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Prevenção


Ceratocone, a doença que deforma a córnea

O ceratocone é uma doença progressiva que deforma a córnea, estrutura transparente que reveste a parte anterior do olho, determinando-lhe um abaulamento e afinamento em forma de cone. 

A córnea é formada por cinco camadas: o epitélio, que corresponde à camada mais externa; a membrana de Bowman; o estroma, que corresponde à camada mais espessa da córnea, formada por fibras de colágeno; a membrana de Descemet; e o endotélio, que corresponde à camada mais interna. 

Segundo a médica oftalmologista especialista em córnea, Dra. Maria Aparecida Mesa Munarin, “no ceratocone, ocorre uma alteração das fibras de colágeno, provocando uma ectasia da córnea, ou seja, tornando-a proeminente e mais fina, o que provoca a percepção de imagens distorcidas”.

O ceratocone é primeiramente uma doença hereditária e, em geral, se manifesta na adolescência. É muito mais freqüente em pessoas portadoras de síndromes genéticas como a síndrome de Down, de Turner, de Ehlers-Danlos, de Marfan, bem como nos portadores de osteogênese imperfeita e prolapso da válvula mitral. 

Está associada a degenerações tapetorretinianas, amauroses congênitas de Leber e retinoses pigmentares. Várias doenças atópicas, tais como dermatite, rinite, conjuntivite vernal, asma brônquica, febre do feno, também têm sido observadas em pacientes com ceratocone. 

A Dra. Aparecida Munarin adverte que o uso incorreto de lentes de contato, e lentes que não transmitem oxigênio para a córnea, podem provocar o ceratocone secundário, “conhecido como warpage de córnea”, explica ela, “assim como também o ato mecânico de apertar e coçar os olhos pode desencadear a doença”.  

 

Sintomas

O ceratocone não é uma doença inflamatória e o primeiro sintoma que leva um paciente a procurar o auxílio médico é a vista embaçada que, a princípio, aparenta ser um astigmatismo. Caso haja suspeita de ceratocone, o médico solicita uma topografia corneana, exame que diagnostica a doença já na fase inicial. O diagnóstico precoce, entretanto, não impede que a doença evolua. Mas, na maioria dos casos, ela permanece na fase mais simples, podendo ser resolvida simplesmente com o uso de óculos.

Pacientes com ceratocone freqüentemente relatam diplopia (visão dupla) ou poliopia (visão de vários objetos) no olho afetado e queixam-se de visão borrada e distorcida, tanto para a visão de longe quanto para a visão de perto. Alguns se referem a halos em torno das luzes e fotofobia (sensibilidade anormal à luz).

 

Fases da doença

A Dra. Aparecida Munarin explica que o ceratocone é um tipo de astigmatismo irregular e assimétrico, que tende a evoluir ao longo de quatro fases. 

A primeira, chamada fase do ceratocone incipiente, é geralmente diagnosticada a partir de uma topografia de córnea. A córnea apresenta um astigmatismo com maior curvatura na porção mais periférica, não ocasionando qualquer distorção em sua região central. Por esse motivo, o problema apresentado pode ser satisfatoriamente corrigível com o uso de óculos.

Na segunda fase, os óculos já não corrigem o problema do paciente. Observa-se um astigmatismo mais elevado, um afinamento e uma saliência da córnea. Nessa fase, o ceratocone pode ser diagnosticado a partir de um simples exame de refração, de ceratometria e/ou de biomicroscopia na lâmpada de fenda. Devido à irregularidade e à assimetria do astigmatismo, a acuidade visual com o uso de óculos deixa de ser satisfatória. Por tudo isso, o paciente somente consegue manter uma boa acuidade visual se o seu astigmatismo for corrigido com lente de contato rígida.

Na terceira, a córnea já está bem proeminente, saliente, irregular e, conseqüentemente, bastante comprometida. A lente de contato começa então a provocar atritos na córnea (ceratites e/ou úlceras). Nesse estágio, há inclusive a necessidade de, em alguns casos, adaptar-se uma lente gelatinosa por baixo, com a finalidade de proteger a córnea, e uma rígida por cima, na parte mais externa, que efetivamente corrige o grau, procedimento conhecido no meio oftalmológico como piggy-back.

Na quarta fase, a lente já não pára mais no olho ou a córnea torna-se opaca, o que torna a visão deficiente. Dessa forma, o transplante de córnea é indicado.

 

Prevenção

Por ser uma patologia hereditária, não há formas de se prevenir o ceratocone. É possível, contudo, a partir de um histórico de ceratocone na família, alertar e orientar a família quanto à possibilidade da existência da doença, mesmo na ausência de sintomas. 

O diagnóstico precoce é muito importante para que o paciente tome alguns cuidados, por exemplo, não apertar ou coçar os olhos, estimulando assim o desenvolvimento da doença. Nos casos de pacientes portadores de ceratocone mais avançado, coçar os olhos pode ainda provocar um ceratocone agudo. 

 

Tratamento

Só muito recentemente, vêm sendo realizados implantes de uma prótese anelar, onde dois segmentos semicirculares de material acrílico, com espessuras variáveis, algo em torno de 5 mm de diâmetro, são introduzidos no estroma da córnea (região mais espessa e plana), provocando um achatamento da área mais curva, o que reduz o ceratocone. “Mas”, como salienta a Dra. Aparecida Munarin, “se a córnea estiver muito delgada, tal cirurgia talvez não seja a melhor indicação, já que pode ocorrer uma extrusão do anel”.

O transplante de córnea é atualmente uma cirurgia bastante segura, embora o seu sucesso dependa da habilidade cirúrgica do profissional e do pós-operatório. Faz-se necessário um cuidadoso acompanhamento, com remoção dos pontos na forma, na ordem e no momento corretos.

Segundo a Dra. Aparecida Munarin, “há possibilidades de rejeição, mas como a córnea não é vascularizada (desprovida de sangue), apenas 5% dos transplantes de córnea por ceratocone estão sujeitos a tal circunstância”. “Ainda assim, mesmo nos casos onde ocorre rejeição, esse problema tende a ser facilmente solucionado, desde que imediatamente identificado e que sejam utilizados corticóides, sob a forma de colírio ou por meio de infiltrações na conjuntiva”, completa ela.

Após o transplante de córnea, havendo qualquer embaçamento da visão, deve-se imediatamente procurar assistência médica, pois, ainda que haja rejeição, se ela for imediatamente tratada, o paciente recupera 100% da visão.

Lúcia Nascimento

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