TEXTOS
INTERESSANTES
"Os
Eficientes"
Portadores
de deficiência podem render como outros empregados. Ou até
mais.
A lei que obriga as empresas brasileiras com mais de 100 funcionários
a ter entre 2% e 5% do quadro composto de deficientes, criada há
dez anos mas respeitada de fato apenas a partir de 1999, foi inicialmente
recebida como uma iniciativa filantrópica.
De uns tempos para cá, tomou-se um desafio a mais e positivo
na reestruturação de companhias que querem crescer com
o máximo de aproveitamento de cada funcionário contratado.
Já que são obrigadas a empregar deficientes, muitas companhias
perceberam que podem tirar bom proveito disso.
Descobriram que cegos, surdos ou ocupantes de cadeira de rodas são
capazes de render tanto quanto outros profissionais, desde que colocados
em funções certas as que eliminam as desvantagens provocadas
pela deficiência.
"A fase de tratá-los como coitadinhos já passou",
diz Luiza De Paula, gerente de projetos sociais da consultoria de recursos
humanos Gelre, que criou um departamento especial para recrutar pessoas
com alguma deficiência.
Esses
são bons exemplos, mas ainda limitam a atuação
dos deficientes a setores específicos.
Para ampliá-los, o Instituto Ethos de Responsabilidade Social,
que reúne empresas, apresentou recentemente uma cartilha que
detalha os passos necessários para adaptar os ambientes de trabalho
A mão-de-obra de deficientes.
Por causa dos gastos exigidos para adequar os prédios, os usuários
de cadeira de rodas são os que mais enfrentam dificuldade para
conseguir emprego. Quando a estrutura está para ser construída,
no entanto, fica mais fácil prever a inclusão deles.
Na nova fábrica da Black & Decker ern Uberaba, Minas Gerais,
as posições no final da linha de produção
foram preparadas exclusivamente para receber os chamados cadeirantes.
Até outubro, pelo menos doze serão contratados com a tarefa
de fazer a última limpeza dos eletrodomésticos.
Na central de atendimento ao consumidor do Pão de Açúcar
em São Paulo, a recém-concluída reforma permitiu,
a circulação de cadeiras de rodas. As baias dos atendentes
do call center ganharam mais 40 centímetros de largura. Três
portadores de deficiência já estão trabalhando no
atendimento telefônico.
Marilene Benicio, 36 anos e paraplégica desde os 9, precisa de
ajuda apenas para chegar ao emprego. "Aqui eu me viro sozinha",
diz a moça. que ficou um ano desempregada depois de trabalhar
em uma loja de carros que não tinha as condições
adequadas.
Os
excluídos
Há
10,2 milhões de brasileiros com deficiências capazes de
prejudicá-los na busca de emprego. Desses, 1 milhão exercem
atividade remunerada e só 200.000 têm carteira assinada.
Deficiência
Física
- 3,8 milhões
Mental - 2,8 milhões
Visual - 2,6 milhões
Auditiva - 1 milhão
