ainda a possuem no coração, embora enxerguem, andem e ouçam perfeitamente. Religião – O amor que Jesus ensinou. Deus – A força soberana da Natureza. Amigos – Companheiros de viagem. Amor – O fluído que nos une a Deus. Esporte preferido – Futebol. Time de futebol – Corinthians. Família – A minha é a melhor de todas. Seu sonho – Que todos um dia se juntem a nós e o mundo será um só. O que fazer para viver melhor? – Alimentar-se apenas do reino vegetal é respeitar a Natureza e não matar nossos irmãos inferiores. Uma frase – O Brasil é o país do futuro, podemos transformar tudo em amor. Lúcia Nascimento
NOSSOS PARCEIROS O Instituto Pro Bono, criado em 2001 por um grupo de 35 advogados de São Paulo, atua “para o bem” ( pro bono ). O que isso significa? A “prática da advocacia voluntária e de promoção do interesse público”, definida em sua missão. Uma iniciativa pioneira em termos de organização, mas, segundo seu diretor-executivo e um dos fundadores, Marcos Roberto Fuchs, recorrente na cultura jurídica brasileira. “Só para citar dois, entre os diversos notáveis nessa prática, lembro Rui Barbosa (1849-1923) e Sobral Pinto (1893-1991)”. Em seus sete anos de existência, o Instituto já atendeu 450 organizações do terceiro setor, que trabalham na promoção dos direitos das crianças e adolescentes, das mulheres, dos afro-descendentes, do meio ambiente, das pessoas com necessidades especiais, etc. Atualmente, conta com a co-participação de 300 advogados voluntários, de diferentes escritórios do estado de São Paulo. E a idéia é disseminar pelo Brasil a prática da advocacia solidária, estimular a responsabilidade social no Direito. Para tanto, oferecem palestras, seminários e oficinas de trabalho com estudantes de Direito e advogados de todo país. “Já visitamos 15 estados e, em Alagoas, nossos ideais deram frutos”, Marcos Fuchs conta. Para a Adeva, que inicia seus primeiros contatos com o Instituto em 2008, a parceria traz o suporte indispensável para a execução de um dos objetivos definidos desde sua fundação há 30 anos: a defesa dos direitos da pessoa com deficiência visual. Desde então, a relação de confiança com o Instituto tem se consolidado, dada a receptividade que vem recebendo sempre que surgem demandas na área jurídica. INSTITUTO RECICLE - AMPLIANDO OBJETIVOS Desde 2008, um dos objetivos do Instituto Recicle é a elaboração de projetos culturais, com foco no meio ambiente, e programas de educação ambiental que atendam os anseios dos seus parceiros. Dando prosseguimento ao intuito de ampliá-los e diversificar suas ações, no início de 2008, o Instituto inicia uma parceria com a Arquiprom, empresa constituída em 1972, que já atuou em mais de 50 feiras internacionais patrocinadas pela Divisão de Feiras e Turismo do Ministério das Relações Exteriores. A partir dos anos 1980, passa a concentrar seus trabalhos no território nacional e diversificar suas atividades. Nesse sentido, abre sua atuação para projetos museográficos e culturais (elabora e gerencia), bem como para projetos especiais, eventos/convenções, lançamentos e inaugurações. Nos próximos meses de maio, junho e agosto, o Instituto participa do Projeto Paisagem Natural Brasileira, que tem o apoio da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo . Trata-se de uma exposição de fotografia em praças públicas do interior de São Paulo, sobre os principais tipos de paisagem natural brasileira, extraídas de locais variados dos principais biomas – amazônico, caatinga, cerrado, campos e a Mata Atlântica –, pelos olhos de três fotógrafos: Luis Cláudio Marigo, Araquém Alcântara e Ricardo Siqueira. Para fortalecer a proposta dessa iniciativa, a exposição se completa por meio de um programa educativo, nas mesmas cidades, com oficinas culturais de terrário, que utilizam materiais naturais como terra, água e plantas, abordando temas ligados a arte e educação e têm como prioridade a conscientização sobre a natureza a partir de uma nova percepção dos elementos vivos. As oficinas acontecem em escolas da rede pública, direcionadas aos alunos da 5ª, 6ª, 7ª e 8ª séries, orientadas por duas educadoras do Instituto Recicle, devendo atingir cerca de 6.000 alunos ao final da itinerância. Na inauguração das mostras, a Secretaria de Cultura de cada cidade recebe o Baú do Saber – uma caixa contendo livros de ecologia, selecionados pelo Instituto Recicle –, e fotografias relacionadas ao tema.
Nelson Motta (jornalista)
Placa na entrada do túnel de bambu, na saída do aeroporto de Salvador: “Sorria, você está na Bahia”. Nem precisava. Com a partida de Jorge Amado e depois de Dorival Caymmi, foi-se a boa parte do espírito da Bahia do século XX. A cidade cresceu e se modernizou, conseguiu integrar as suas manifestações mais primitivas, dos tambores, dos blocos afro e do próprio carnaval, à alta tecnologia dos trios elétricos e da indústria da alegria em que se transformou o turismo baiano. Como já cantava Gordurinha nos anos 50, “pau que nasce torto, não tem jeito, morre torto, baiano burro garanto que nasce morto”. Ou como me disse Dorival Caymmi quando lhe perguntei se ele queria ensaiar antes de um programa de TV: – Baiano já nasce ensaiado, meu filho. Mas continuam vigorando os quatro tempos de qualquer atividade na Bahia: lento, lentíssimo, devagar-quase-parando e dorival-caymmi. Carlinhos Brown desconstrói a lenda da preguiça local: – Baiano é como avião a jato. Você olha ele de longe no céu, parece que está parado; chega perto e ele... zum! Davi Moraes reclamou com a baianinha que ela havia posto açúcar no suco de laranja que ele pedira sem. E ela, toda dengosa: – Mexa não. O que a alguns pode parecer exibicionismo, para os baianos é apenas exuberância. Daí que eles não nascem, estréiam. E não morrem, saem de cena. Consequentemente, a Bahia não tem platéias, mas coadjuvantes. Não tem povo, tem elenco. É tal o sucesso da música baiana que se suspeita que a Bahia seja uma grande gravadora disfarçada de estado. Na política baiana, o PMDB está aliado ao DEM, e o PT ao PSDB. E ainda se ouve a voz de ACM advertindo: “Pense um absurdo. A Bahia tem precedente”. Outro diferencial baiano vem da cultura do candomblé, uma religião sem pecado e sem culpa, em que os santos, as entidades até intermedeiam romances e inspiram cantadas originais: –Meu Oxóssi está doidinho pela sua Oxum. Também se atribui à cultura do candomblé uma maior tolerância e liberdade sexual. Pode-se perguntar com naturalidade à amiga que diz que adora namorar: – Menino ou menina? – Oxente, sou multimídia”. Fonte: O Globo, Rio de Janeiro, 16 jan. 2009. Primeiro Caderno.
A Câmara dos Deputados está analisando o Projeto de Lei nº 6097/05, do deputado Mendes Thame (PSDB-SP), que cria incentivos fiscais para a produção de equipamentos destinados a suprir as restrições locomotoras de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Segundo o Censo IBGE de 2000, o Brasil possui cerca de 8 milhões de pessoas com deficiência motora ou com mobilidade reduzida e 24,5 milhões de brasileiros padecem de algum tipo de deficiência física ou mental. Ainda pelo projeto, ficam isentos do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) as matérias-primas e os produtos intermediários que se destinem à industrialização dos equipamentos e aparelhos destinados a suprir ou amenizar as deficiências e as restrições locomotoras de pessoas portadoras de deficiência. Também ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre as receitas de vendas desses equipamentos. Projeções do European Disability Forum (EDF) indicam que, nos próximos 30 anos, a população portadora de deficiência nos países em desenvolvimento aumentará em 120% contra 40% nos países desenvolvidos. Em países de renda média e alta, entre 15% e 20% do total da população apresentam necessidades especiais, o que justifica plenamente a aprovação do projeto. Outro dado importante, da Organização das Nações Unidas (ONU), atesta que 82% das pessoas portadoras de deficiência vivem abaixo da linha da pobreza nos países em desenvolvimento. A relação deficiência-pobreza é agravada por outras questões comuns ao subdesenvolvimento e à carência de meios, como falta de água, de comida e de nutrientes, precariedade dos sistemas educacionais e de saúde, a falta de oportunidades de emprego e o acesso nulo ou quase inexistente aos meios de comunicação e à informação em geral. Para participar, envie um e-mail ao presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Industrial e Comércio (CDEIC), deputado Jilmar Tatto PT/SP, no endereço: cdeic@camara.gov.br
Quando : de 24 (6ª feira) a 26 de abril (domingo); ida e retorno às 17h. Quanto : R$ 250, em cinco parcelas de R$ 50. Inclusos : transporte de ida e volta e as refeições (café da manhã, almoço e jantar). Não-inclusos : bebidas, fichas de jogos e pesqueiro pesque e pague. Atrações : complexo poliesportivo e aquático, bocha, malha, trilhas, salão de jogos e de eventos, videokê, passeio a cavalo, de charrete e de trenzinho, tirolesa, pedalinho, sala para descanso com TV, lago para pesca esportiva (trazer equipamento) e monitoria. Informações : com Sandra Maciel, tel.: 11 3824-0560, ou com Anna Maria, tel: 11 3864-2783.
CARNADEVA
A ADEVA conta com uma gráfica e oferece a impressão de textos em Braille e em caracteres ampliados. Todos os recursos obtidos com a produção desse serviço são revertidos para a manutenção da entidade. Os valores pagos podem ser deduzidos do imposto de renda de pessoas jurídicas. Mais informações pelos telefones: (11) 3824-0560 ou 3667-5210, com Márcio ou Sandra. Com o objetivo de promover o desenvolvimento pessoal e profissional de empregados e empregadores, e conscientizar a sociedade sobre o potencial da pessoa com deficiência, a ADEVA oferece palestras sobre temas como estresse, etiqueta empresarial, o trabalho e o valor do trabalhador, mitos e realidades sobre o deficiente. Para agendar dia e horário, entre em contato com Sandra Maciel ou Márcio Spoladore, pelo telefone (11) 3824-0560 ou pelo E-mail: marcio@adeva.org.br. As palestras podem ser ministradas in company e seu valor abatido do imposto de renda de pessoas jurídicas.
Inscrições pelos telefones: (11) 3824-0560, com Sandra Maciel, e (11) 5084-6693 / 6695, com Edvando.
MANUEL TAXISTA Para quem quer ser atendido com cortesia e hora marcada, fazer o melhor trajeto, viagens, levar o filho à escola ou ir às compras, ligue: 11 9683-9040 e fale com o Manuel. Desconto especial para os associados da ADEVA em dia com o pagamento da anuidade.
Pré-impressão e Impressão – Garilli.
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